A falta de água durante toda a tarde e início da noite de ontem pegou alguns bairros da zona Sul de Franca de surpresa. Moradores dos Jardins Ângela Rosa, Piratininga, Vila Scarabucci e Santa Cruz - além do Paulistano - reclamaram da seca nas torneiras. “Percebi que não tinha água por voltas das 10 horas e até agora (14h30) ainda estou sem. Fiz o almoço e minha louça está toda na pia”, disse a dona de casa Sonia Menezes, da Vila Scarabucci. No mesmo bairro, a Escola Estadual Ângelo Scarabucci registrou o problema.
Os relatos ouvidos pela redação do Comércio foram muitos e mostraram que a situação foi comum a diversos francanos. Maria Moscardini, que possui um salão de beleza na av. Eliza Verzola Gosuen, no Jardim Ângela Rosa, disse que inúmeras clientes se queixaram da situação e tentam encontrar estratégias para preservar a água de seus reservatórios. “Durante a madrugada, ouvi de clientes que a família não dará descarga - a não ser em caso de muita necessidade - para que pela manhã se gaste apenas uma vez a água”, relatou. Também na avenida, trabalhos de uma construção tiveram de ser interrompidos pelo problema. “Tive que dispensar os pedreiros porque não tiveram como trabalhar. Não tinha água nem para a descarga. Até vasilhas do almoço ‘ficaram para trás’”, contou Odesio Martins de Freitas, um dos donos da serralheria em reforma.
A seca registrada no primeiro semestre de 2014 superou o histórico dos últimos sete anos. De janeiro a junho, Franca registrou apenas 494,9 milímetros de chuva. O volume representa menos da metade do registrado no mesmo período do ano passado, quando a precipitação foi de 1.078,3 milímetros, de acordo com dados do Ciiagro (Centro Integrado de Informações Agrometeorológicas) e da Defesa Civil do Estado de São Paulo.
O problema da seca agrava a situação das vazões dos rios Canoas e Pouso Alegre, já que de julho do primeiro semestre até aqui, Franca e região não registraram números significativos de chuva.
O gerente distrital da Sabesp, Rui Engrácia Garcia Caluz, foi procurado durante todo o dia para explicar oficialmente o motivo da falta de água. Mas até às 21h30, ele não foi encontrado. Recados foram deixados em seu gabinete e residência sem que no entanto houvesse retorno.
Em entrevista concedida em julho, Rui Engracia revelou que os rios operavam em estado de alerta, embora dentro dos padrões necessários para abastecer os municípios da região. “A capacidade do rio Canoas, responsável por 80% do nosso abastecimento, mesmo tendo contado com pouca chuva, se estabilizou entre 1.309 e 1.390 litros por segundo, dependendo da hora do dia. Isso significa que ele trabalha acima da captação necessária para o abastecimento da cidade, que é de 900 litros por segundo”, disse na época.
Também na ocasião, ele alertou que a situação exigia cuidados e que a falta de chuva poderia provocar a queda nos níveis dos rios. Se o Canoas chegasse - caso ainda não tenha acontecido - a uma vazão de 800 litros por segundo, a cidade passaria a sofrer racionamento. Para evitar a medida, ainda de acordo com a entrevista, dois poços perfurados em Restinga em 2011 passariam a garantir mais 80 litros por segundo, independentemente das condições climáticas.
De acordo com a agência climática Clima Tempo, a previsão é animadora, ou seja, hoje, a qualquer momento, uma pancada de chuva poderá cair sobre a região. Já as temperaturas deverão ficar entre 20ºC e 29ºC.
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