O jornal Comércio da Franca trouxe na semana passada uma completa cobertura da morte e do emocionante velório e sepultamento de Frei Berardo Paolino, aos 101 anos. Estive presente ao velório, e quero também comentar alguma coisa da lição de humildade e grandeza de alma que ele nos deixou, como um autêntico franciscano. Da mesma ordem religiosa que ele, o Papa Francisco, desde que assumiu, tem impressionado pelo despojamento às coisas materiais, orientando sempre no sentido da igreja atuar com simplicidade, sempre ao lado dos pobres e humildes. Frei Berardo já fazia isso há muito tempo, sempre naquele simples e surrado hábito marrom, demonstrando uma fé invejável, e incansável trabalho na formação de outros jovens frades, que ele chamava carinhosamente de Bambinos. Quando entrei na igreja de São Judas não enxerguei o caixão. Perguntei a um senhor do meu lado e ele indicou: “Está lá na frente”. Continuei não vendo, porque eu procurava um caixão, em cima de uma mesa, cercado de flores e velas. Não havia nada disso. O corpo estava no chão e só foi colocado no mais simples caixão, por questão prática na hora de carregar. Aquela cena nos leva a refletir que nada do que imaginamos possuir na terra tem importância, mas apenas o que plantamos e fazemos de bem. Isto sim vai nos acompanhar na última viagem que um dia cada um terá que fazer a um outro plano. Quanto ao frei Berardo, podemos ter certeza que foi recebido com festa no céu, o lugar de pessoas que viveram uma vida santa. E com a simples roupa do corpo.
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