Já é viável?


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O ex-presidente Lula cometeu um erro gravíssimo em seu governo não investindo em energias alternativas. Colocou nas mãos da Petrobras. Mãos sujas de óleo fóssil e de corrupção. Petroleiras são inimigas dos alternativos, mas Lula não sabia (pensa que é só da corrupção que ele não sabia?). O biodiesel estacionou e o álcool brasileiro afundou. Fomos ultrapassados pelo álcool de milho dos Estados Unidos. Por outro lado, o gás de xisto vai matar de vez a Petrobras e seu pré-sal da Ilha da Fantasia. 
 
Porém, algumas noticias do mundo civilizado são animadoras. Vi que 99% do lixo da Suécia é reciclado ou reutilizado. Tudo isso é possível porque a Suécia adotou um sistema de gestão de resíduos que classifica como o lixo pode ser manipulado. Eles encorajam as pessoas a gerar o mínimo de resíduos. Separa-se o que pode ser reciclado ou reutilizado. Depois, incinera-se. O que sobra vai para aterros sanitários. 
 
O mais interessante é que a incineração transforma os resíduos em energia. Por ano, dois milhões de toneladas de lixo são convertidos em energia que proporciona aquecimento para um milhão de famílias. Três toneladas de lixo produzem tanta energia quanto uma tonelada de petróleo. 
 
Outro exemplo está na Alemanha, que vem promovendo uma transição energética para o renovável desde que aconteceu a crise do petróleo. Com o desastre nuclear de 1986, o mundo ficou chocado. Exceto a Alemanha, que provou que os mitos pregados por vendedores de combustíveis fósseis são falsos. Desde 1991, o PIB (Produto Interno Bruto) alemão aumentou 28%, enquanto o índice alemão de GEE (gases de efeito estufa) caiu 22%. 
 
Estima-se que aí os painéis solares não ligados à rede podem responder por 18% da demanda de eletricidade, o que vai baixar a necessidade de eletricidade de outras fontes em até 10% do previsto para 2020. O preço da energia também deve cair significativamente. Em 2002, as energias renováveis representavam apenas 3,8% da energia gerada, já no primeiro semestre de 2012 atingia 26%. Um gigantesco salto já que era 20,5% em 2011. Exemplos para o Brasil, mas será que os políticos encampam? 
 
Mario Eugenio Saturno
Tecnologista do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais)

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