Água! E é grave!


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Funcionária da igreja adventista da esquina da General Osório e Monsenhor Rosa, aguava as plantas da frente do templo com canequinha, às 8h40 da manhã do dia 17! Cidadã antenada, bem informada, praticando gesto cidadão, exemplar, digno de ser repetido, multiplicado aos milhares, milhões. Cumprimento-a. Os restantes de nós são só rotinas, e más rotinas. De manhã, ao escovar os dentes, deixamos a torneira aberta! Poderíamos fechar. No banho não percebemos a quantidade de água que, literalmente, jogamos ao ralo. 
 
Gilson Santos de Mendonça, superintendente da Sabesp, disse esta semana que a ONU recomenda, como adequado, 110 litros d’água para cada ser humano por dia. Aqui em Franca, usamos 170 litros por dia(!) e fazemos sem perceber. Gilson disse que se cada um de nós economizasse — e, aí, é questão de estar consciente — 20 dos 170 litros que usamos ao dia, teríamos, ao final de cada dia, 6 milhões de litros(!!!) para garantir que todos nós — leia de novo: eu disse ‘todos nós’ — não sofrêssemos tanto sem água!
 
A gente se acostumou a ter água direto da torneira. Aí, não há sofrimento. O ser humano precisa sofrer, para aprender. Ninguém se lembra como é que é sem essa água simples e fácil. Estamos mal acostumados! Daqui em diante, mesmo com novos sistemas de captação, não vai adiantar pedir ao Papa que interceda por chuva como era antes. O planeta se cansou de nossas rotinas, e está cobrando a conta. Neste ‘planeta água’ — 75% da superfície são cobertas de água —, a água doce não representa mais do que 3%! Todos os oceanos não servem para abastecer a sede das pessoas! Para usar a água do mar tem que tratar, e é absurdamente caro. Então, você que lava a calçada todo dia, que banha o carro todo dia, que toma banhos ultra-demorados, que põe a água para escorrer e molhar seu gramadinho, alto lá!!! 
 
Precisamos deixar de achar que água potável ‘nasce’ na torneira. E não me venham os abonados dizer que ‘pagam pela água que usam, usam o quanto quiserem, e ninguém tem nada com isso’. Tanto vocês quanto os que não têm dinheiro estão sujeitos ao mesmo planeta, à mesma quantidade de água disponível ao uso humano! Quando acabar, lhes restará ‘beber’ o dinheiro!  
 
Tem mais. Não adianta empresas sérias e competentes, como a Sabesp, fazerem seu trabalho, se cidades sem hidrometria continuarem oferecendo água à torto e a direito ao povo, cobrando ninharia por mês. Lembro-me de cidades aqui da região de Franca onde as prefeituras não utilizavam aparelhos de medição do consumo - hidrômetros — e, ao final do mês, mandavam um conta de R$ 7 a cada morador! Pelo esse mesmo preço, o dono de posto de gasolina do Centro oferecia lavagem de carro a todos os clientes; um cortador de cana, dono de pequena horta no terreno inclinado de sua casa irrigada o dia todo por água que transbordasse de um barril acima do qual ele, todo dia, abria a torneira e deixava a água correr!; e d. Maria, viúva, idosa, lavava suas poucas peças de roupa, fazia a comida e tomada um banho diário. Não, meu caro. Deixe de burrice. Não é o dinheiro! É falta de consciência, de informação, de achar que se todo mundo faz porque eu não faria? 
 
Temos que nos dar um chacoalhão, e dolorido! Temos que deixar de ser hipócritas! Temos que respeitar os bens naturais que este planeta nos dá. Temos que deixar de ser gafanhotos que, por onde passam, dizimam tudo! Da mesma forma que temos também que deixar de colocar fogo naquele matinho seco que está ali ‘chamando por um foguinho’. É preciso água para apagar incêndios, idiota!
 
Perguntar não machuca: A Sabesp de Franca é reconhecida como uma das mais capacitadas empresas de saneamento do mundo. Tem competência para ‘olhar’ o futuro e prever crises, e já fez isso antes. Desta vez, falhou. A cidade está sem água. Políticos ‘enquadraram’ os técnicos? Temos outra Petrobrás?
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br
 

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