Uma leitora nos pergunta se o Espiritismo pratica ou admite a prática da terapia de vivências passadas. A nossa resposta não atende ao interesse de muitos dos aficionados da investigação de nossas memórias, porque implica considerar graves inconvenientes, conquanto reconheça a possibilidade natural de acessarmos o nosso psiquismo retroativo.
Tudo o que vivenciamos nas experiências realizadas acha-se naturalmente registrado na consciência, e considerável número de autores célebres o confirmam. Citamos o engenheiro francês Albert De Rocha, os brasileiros, doutores Hernani Guimarães Andrade e Maria Júlia de Moraes Prieto Peres, médica, o americano Dr. Brian Weiss, psicólogo clínico, e muitas outras ilustres credenciais com sérios trabalhos apresentados.
A Doutrina Espírita não recomenda a terapêutica e não a pratica nas Casas Espíritas, admitindo-a, contudo, nos casos em que ela se apresente como recurso extremamente seguro e necessário, e aplicada apenas por profissionais de determinadas especialidades da área da saúde. Ressalte-se, com efeito, que não é ao paciente que cabe escolher a terapia, ainda que tenha conhecimento dos meandros do processo, mas ao terapeuta.
É forçoso considerarmos que o esquecimento do passado é uma bênção da Misericórdia Divina destinada a nos proteger contra reações sentimentais impossibilitadoras da tão necessária reconciliação entre desafetos do passado, muitos dos quais familiares com contas a ajustar, sem o que não libertariam a própria consciência das dívidas que lhes exigem resgatadas.
As sábias e justas Leis Divinas nos requerem esqueçamos o passado e utilizemos o presente como base de lançamentos para sublimadas realizações com vistas à evolução. O véu lançado sobre vidas transatas é, portanto, abençoado recurso a promover-nos o amor entre familiares e projetá-lo na sociedade.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Idefran (Instituto de Divulgação Espírita de Franca)
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