A crise da água, causada por uma estiagem prolongada que tem reduzido a captação dos mananciais que abastecem os municípios do Estado de São Paulo, acende a luz amarela para a finitude de um dos elementos essenciais à vida em nossa planeta. Mesmo diante da falta de água na maioria dos bairros de Franca, um vídeo postado ontem no Portal GCN causou uma enxurrada de críticas. Nele, uma consumidora placidamente sentada em uma cadeira, na calçada de sua casa, usa uma mangueira para molhar a rua e até os pássaros que se aproximavam. E o que é pior: trata-se de residente em um dos bairros onde o abastecimento tem sido cortado em certas horas do dia. Um desperdício que não pode ser admitido nestes dias secos e quentes que estamos atravessando.
Muito já se falou da necessidade de economizar água, uma vez que nossas reservas podem se esgotar em algumas décadas e ainda não há qualquer iniciativa, pelo menos no Brasil, capaz de legar às gerações futuras pelo menos uma garantia de abastecimento. Embora seja clichê, nunca é demais repetir que sem água não há vida — animal ou vegetal. Por isso, se nada for feito agora, haverá reflexos futuros, principalmente inviabilizando a existência na Terra.
Cada consumidor deverá assumir a responsabilidade pelo futuro do planeta. Investimentos precisam ser feitos também pelas concessionárias do serviço, como a Sabesp em Franca, buscando a modernização da rede de distribuição, pela qual milhões e milhões de litros de água são desperdiçados diariamente, como o Comércio já apontou em reportagem recente. A sustentabilidade, que tem entrado na agenda global de discussão, nunca foi tão importante quanto agora.
Já passou da época em que donas de casa diariamente molhavam calçadas e ruas, com a torneira aberta, perdendo-se milhares de litros de água a cada dia. Vinte anos atrás, não existia a consciência de que podemos ficar sem água. Campanhas foram feitas, por governos e empresas, sobre a necessidade de economizar. Banhos mais rápidos, uso consciente do recurso e iniciativas que possam reduzir o consumo são primordiais para que a água não volte a faltar.
É necessário que o próprio governo, quando da construção de moradias populares, inclua equipamentos capazes de torná-las sustentáveis, com a captação de água da chuva e reaproveitamento do líquido usado na lavagem de roupas. O custo não é tão alto como se pensa e será importante para racionalizar o consumo. Hoje é possível usar água do banho e da lavagem de roupas na descarga do banheiro, o que permite uma grande economia no final do mês. Além disso, a água da chuva pode ser usada para tarefas como regar plantas, lavar áreas externas e também na descarga do banheiro. Abandonar a mangueira em diversas tarefas, inclusive para lavar carros, também é possível. Neste último caso, basta um balde. Levada a sério, a sustentabilidade poderá causar uma nova perspectiva de futuro, não apenas quanto à água, mas também aos demais recursos finitos que são importantes para a manutenção da nossa vida.
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