A barragem construída pela Sabesp de Franca no início da semana na junção dos rios Canoas e Pouso Alegre já é alvo de polêmica. Ontem, a Prefeitura de Claraval (MG) começou a tomar providências contra a obra feita pela companhia para evitar o desabastecimento em Franca. De acordo com o prefeito da cidade mineira, Juliano Diogo Pereira (PSD), o Ministério Público já foi comunicado sobre a ilegalidade da barragem e uma reunião está prevista para a manhã de hoje (19) onde se definirão quais as próximas atitudes a serem tomadas.
A barragem garante mais 50 litros por segundo na captação de Franca, mas por outro lado prejudica, principalmente, o setor agropecuário de Claraval. “Com sacos de areia e lona, a Sabesp trancou o curso do rio e assim estão captando o que conseguem de água. Agora eles estão construindo outra barragem, começaram hoje (ontem), para captar a água que passa pela primeira. Não compromete o abastecimento de Claraval porque não pegamos água do mesmo rio, mas a questão é ambiental e outros usos agropecuários que têm abaixo da barragem”, disse o chefe do executivo de Claraval.
No início da noite de ontem, Pereira se encontrou com representantes da Sabesp no local onde a obra emergencial foi feita. Segundo o prefeito, foi confirmada a ausência da documentação necessária para realizar a medida.
“Eles estão falando da necessidade que Franca tem desta captação, mas por outro lado estamos alegando a questão que não se pode interromper 100% o curso da água. Eles disseram também que não têm mesmo a documentação. Cometeram um equívoco e estão providenciando, mas na verdade sabemos que não conseguirão por meios legais”, comentou.
Uma reunião está prevista para hoje, a partir das 9 horas, na Câmara Municipal de Claraval. O encontro deve reunir autoridades mineiras e paulistas com o objetivo de encontrar uma solução para o problema. “Comunicamos o Ministério Público sobre o fato do crime ambiental da intervenção no rio para que ele nos ajude a tomar as medidas necessárias, mas formalmente não foi feito nada ainda. Estamos querendo achar uma forma de equacionar este problema para não deixar Franca sem água e também não prejudicar Claraval”, argumentou.
O Comércio tentou contato durante todo o dia com o gerente distrital da Sabesp de Franca, Rui Engrácia, para comentar o assunto, mas ele não foi localizado em seus telefones privados, na sede da companhia e também não retornou aos diversos contatos feitos. No início da manhã de ontem, ele falou sobre a captação da barragem durante sua participação no Show da Manhã, da rádio Difusora, em entrevista ao apresentador Valdes Rodrigues. “Estamos vivendo um problema crítico na questão do consumo. Apesar de ter o Canoas baixando sua vazão, nós conseguimos com uma captação auxiliar (a barragem) reverter mais 50 litros por segundo na última quarta-feira. Estávamos operando com uma média de 710 litros por segundo no Canoas e na quarta-feira aumentamos isto para 760, o que dá para tocar as três bombas quase que 100% do tempo”, contou Engrácia.
Falta de água
Do último domingo (14) até anteontem, mais de 20 bairros já foram afetados pela falta de água em Franca. Só na quarta, 90 mil pessoas ficaram sem água na cidade, segundo a Sabesp. Ontem, cerca de 53 mil francanos e moradores da região tornaram a ficar com as torneiras secas após um caminhão se chocar com um poste de energia (leia abaixo). Isso interrompeu o funcionamento das bombas e consequentemente o fornecimento de água dos poços artesianos de Restinga.
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