Quando a atriz Regina Duarte apareceu na propaganda eleitoral de José Serra (PSDB), doze anos atrás, dizendo ter medo do que aconteceria ao Brasil caso o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fosse eleito, o partido que acabaria conseguindo colocar o ex-metalúrgico na presidência da República estrilou. E não só ele, mas os demais adversários do tucano e grande parte dos analistas políticos também mostraram a total inutilidade e apelação deste estratagema. Pois agora, justamente em mais uma eleição presidencial, a equipe de campanha do Partido dos Trabalhadores começa a usar a “tática do medo” à exaustão, tentando “desconstruir’ a imagem de Marina Silva (PSB), que vem ameaçando a reeleição da atual presidente.
Trata-se de uma tentativa desesperada e, acima de tudo, desleal, principalmente quando usa de mentiras para atacar a adversária. Para quem já disse que ‘em eleição é permitido fazer o diabo’, como o fez Dilma Rousseff, não é de se estranhar que faça tudo para não largar do osso. Usar um espaço como a propaganda eleitoral gratuita para espalhar informações atravessadas, algo que sua adversária nunca fez, é de uma baixaria revoltante. E o pior é que, conforme se percebe pelas últimas pesquisas de intenção de voto, a “tática do medo” vem funcionando, estabilizando Dilma Rousseff em primeiro lugar, com Marina deixando de crescer e até perdendo eleitores.
Ainda antes da campanha eleitoral o PT havia utilizado uma propaganda na TV dizendo que somente a presidente Dilma Rousseff poderia manter o crescimento do País. Só que não contava com as reações que lembravam a utilização do mesmo recurso contra o próprio partido. O anúncio sumiu das TVs e das redes sociais. Só que os marqueteiros da presidente-candidata não contavam com deterioração dos índices da economia e a queda da popularidade da presidente na esteira das manifestações de junho do ano passado. A morte de Eduardo Campos, catapultando Marina à cabeça de chapa foi capaz de mudar todo o quadro que se desenhava até então.
Dilma liderava com certa tranquilidade as pesquisas de intenção de voto, seguida muito de longe pelo senador Aécio Neves (PSDB). Pelo andar da carruagem, poderia levar até no primeiro turno. Mas os índices econômicos, a morte de Eduardo Campos e as novas notícias sobre a Petrobras mudaram tudo. E agora Dilma Rousseff se vê obrigada a usar todas as armas, mesmo as menos recomendadas, como se está fazendo agora. A “tática do medo” torna-se, hoje, um verdadeiro desserviço à nossa democracia. Trata-se de uma arma usada por quem não tem como apresentar propostas ou resultados. Dilma não precisa disso e o Brasil muito menos. ‘Fazer o diabo’ pela reeleição não pode ser considerado uma estratégia de campanha. É um recurso dos desesperados, que se aferram ao poder com unhas e dentes, não se importando em mentir, trapacear ou enganar o eleitor. Quem assim age pode fazer muito pior e não merece o voto daqueles que sonham com um país menos corrupto, mais honesto e mais justo.
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