À maioria dos bons


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Li Infinito talento, do articulista Luciano Pires. No texto, o famoso discurso de 1914 de Ruy Barbosa — ‘de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar das virtudes,a rir-se da honra,a vergonha de ser honesto’. 
 
Passou um século e nós ainda nos encaixamos no contexto. Aliás, pioramos. Vivo estivesse, Ruy diria que nós, a maioria dos bons, desenvolvemos a incrível habilidade de dar espaço e vida ao maus. O que fizemos para mudar  frente ao discurso de Ruy? Nada. Os maus sabem que continuamos a facilitar a ampliação do espaço deles e, então, esbaldam-se em criarem pseudo- avanços de combate ao mal, na aplicação da justiça. Em nossa ingenuidade, os aplaudimos! 
 
Estamos sempre atentos ao que os maus dizem ser bom para a Pátria e, pior, os incentivamos pagando impostos e taxas, praticando obrigações humanitárias, criando ongs, nos voluntariando em creches, asilos, hospitais em ajuda aos mais necessitados, funções dos governos mas que nos acostumamos  em fazer por eles. 
 
Colhi uma frase - ‘nada muda. Só o que tiver que mudar’ – de personagem de filme político. É a constatação moderna à crítica centenária de Ruy. Os bons, de absoluta maioria, deveriam fazer o que lhes cabe de verdade,  e colocar fim à mentira deslavada, à hipocrisia abundante da inversão da honra, ética, justiça e honestidade bases da família, célula básica da sociedade. 
 
Temos que ter coragem de nos organizar e ser solidários em atitudes e comportamentos, exigindo o desaparelhamento dos governos federal, estadual e municipal que os maus construíram para seu próprio benefício. Só assim desenvolveremos às palavras, seu real sentido: ‘nada muda (princípios e valores). Só que tiver que mudar (nós, o povo brasileiros, os bons brasileiros).
 
Cláudio Antônio Borges
Administrador de empresa, presidente da Associação Sabesp de Franca 

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