O vereador Pastor Otávio foi o sabatinado da última terça-feira, na série de entrevistas realizadas pelo GCN. O candidato a deputado estadual pelo PTB disse que defende a família na formação estabelecida pela Bíblia: pai, mãe e filhos. Ele disse que respeita a opção de casais homossexuais, mas que a prática do homossexualismo é pecado. “Prefiro ficar com o que diz a Bíblia”.
O pastor defendeu o aumento no número de vereadores da Câmara e não se constrangeu ao explicar porque pediu para deixar a votação sobre o assunto para depois das eleições: “Se o projeto fosse votado agora, muitos vereadores votariam contra e o projeto não passaria. Por isso, pedi par deixar para votar depois, porque aí tem chance de ser aprovado”.
Por que o eleitor de Franca deve escolher o senhor para representá-lo na Assembleia Legislativa de São Paulo?
Hoje nós temos uma política exercida, em sua maioria, infelizmente por pessoas corruptas. Hoje temos um grande número de deputados, inclusive presos, envolvidos em fraudes, em casos de corrupção. Precisamos mudar esse quadro. Não podemos permitir que pessoas que nos representam, que as pessoas que fazem as leis desse País se corrompam, fraudem, enganem. Estou na Câmara há seis anos e me acho apto nesse momento a disputar o cargo de deputado estadual. Por isso coloquei meu nome à disposição da nossa população.
Em fevereiro do ano passado o senhor foi acusado pelo MP de usar dinheiro da Câmara para custear viagem e um prêmio que o senhor recebeu em São Paulo, tanto que o senhor, junto com mais dois vereadores, teve que devolver o dinheiro usado para bancar esse episódio, que ficou conhecido como ‘farra das medalhas’. O senhor considera isso ético?
Foi uma falha. Como os vereadores mais bem votadas da Câmara nós tivemos autorização para participar de um curso, onde fomos premiados com uma medalha. Foi uma falha, um erro que cometemos. Mas tão logo foi informada a falha, reconhecemos e devolvemos o dinheiro. Foi uma falha que não vai acontecer mais.
São seis vereadores que disputam as eleições desse ano para deputado e apenas um se afastou de suas funções, que foi o vereador Luis Vergara. Ele afirmou que não é possível ser meio candidato e meio vereador. É ético continuar usando a estrutura da Câmara?
Tenho um compromisso de atender aos meus eleitores, de estar trabalhando como vereador. A legislação permite e eu estou dentro da legislação. Faço questão de estar trabalhando. Se a legislação determinasse o afastamento, eu estaria nesse momento afastado.
Que é legal nós sabemos. A pergunta foi se o senhor considera ético.
Não vejo falta de ética em trabalhar. Eu vejo falta de ética em roubar, enganar. Trabalhar, para mim, nunca foi falta de ética.
O senhor participou da campanha Voto Nosso, da Acif, que defende votos em candidatos de Franca, mas está fazendo dobradinha com um candidato de fora. O que senhor diria ao eleitor que percebe que o senhor está usando a campanha como uma vitrine, mas apoiando um candidato de fora?
Você não faz uma dobradinha simplesmente para fazer uma campanha eleitoral. Você faz uma dobradinha com o objetivo maior de ganhar uma eleição. Então, num primeiro momento, tentamos buscar um candidato do mesmo partido, do meu partido, que é o PTB, que tivesse as mesmas ideias, as mesmas propostas e não conseguimos. Quando busquei orientação do PTB, a orientação foi que fizesse a dobradinha com o candidato do partido. Então, foi indicado um nome do Motta, que é uma pessoa do PTB e eu tenho certeza na eleição dele, tenho certeza na minha eleição e, sendo do próprio partido, nós vamos juntos trabalhar por Franca e pela região. Nesse momento eu acho muito difícil que a gente consiga eleger algum deputado federal, aqui pela região de Franca,ou da nossa cidade. Então, é necessário buscar alguém que tenha possibilidade de eleição e que venha trabalhar pela nossa cidade.
Em relação a campanha Voto Nosso, não seria mais coerente, então, o senhor não participar?
Não me ofereci para participar, fui convidado.
Mas só participa quem concorda.
Sim, concordei e quando eu disse que eu apoiaria um candidato que não é de Franca, isso não foi colocado como barreira para que eu não participasse da campanha.
Muito tem se discutido sobre a legalização das drogas. Qual a posição do senhor, a respeito?
Sou absolutamente contra. Não podemos permitir, como em outros países, a comercialização das drogas como ela acontece em outros lugares. Se fala do uso das drogas, na questão medicinal, se ela for estudada e tiver algum fim medicinal, eu acredito até que isso é possível que aconteça. Agora, liberar as drogas, é um absurdo. O uso da maconha é a porta aberta para o uso do crack, da cocaína e assim por diante.
O senhor é a favor da internação compulsória de dependentes químicos?
