‘Quero botar Franca no mapa de novo’, diz Corrêa Neves Jr.


| Tempo de leitura: 13 min
‘Chega de Franca ser tratada como esquina abandonada. A cidade terá recursos porque eu estarei lá brigando por eles’
‘Chega de Franca ser tratada como esquina abandonada. A cidade terá recursos porque eu estarei lá brigando por eles’
Corrêa Neves Júnior foi o sabatinado do GCN do último dia 11. Candidato a deputado federal pelo PV, o jornalista demonstrou segurança e conhecimento de causa ao responder todas as perguntas dos mais variados temas. O candidato expôs suas posições de maneira clara e garantiu que vai mantê-las, ainda que sejam contrárias ao que defende seu partido. Ele é contra o financiamento público de campanha, por exemplo, mecanismo que seu partido defende. Corrêa Neves Júnior também é contra a legalização da maconha e contra o aborto. Ele defende a redução da maioridade penal e leis mais severas para punir motoristas que atropelam e fogem. “Não é possível que nossa legislação seja tão furada, não é possível que alguém, completamente bêbado, que atropelou e matou, responda em liberdade. Você, covarde, que atropelou, matou e fugiu, saiba que você terá um inimigo feroz em mim. O sujeito atropela, mata e foge... É tão covarde que foge. Temos que criar um sistema onde também o sujeito que não socorreu a vítima de seu acidente de trânsito seja considerado culpado e vá responder atrás das grades

Por que o senhor quer ser o representante de Franca no Congresso Nacional?
Tenho 40 anos, sou jornalista há 22, estou no rádio há alguns anos, primeiro nos bastidores e depois com o meu programa (Hora da Verdade). O fato é que como a grande maioria dos brasileiros, estou revoltado, cansado, irritado com a qualidade de política que é oferecida no nosso País, com a qualidade dos nossos representantes. Chegou a hora de fazer alguma coisa diferente. Se eu quero mudar, se eu acredito que não está bom, tenho que procurar fazer a minha parte. E minha parte é me candidatar, apresentar meu nome, disputar uma eleição”.
 
O senhor fala sobre a falta de qualidade dos representantes atuais. Em Franca não há uma liderança política nova há muitos anos. Por que o senhor não se candidatou antes a deputado estadual ou a vereador? Qual foi o fator decisivo para que o senhor saísse direto para deputado federal?
Primeiro porque tudo na vida tem um tempo. Não sou um carreirista político. Não fiz da política um emprego, no qual vou subindo de cargo. Agora, aos 40 anos, é a hora de entrar.... Boas pessoas, das mais diferentes formações acadêmicas, classes sociais, deveriam se candidatar. É isto o que eu estou fazendo: oferecendo o meu nome, me colocando à disposição para ir a Brasília defender ideias bem claras, um conjunto de ações que eu pretendo desenvolver. Podia ter sido candidato a vereador, a deputado estadual, o que seria até mais prático, porque estaria em São Paulo, mas não é o que eu gostaria. Não quero discutir legislação municipal ou estadual. O que me incomoda são as questões que impactam a nossa vida. Leis que têm a ver com segurança pública, com educação, saúde. São essas leis que pretendo trabalhar, além da minha obsessão por colocar novamente Franca e região no mapa. Chega de (Franca) ser tratada como uma esquina abandonada. Esses recursos virão porque eu estarei lá brigando por eles. 
 
