Ainda estamos longe do ideal


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Ao contrário do que nos tentam fazer crer as autoridades ligadas ao governo federal, uma conquista da sociedade brasileira nos últimos vinte anos, a redução da pobreza, começa a regredir. A estabilidade econômica que o País registrou nestas duas décadas (além dos investimentos em saúde e educação durante o período) foi a grande responsável pelos números expressivos registrados. Porém, nos últimos três anos os índices não registraram qualquer melhora, conforme os dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar) divulgados ontem pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
 
Os números da redução da pobreza, que teve pequena oscilação, ainda não permitem dizer que o quadro está sendo alterado. Mas deixam ver claramente que os efeitos da desaceleração econômica já fazem com que a barreira entre ricos e pobres pare de ceder. O baixo crescimento da economia se reflete na menor oferta de trabalho e afeta diretamente a distribuição de renda. Em consequência, a maioria dos índices apresenta retração.
 
Além disso, a Pnad ainda constatou que, embora a educação tenha avançado, o ritmo lento ainda mantém um alto índice de analfabetismo e baixa escolaridade. Conforme a amostragem, 8,3% dos brasileiros acima de 15 anos são considerados analfabetos. Ou seja, o Brasil tem um contingente superior a 13 milhões de pessoas nessa situação. Quando se sabe que a meta do PNE (Plano Nacional de Educação) era erradicar o analfabetismo até 2010 (meta adiada para 2020), vê-se claramente que faltam políticas públicas realistas, as quais contemplem este grande contingente que não sabe ler e escrever. O estudo classifica como alfabetizadas as pessoas capazes de ler e escrever pelo menos um bilhete simples.
 
A situação fica pior quando se consideram os analfabetos funcionais (pessoas de 15 anos ou mais de idade com menos de quatro anos de estudo). A Pnad de 2013 mostra queda de meio ponto percentual na comparação entre 2012 e 2013. Neste ano, a taxa chegou a 17,8% — são nada menos do que 27,9 milhões de pessoas que, embora saibam ler, não compreendem a mensagem do texto em questão. A comparação entre as Pnads de 2012 e 2013 revela ainda migração de estudantes a partir dos 4 anos de idade das redes públicas para as particulares.
 
O volume de informações da Pnad é grande. E os dados serão usados ao sabor dos interesses dos vários candidatos, da situação e da posição. O que falta, atualmente, é que algum deles apresente propostas claras. Nestes dias em que vivemos, onde metade da população brasileira conta com Internet e até crianças pequenas usam gadgets que causam verdadeiras dores-de-cabeça nos pais, não se pode admitir que perto de 30 milhões de brasileiros acima de 15 anos não estejam devidamente alfabetizados. A educação precisa ser prioridade dos eleitos em outubro próximo. A partir daí, os rumos em outros setores também podem ser corrigidos, consolidando uma economia forte, que priorize salários e empregos.
 
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