Sem dúvida nenhuma. Infelizmente em Franca não temos nenhuma casa preparada para essa internação compulsória. Mas a internação compulsória se faz necessária, até para a preservação desse interno, que muitas vezes não tem capacidade moral, intelectual e social para o discernimento da necessidade que ele tem desse tratamento.
Como o senhor avalia a saúde pública na cidade de Franca?
Foi de minha autoria o requerimento que convocou a secretária (da Saúde) Rosane (Moscardini) a ir até a Câmara para dar esclarecimentos, com respeito às várias mortes que aconteceram no pronto-socorro. Não podemos permitir que a saúde continue da maneira que estava. O problema da saúde não é apenas em Franca, temos uma tabela SUS que há muito tempo não é corrigida. Eleito deputado, precisamos reduzir esse prazo da cirurgia eletiva. Não é porque a cirurgia é eletiva, que o paciente vai esperar um ano, dois anos, três anos para ser atendido.
Há duas semanas a Câmara votou a abertura de uma comissão processante contra o prefeito, por irregularidades na saúde. O senhor votou contra. Não é uma contradição e sua parte? O senhor faz uma coisa e prega outra?
Não, não, faço uma coisa e prego outra, não. Prego e vivo e vivo aquilo que prego, principalmente enquanto pastor. Fizemos uma CEI que investigou a questão da saúde. Foi um trabalho muito bem feito, com várias entrevistas, oitivas, ouviu várias pessoas que participaram desse processo. O resultado disso foi encaminhado ao Ministério Público. Agora, se houver necessidade de fazer qualquer tipo de encaminhamento, deverá ser feito pelo MP. Nós não podemos, nesse momento, deixar de preocupar com a governabilidade. Acho que o trabalho que deveria ser feito, foi feito.
Mas o senhor acha justo a prefeitura pagar hora extra para médico que não trabalhou?
Médico que não trabalhou, não. Se o médico nação trabalhou não pode receber. Aliás, ninguém que trabalha vai receber por aquilo que não fez.
E é esse tipo de coisa que a CEI apontou e o senhor disse que não precisava investigar na votação da Comissão Processante.
Não, se eu não trabalho não sou digno do meu salário, se você não trabalha tem que te mandar embora. Profissional que não trabalha, tem que ser mandado embora
E quem ordena o pagamento de quem não trabalha, o que deve acontecer?
Isso tem que ser apurado, o Ministério Público..
Mas já foi apurado, pastor.
O MP já está sendo informado disso tudo, se entender que foi indevido, que tome as providências, se o prefeito errou, vamos cassar o prefeito.
Cassar como se o senhor não aprovou a Comissão Processaste?
Isso, primeiramente, tem de ser apurado lá no MP. Se o MP entender que essas irregularidades foram praticadas, o MP é quem vai fazer...
O senhor não acredita no trabalho que foi feito pela Câmara? Porque vai ser um retrabalho. Ou o senhor está desqualificando o trabalho?
Não é questão de desqualificar. Você faz uma apuração e manda isso para o MP, que tem que fazer o trabalho dele. Feito o trabalho dele, isso volta para a Câmara.
Na área de segurança, quais são as propostas do senhor para corrigir essa falta de policiais nas ruas e delegacias de Franca?
A primeira coisa que temos que trabalhar na questão de segurança é a unificação das polícias. Nós temos uma briga antiga, a PM é divorciada da Polícia Civil. Temos que trabalhar pela melhoria do salário da PM, hoje um policial em início de carreira, ele ganha em torno de R$ 2,2 mil, é um salário muito pequeno que acaba obrigando esse PM a fazer bico. Ele acaba tendo de sair para a rua para trabalhar no seu horário de descanso. Agora a questão da segurança começa muito lá atrás. Quando você oferece creche, escola em período integral, você gera emprego e tudo isso você já está cuidando da segurança. O efetivo da PM é muito pequeno, precisamos ampliar, dar melhores condições de trabalho, inclusive com equipamento, para que essa polícia tenha condições de oferecer segurança para a nossa população.
O governador Alckmin está levantando uma bandeira sobre a questão do aumento da pena para menores que cometem crimes hediondos, o que o senhor pensa a respeito?
Eu e o PTB somos favoráveis à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. Só quem foi vítima de algum tipo de crime praticado pelo menor, sabe o que isso significa. Hoje nós temos a falta de segurança é muito grande e quando ocorre de uma pessoa ser vítima de um menor, e esse menor é apreendido no primeiro momento, e em seguida colocado em liberdade, deixa a vítima em uma situação muito constrangedora. Claro que você não pode colocar esse menor junto com os demais criminosos de maior idade, temos que ter um local específico, para que esse menor que praticou o crime hediondo, grave, para que ele seja julgado, condenado e pague por aquilo que ele fez.
Recentemente o senhor disse que oposição é coisa do capeta. Poderia explicar essa afirmação?