O PV é a favor do financiamento público de campanha; o senhor, não. Em uma eventual votação de reforma política, o senhor votaria com o partido ou manteria a sua posição?
Sempre votarei de acordo com a minha coerência, minhas crenças e meus valores. É importante dizer que entendo o que pensa quem defende o financiamento público, mas eu tenho certeza de que em um debate franco no Congresso Nacional vou conseguir mostrar que o maior erro para a democracia será quando aprovarem o financiamento público de campanhas. Não quero que a conta da campanha eleitoral vá para o bolso do contribuinte. A conta da minha campanha tem que ser paga por mim e pelas pessoas que acreditam em mim. É um absurdo que no financiamento público a gente queira passar essa conta para que as pessoas paguem. Chega! O brasileiro não aguenta pagar mais contas, muito menos conta de campanha. Em segundo, no financiamento público virá um dinheiro x para que cada candidato dispute a eleição. Como é que vai ser esse controle? E se o sujeito pegar esse dinheiro e não fizer a campanha? Quem é que vai controlar? Já imaginou quantos candidatos iriam apenas querer embolsar o recurso? O poder ficará concentrado nas mãos de quem é próximo das executivas dos partidos, porque são eles que definem quem pode ou não ser candidato. Não quero isso nas mãos dos partidos. 
 
O senhor tem dito que quer ser deputado federal para gritar por Franca. Seu adversário e deputado federal em exercício, o Dr Ubiali, já disse que ‘em Brasília não adianta gritar e incomodar’. Como o senhor vê essas afirmações do seu adversário?
O Dr. Ubiali está cansado, a gente tem visto isso. Quem acompanhou o debate na Acif viu ele dizer que não pode fazer nada. Essa é uma diferença substantiva entre mim e o Dr. Ubiali. Ele acredita que o sistema não pode ser mudado, não dá para fazer nada e é isso aí mesmo. Eu acredito que dá para mudar, que dá para trabalhar, que dá para botar Franca no mapa, acredito que é uma opção do deputado federal decidir para onde ele envia as emendas parlamentares. No meu caso, elas virão para Franca e para as cidades na região. 
 
Uma de suas principais bandeiras de campanha é a redução da maioridade penal. Um dos argumentos dos que são contra é que a redução não contribui para a redução da criminalidade e aumenta a lotação das cadeias. O que o senhor responde a esses argumentos?
Que eles estão errados. Precisamos repreender, sim, o crime. A redução da maioridade penal é um dos problemas de segurança pública e violência que precisamos enfrentar. Não tem lógica você viver num país em que aos 16 anos, os meninos saem à noite, podem namorar, votar para presidente da República, mas não podem trabalhar nem responder por seus atos se eles matam, se estupram. A maior parte dos países do mundo tem punições muito mais severas que as brasileiras para menores de idade, e temos que fazer isso. Claro, não estamos punindo com cadeia um menino que bateu uma carteira. Estou me referindo a um assassino, estou falando de menino que mata, estupra... Esse sabe o que está fazendo e tem que responder pelos seus atos. Não em uma cadeia com assassino normal, maior de idade. Não defendo colocar todo mundo junto, não estou defendendo que o sistema piore o que já é péssimo. Defendo só que o sistema não pode aos 18, 21 anos no máximo, liberar esse garoto que cometeu crime, enquanto menor de idade e, só pela questão etária, dizer para ele ‘pode ir para a rua’. Não dá para aceitar que a partir desse instante ele tenha ficha limpa, como se não tivesse cometido crime nenhum na vida.
 
O senhor defende a privatização dos presídios no Brasil?
No gerenciamento dos presídios, não vejo nenhum problema. Não defendo a privatização da segurança pública; segurança pública tem que estar na mão do Estado, policiamento tem de estar na mão do Estado, mas o gerenciamento das cadeias, se for mais barato e render melhores condições para a sociedade, que seja feito. 
 
O Congresso Nacional começou uma discussão sobre a descriminalização da maconha. Se a votação fosse hoje, qual seria seu posicionamento?
Votaria contra. Acredito que a discussão é importante, acho que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trouxe o tema para a agenda brasileira e é um assunto que deve ser discutido, mas eu ainda não estou convencido de que nós temos condições estruturais no Brasil para lidar com um problema tão grande como seria permitir livremente o consumo de maconha.
 
