Já são mais de 20 bairros afetados pela falta de água em Franca desde o último domingo, dia 14. Com a redução nos rios Canoas e Pouso Alegre que em julho chegaram a captar 1.606 litros por segundo e hoje estão com cerca de 910 causada pela seca deste ano, a população teve que se deparar com as torneiras e chuveiros sem água. As áreas mais afetadas são bairros da região central e próximos da avenida Presidente Vargas, além de outros da zona norte da cidade. Apesar das evidências, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) ainda não admite rodízio ou racionamento. A última chuva foi leve e aconteceu no dia 3 de setembro.
As constantes interrupções do serviço, sem aviso prévio, geraram insatisfação de quem não possui caixa d’água e precisa do fornecimento diário para consumo, banho e lavagem de roupas ou utensílios domésticos. As altas temperaturas - ontem a máxima ficou em 32,8º - somado à falta de chuvas na região, causou diminuição dos níveis dos rios e a consequente falta de água em diversos bairros (Veja quadro nesta página).
Segundo o meteorologista do Inmet, Franco Villela, os francanos podem se preocupar pois não virá chuva para encher os reservatórios nos próximos dias. “A umidade do ar em Franca registra 24% e isso significa clima muito seco. No sábado há possibilidade de chuva, mas mesmo se vier será amena e de curta duração”, afirmou.
Dia a dia, o problema se espalha pela cidade. De acordo com a doméstica Adélia Alberto Martins, 40, moradora do Jd Luíza I, a água cessou em sua residência localizada na zona norte da cidade no domingo e só retornou ontem. “Não nos avisaram, então nos pegaram de surpresa e quando volta a água é só por pouco tempo e não dá para nada”, contou.
Também moradora da zona norte, no bairro Tropical II, a aposentada Zenilda Luíza Scalabrini, 65, reclama dos constantes cortes. “Na minha rua, desde segunda-feira, falta pela manhã e só volta à noite”, afirmou.
O estudante Gustavo Botelho de Andrade, 21, morador da Cidade Nova, e a empresária Iraci Procópio Bortolato Pereira, 32, que possui uma loja no mesmo bairro, ficaram sem água ontem. “Aqui em casa fomos pegos de surpresa. Já estávamos ouvindo boatos de racionamento, mas hoje (ontem) acabaram cortando a água. Se pelo menos tivessem avisado a gente se preparava”, lamentou Botelho.
Procurado pela reportagem, o dirigente distrital da Sabesp Rui Engrácia não foi localizado em seus telefones privados e não retornou contato mesmo quando sua secretária informou que ele estava em uma entrevista para a TV e que retornaria. Em entrevista ao Comércio da Franca na segunda-feira, Engrácia afirmou que a situação não era de racionamento ou revezamento na distribuição da água. “Por enquanto, a captação tem atendido a demanda. O que aconteceu nos arredores do Santa Cruz é que o alto consumo secou os reservatórios da região. A falta de água aconteceu durante o tempo em que esses reservatórios demoram para se reabastecer. Já no Leporace, tivemos ar na rede, mas uma equipe foi enviada para fazer a sangria e normalizar a situação”, explicou Engrácia quando questionado sobre alguns bairros que já mostravam ter o problema da falta de água. Engracia atribui o problema ao consumo excessivo e pede economia à população.
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