Muitas vezes a gente vê pessoas que fazem um tipo de oposição que contradiz com os interesses da população. A gente vota com aquilo que é de interesse da população, projetos que venham a atender os interesses da comunidade, jamais vou votar contra aquilo que é interesse, contra creche, contra escola, contra habitação, e nós temos pessoas na Câmara que hoje têm coragem de votar contra aquilo que é de interesse da população, simplesmente porque fazem oposição, então é por isso que eu digo que oposição é coisa do capeta.
(pergunta do internauta Reinaldo Pereira) Recentemente o senhor disse que era contra a união homoafetiva, agora, em sua campanha, está com o foco na família. O homossexual não faz parte da sociedade? Não pode formar uma família, na opinião do senhor?’
Respeito a sua colocação, eu entendo que família, conforme a Bíblia nos ensina, é formada por marido, mulher e filhos. Respeito a decisão de casais homossexuais, mas prefiro reafirmar o que já reafirmei através da imprensa, fico com aquilo que a Bíblia ensina, a prática do homossexualismo é pecado e é o que a Bíblia ensina, eu prefiro ficar com o que a Bíblia ensina.
Se eleito e tiver que votar um projeto para que se torne crime a agressão contra homossexuais o senhor votaria a favor ou contra?
Sem dúvida nenhuma a favor. É gente, é ser humano, merece nosso respeito e nossa consideração.
(pergunta do internauta Paulo Barreto) O senhor declarou ser favorável ao aumento do número de cadeiras da Câmara, porém disse que só votaria o projeto após o período eleitoral. Por que?
Sempre fui a favor do aumento de cadeiras, hoje Franca tem quinze vereadores e Batatais também tem quinze vereadores, quando eu falei que votaria a favor depois das eleições, é porque os outros vereadores disseram que se votassem neste momento, a grande maioria seria contra. Então eu pedi para que deixassem para depois da eleição, que aí seria possível a aprovação.
Candidato, o senhor defende tanto a ética moral, mas acabou de dizer que adiou a votação de um projeto por conta da época das eleições. O senhor acha justo com o eleitor adiar uma votação sabendo que o projeto seria reprovado por conta da visibilidade das eleições para que ele seja votado depois das eleições? É ético?
Não é essa a visão que eu estou dizendo. Conversei com os vereadores e, em função do período eleitoral, a maioria se mostrou contra. Eu entendo que devemos ter uma Câmara com maior representatividade e volto a dizer, sou favorável, nós devemos ter uma Câmara com maior representatividade, Franca hoje com 350 mil habitantes, não pode ter o mesmo números de vereadores que tem em Batatais. Os vereadores disseram que neste momento votariam contra esse projeto, mas que após as eleições são favoráveis, por isso que eu entendo que se o projeto for votado depois, ele pode ser aprovado. Nesse momento não é interessante que o projeto seja apresentado.
O senhor acha então, que seus amigos vereadores é que são oportunistas?
Não é questão de oportunismo, acho que Franca precisa ter uma melhor representatividade e se o projeto tem condições de ser aprovado posteriormente, que seja apresentado posteriormente, no momento em que deve ser apresentado, esse foi o ponto de vista que defendi.
No ano passado, uma pesquisa do Instituto Datalink apontou que a população de Franca dá nota 5,9 para o trabalho dos vereadores, ou seja, a Câmara levou bomba da população. O senhor concorda com essa avaliação por parte da sociedade?
Acho que a população precisa conhecer melhor o trabalho dos vereadores, eu, por exemplo, sou o primeiro vereador que chega na Câmara e sou o último a sair, tanto eu quanto meu assessor. Fiz inclusive um projeto da participação popular, das pessoas irem para a Câmara, participarem das sessões. Nós temos um interesse muito pequeno da população, sempre são as mesmas pessoas que vão, três ou quatro pessoas, então seria muito interessante que a população se interessasse mais, visitasse o gabinete, se interessasse mais em conhecer o trabalho do vereador. Acho que essa nota aumentaria na medida que a população começasse a conhecer melhor o trabalho que os vereadores prestam em nossa cidade, a prestação de serviços, a votação, o orçamento que nós fazemos, a votação de tudo aquilo, se a população se interessar mais, essa nota, com certeza, vai melhorar.
(pergunta do internauta Lucas) O senhor acha correto usar a igreja que frequenta como massa de manobra para se eleger?
Não, de maneira nenhuma, não uso a igreja, nunca usei. O que acontece é o seguinte: sou pastor e a grande maioria do meu eleitorado é da igreja, é para eles que eu presto serviço. Quando algum membro das igrejas evangélicas precisa de algum serviço, ele me procura. Essa comunidade tem um compromisso com o Pastor Otávio, assim como eu tenho um compromisso com eles, mas não uso ninguém para buscar votos, esse tipo de coisa, (não faço) de maneira nenhuma.
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