O PV também é um dos defensores da legalização do aborto e da inclusão de aulas de educação sexual nas escolas. Qual sua opinião a respeito?
A inclusão dessas aulas já deveria ter sido feita há muito tempo. Quanto à questão do aborto, sou contra. Sou a favor de uma maneira de se diminuir o aborto no Brasil. O aborto é uma tragédia nacional. São 114 abortos por hora. A questão que o PV traz e que eu concordo em discutir é como nós vamos parar essa sangria. A discussão tem de ser feita, para que o Conselho Federal de Medicina possa explicar porque quer a regulamentação do aborto. Para que os grupos religiosos possam dizer porque são contra. Nós só não podemos é nos negarmos a discutir o assunto.
 
Durante os últimos meses como comentarista do programa A Hora da Verdade, da rádio Difusora, o senhor criticou duramente os problemas no trânsito e os motoristas que matam e fogem. Quais são suas propostas para essa área?
Leis mais severas, mais duras. O Brasil tem uma das leis mais severas contra o consumo de álcool ao volante no mundo, que é a lei seca. Aqui não pode nada, um bombom de licor e você está tecnicamente incapaz de dirigir. Pois bem, um país que tem essa lei, o Brasil, permite que um sujeito que atropelou e matou, e para quem a polícia fixou uma fiança de R$ 5 mil, o sujeito não paga a fiança e 15 dias depois ele está solto. Não é possível que nossa legislação seja tão furada, não é possível que alguém, completamente bêbado, que atropelou e matou, responda em liberdade. O que eu defendo, e eu tenho uma medida bem prática para isso, é que a gente adote, no caso do trânsito, o mesmo princípio que a gente adota no teste de paternidade. Quem sofre um processo de teste de paternidade não é obrigado a fazer o teste de DNA, mas se não fizer, o juiz presume a culpa dele. Vamos adotar isso no trânsito; você não é obrigado a fazer o teste de bafômetro, mas se não fizer presume-se que você estava bêbado. E outra coisa, a gente adotaria o mesmo princípio para o covarde. Você, covarde, que atropelou, matou e fugiu, saiba que você terá um inimigo feroz em mim. O sujeito atropela, mata e foge... É tão covarde que foge. Temos que criar um sistema onde também o sujeito que não socorreu a vítima de seu acidente de trânsito seja considerado culpado e vá responder atrás das grades. Tem direito à defesa? Tem, mas encarcerado, preso. 
 
Qual sua opinião sobre a criminalização da homofobia? E o que acha de uma lei que favoreça os casais gays na adoção de crianças?
É inadmissível qualquer pessoa ser agredida por qualquer razão, muito menos por sua orientação sexual. É um absurdo que um gay seja agredido por ser gay. Isso é crime e a pessoa que fez isso deve ser presa. (Mas) sou contra uma nova lei, porque temos que parar com a sandice no Brasil de achar que a criação de lei é a solução para tudo. Precisamos entender que já existem leis que tornam crime qualquer tipo de violência, contra qualquer pessoa, por qualquer tipo de preconceito, inclusive sexual. Umas das minhas bandeiras é reduzir o número de leis no Brasil. A questão da adoção, não vejo nenhum problema de que casais gays adotem crianças, pelo contrário, tem que haver até estímulo; não pode deixar é criança no orfanato, entregue à própria sorte. As crianças precisam de um lar e aí, gay ou hétero, o que importa é que seja um lar estruturado, decente, onde as crianças sejam criadas em um ambiente de amor, afeto e proteção. Isso é o que importa. Só que, de novo, a lei já contempla isso.
 
Em maio de 2008 o senhor escreveu uma Gazetilha declarando voto na vereadora Graciela, que tentava a reeleição. O senhor disse que ela era um poderoso Viagra, antídoto para a falta de vigor da Câmara Municipal. Hoje ela é sua concorrente na disputa de uma vaga na Câmara Federal em Brasília. Os eleitores devem seguir a recomendação que o senhor fez em 2008?
Para vereadora? Claro, ela tem meu voto para vereadora.
 
