Depois de cair dentro de um ônibus de transporte coletivo, Maria Aparecida Ramos Sienna está há 13 dias acamada. Com 74 anos, ela fraturou o cóccix após a queda em um ônibus da empresa São José no dia 4 de setembro, na Vila Tótoli. Com dores, ela tem dificuldades para se locomover, depende de ajuda para tomar banho e fazer tarefas diárias. A expectativa dos médicos é que fique um mês de repouso total. “Antes de eu passar a roleta e sentar ele (motorista) ‘tocou’ o ônibus. Eu estava no NGA pegando uma autorização para fazer uma cirurgia de vesícula e indo para a secretaria da saúde”, afirmou a idosa ontem à reportagem.
Após entrar em movimento, o ônibus colidiu com um carro que passava pela avenida Doutor Carrão. Maria Aparecida caiu com o impacto da freada nos degraus do ônibus. “Eu gritava ‘meu Deus, me acode que eu quebrei a coluna’”, conta. De acordo com o sapateiro Donizeti Aparecido Sienna, 56, filho da vítima, o motorista levantou a idosa e a colocou em um banco. “Dependendo de como a pessoa machuca a coluna você não pode mexer nela. O pior foi o comportamento do motorista”, disse o sapateiro. De acordo com ele, o motorista não chamou o Resgate, apenas se preocupou em comunicar o caso ao fiscal da empresa. Após cerca de 10 minutos, Maria Aparecida conseguiu telefonar para seu filho pedindo socorro. Donizeti Sienna compareceu ao local e acionou o Samu. O atendimento se deu meia hora depois da queda. “O motorista não chamou socorro, pois ele disse que a norma da firma era ligar para o fiscal da empresa antes de comunicar o Resgate. Depois o fiscal contradisse a afirmação do motorista”, explicou Donizeti. Desde o acidente, o sapateiro busca esclarecimentos sobre o procedimento do motorista. “O que eu fiquei mais ‘mordido’ foi que a empresa não entrou em contato comigo para esclarecer essa norma que o motorista falou”.
Por meio da assessoria de imprensa, a empresa São José informou que “o procedimento padrão é que o Resgate seja chamado primeiro em caso de acidentes com vítimas”. No dia do acidente, Donizeti Sienna registrou um boletim de ocorrência de lesão corporal culposa. O caso está na Delegacia de Defesa da Mulher e aguarda que a vítima compareça para representar os fatos.
De acordo com o delegado Alan Bazalha Lopes, a vítima tem seis meses para procurar a delegacia ou solicitar que a investigação vá até sua residência. A continuação do caso depende exclusivamente desta manifestação.
Familiares revelaram que a empresa São José tem prestado assistência em relação à compra de medicamentos e prometeu arcar com a despesa de um cuidador durante a recuperação.
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