Em Franca existem 40 pontos de táxis fixos espalhados pela cidade. Isso totaliza 200 profissionais. Mas se um cliente surgir nos pontos mais afastados da região central e procurar um desses profissionais é provável que não encontre nenhum. Isso ocorre porque eles circulam nas áreas com mais movimento de pessoas em busca de clientes e “competem” com os outros colegas. Segundo a Prefeitura não há obrigatoriedade do taxista permanecer no ponto fixo a que ele foi destinado. O mesmo, no entanto, pode ser multado caso estacione próximo a pontos de outras pessoas.
A fuga dos locais mais isolados na busca por passageiros inflaciona a frota de táxis no Centro e deixa de oferecer o serviço em certos bairros. As pessoas que necessitam do serviço nestas áreas ficam sem alternativa e têm de acionar cooperativas através de um 0800. Muitas vezes este mesmo profissional está ligado a um ponto que fica abandonado e pode até ser um clandestino com seu carro particular.
O Comércio esteve em vários pontos de diferentes regiões da cidade. Em frente ao Hospital do Coração, uma taxista que não quis se identificar estava à espera de passageiros fora do seu ponto, localizado na São Judas. Ela portava também o rádio de uma cooperativa no aguardo de um chamado. A profissional informou que o dono do ponto não gosta da presença dela, mas a tolera. “Nos respeitamos. Caso ele esteja aqui e apareça uma corrida, a preferência é dele. Mas no caso de estar apenas eu, aí eu faço”, disse.
Para o taxista Juliano Moreira Rodrigues, 28, que trabalha em um ponto do Centro, o projeto que prevê mais 52 táxis, inicialmente, para a cidade só irá aumentar a concorrência na região central de Franca. “Não adianta colocar eles em pontos distantes, eles vão vir para cá, muitos já vêm, ficam rodando na nossa volta pegando passageiro e não podemos fazer nada”, argumenta.
A reportagem percorreu alguns bairros da cidade e verificou que na praça da rua Jaime de Aguiar Barbosa, no bairro Santa Rita, nenhum dos três táxis que deveriam estar lá foram encontrados. Nem mesmo a placa indicativa do serviço. O mesmo acontece no ponto onde deveriam existir dois táxis na rua Luiz Belchior, em frente à UBS (Unidade Básica de Saúde) do Parque do Horto. Funcionários da UBS afirmaram que nunca há táxi parado ali e quando um paciente precisa do serviço sempre acionam uma cooperativa, cujo profissional leva cerca de 10 minutos para chegar ao local.
Na avenida Adhemar Pereira de Barros, quase esquina com rua Vitória, existe um ponto que deveria abrigar quatro taxistas. Porém, apenas um deles é visto no local regularmente, segundo moradores. Já ao lado da Casa do Diabético, na rua Dr. Antônio de Pádua Faria, nenhum dos quatro táxis do ponto foram encontrados. De acordo com o gráfico, José Eurípedes de Oliveira Cubas, 36, que nos últimos cinco anos frequentemente leva sua mãe para se tratar até a Casa do Diabético, o ponto existe só no papel. “Nunca vi nenhum táxi aqui, tem que ligar em cooperativa, senão fica sem. Pra mim tinha que existir uma lei que obrigasse o taxista a permanecer no ponto pelo menos alguns momentos do dia e tinha que ter fiscalização para funcionar”, afirmou.
Segundo o secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli, cada taxista tem seu ponto determinado por decreto mas ele não é obrigado a ficar lá. “Caso aconteça (do taxista estacionar próximo a ponto de outra pessoa), a Guarda Civil pode ser acionada e multar a pessoa, inclusive com possibilidade de suspensão de alvará. Mas primeiro tem que identificar o que ele está fazendo ali, se está só esperando alguém ou parou para telefonar. Desta forma, ele não será autuado”, disse.
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