Para deputada?
Para deputado eu sou candidato e acho que estou mais bem preparado para enfrentar o Congresso Nacional do que a delegada Graciela, com todo o respeito que ela merece. Primeiro, porque eu tenho convicção do que eu quero ser. Nesse texto (Gazetilha), de que eu não me arrependo e não retiro uma vírgula, disse que ela é decente, honesta e era um Viagra político. Votei e não me arrependo de ter votado nela para vereadora. Só que desde então a Graciela disputou uma eleição para deputada federal, uma outra eleição de prefeito e uma eleição de deputada. A gente não sabe direito o que ela quer. Ela quer ser deputada ou ela quer ser prefeita? É essa falta de convicção que me impede de dizer que na hipótese de eu não ser candidato, se eu votaria nela ou não. Nesse instante, estou convicto de que a melhor opção para Franca e região é 4355, um deputado que vai orgulhar você. Vote Corrêa Neves Júnior.
 
(pergunta da internauta Maria) O fato do senhor ter chamado o prefeito de derrotado, incompetente e irresponsável não pode prejudicar Franca caso o senhor seja eleito?
Ele é o pior prefeito da história de Franca, o símbolo da incompetência. Alexandre Ferreira deve ao Sidnei Rocha tudo o que ele é. Seria um burocrata de nona categoria se não fosse o Sidnei Rocha. Três meses depois de ser eleito ele citava o Sidnei Rocha como ‘prefeito anterior’. Ele não chamava o prefeito nem pelo nome. Ele tinha um líder na câmara de vereadores chamado Adérmis Marini... Ele traiu o Adérmis Marini, que foi forçado a renunciar ao cargo. Era amigo dele, disputa uma vaga de deputado agora, e não tem uma placa de Alexandre Ferreira apoiando o Adérmis... O deputado Marcos Aurélio Ubiali disputou a eleição. No segundo turno, subiu no palanque do Alexandre Ferreira pedindo votos para ele. Foi abandonado à própria sorte. O deputado Engler não tem uma imagem do prefeito, que é do mesmo partido que ele, em seus cavaletes. Você ser amigo ou adversário de Alexandre Ferreira dá na mesma, ele não faz distinção nenhuma, não. O Alexandre Ferreira é estranho. A mim cabe defender os interesses de Franca. Vou lutar por Franca. O que interessa é que o berçário Dona Nina não recebe verbas federais, é que o Lar Dona Leonor não recebe verbas federais, é que o lar de Ofélia não recebe verbas federais, é que o último dinheiro que o único deputado de Franca mandou para a Santa Casa de Franca foi em 2009. Isso é que precisa mudar e isso não depende de prefeito. As grandes questões que eu pretendo discutir não dependem de prefeito, e de resto eu espero que ele, Alexandre Ferreira, entenda que a minha luta é para o bem de Franca. Acredito que, por mais que ele tenha dificuldades de gestão, ele não vá rejeitar o dinheiro que vou conseguir em Brasília para Franca.
 
(pergunta da internauta Magna) Qual a sua opinião sobre a pena de morte?
Não é praticável no Brasil de hoje. Cheguei a essa conclusão após muitos anos de reflexão sobre o assunto. Nós não teríamos a menor condição de adotar a pena de morte no Brasil hoje em dia. Por isso eu defendo a prisão perpétua para crimes graves. O mais importante é discutir essa ideia e deixar claro que o Brasil não pode continuar a ser um país onde as pessoas matam alguém, são condenadas a doze anos de prisão e saem após quatro ou cinco anos. A gente não pode continuar mais em um país que permite que estuprador fique em liberdade. É por isso que eu defendo a prisão perpétua. Para que tais criminosos fiquem efetivamente presos, e, para mim, se subisse para 50 anos de prisão, por exemplo, já seria o equivalente a prisão perpétua, já estaria de bom tamanho. Desde que, claro, ficassem encarcerados.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários