A tática do ‘eu não sabia’


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Desde quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva livrou-se de qualquer responsabilização no escândalo do mensalão, que levou para a cadeia alguns auxiliares diretos e companheiros de partido, além de integrantes da ampla (e promíscua) aliança formada em seu governo, tornou-se rotina parlamentares e administradores eleitos usarem um álibi só: “‘eu não sabia”. Ainda como ministra-chefe da Casa Civil do governo Lula, a atual presidente Dilma Rousseff (PT) deu a mesma resposta quando a sua pasta fazia um dossiê contra a ex-primeira- dama Ruth Cardoso. E agora volta à carga, diante da corrupção que vem roendo as finanças e a credibilidade da maior empresa estatal do País, a Petrobras.
 
Hoje, qualquer ente político que entra na mira de investigações dá a mesma resposta. Cria desculpas esfarrapadas e que não encontram qualquer suporte diante das provas apresentadas. Está sendo assim com a Petrobras, onde não só a presidente da República como senadores que foram surpreendidos com uma relação próxima dos principais assessores com o doleiro Alberto Youssef e o ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, se esquivam. Criou-se no Brasil a tática do “eu não sabia”, como se isso fosse garantia de inocência. 
 
O mais grave é que todos nós temos consciência de que há muito caroço escondido neste angu indigesto. Ninguém, em sã consciência, pode considerar que os chefes não tenham conhecimento do que seus auxiliares mais diretos fazem. A impunidade, que continua estimulando crimes contra a res pública, contra os cofres abastecidos pelo dinheiro dos contribuintes brasileiros, é a maior motivação destes políticos que não merecem um voto sequer. Mentir e dissimular transformou-se em uma grande estratégia eleitoral, o que coloca o Brasil na vanguarda da corrupção entre os grandes países do mundo.
 
Em todos os níveis, da presidente da República ao vereador de uma cidade pequena, os exemplos se sucedem, assim como a roubalheira que coloca a classe política brasileira como uma das mais desacreditadas em nosso planeta. Por causa da morosidade das investigações e da Justiça, da manipulação de provas e da esperteza de advogados que conhecem a fundo o nosso Código Penal e as brechas que permitem safar-se de punições, os crimes se perpetuam, minando qualquer esperança da população.
 
A confiança de todos só será restabelecida quando nossos representantes eleitos forem atingidos pela lei, como qualquer cidadão que cometa um crime. Não há mais condições de nos quedarmos numa imobilidade incompreensível, numa falta de indignação que prejudica o crescimento e o desenvolvimento do País. Ver dinheiro escoar pelo ralo da corrupção não é opção: cabe a todos nós exigirmos e lutarmos para que estas situações não se repitam. As autoridades precisam assumir as suas reponsabilidades, inclusive penais, para que realmente consigamos transformar o nosso Brasil em uma grande Nação, compatível com o seu tamanho e potencial desenvolvimento.
 
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