O que tem chamado a atenção nesta campanha eleitoral é que há muitos candidatos tentando capitalizar para si os anseios pela mudança na política brasileira, que ficaram claros durante as manifestações que sacudiram as ruas do País em junho de 2013. A corrupção galopante, a economia paralisada e serviços públicos de péssima qualidade moveram milhões de brasileiros que saíram às ruas para protestar. Foram eventos que assustaram os detentores de cargos eletivos, mas a maioria das reivindicações não foi sequer considerada ou atendida. As notícias de corrupção na Petrobras, envolvendo figuras já conhecidas no cenário político nacional, são a prova de que quase nada mudou de lá para cá.
Porém, há muitos oportunistas que concorrem a cargos eletivos no pleito do próximo mês que se apresentam como novidade, tentando angariar os votos de uma multidão inconformada com os rumos do País. Estes se dizem novidade, mas efetivamente nada apresentam: usam o mesmo discurso vazio da maioria, mantêm distância de seu eleitorado e não buscam conhecer os problemas e reivindicações da comunidade a que se propõem representar. Vão na onda e, certamente, não terão condição real de propor as mudanças que a população exige.
Ao lado destes, surgem os políticos tradicionais, que se dizem “profissionais”, mas que também nada fizeram em seus mandatos que se estendem por várias legislaturas. Estes políticos somem por quatro anos e reaparecem apenas às vésperas da eleição, com promessas vazias, apertando a mão de todo mundo e beijando criancinhas. Poucos eleitores sequer se lembram em quem votaram nas eleições de 2010 em seus mais diversos níveis.
Já basta! Nossa política precisa ser encarada, por parte dos eleitores, com maior seriedade. Não há garantia de que um artista famoso ou uma subcelebridade irão promover as mudanças que o Brasil anseia. A maioria é fruto de um marketing eleitoral que apela à emoção do eleitor, ao folclórico do candidato e às promessas difíceis de serem cumpridas. Trata-se de uma embalagem, onde o candidato é ‘vendido’ como um produto ao eleitor, que faz as vezes de consumidor. É preciso mais... Muito mais.
O eleitor brasileiro precisa aprender a apostar em propostas, atitudes e vida pregressa de seu candidato. A lei da “Ficha Limpa” ainda mostra falhas, quando centenas de candidatos em todo o País, mesmo barrados pelos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), continuam em campanha esperando uma decisão da instância superior. Neste caso, são eleitos, mas correm o risco de não serem empossados, fazendo com que o eleitor jogue o seu voto na lata de lixo. É preciso refletir melhor antes de assinalar o candidato na urna eletrônica. O Brasil não pode mais ser negligenciado por causa de candidatos descompromissados com a nossa realidade. Não é por se apresentar como novidade que o candidato fará a mudança. É preciso que ele esteja realmente interessado em trabalhar e lutar para promover as reformas pelas quais a população brasileira clama. Por isso, o eleitor precisa, a partir de agora, refletir sobre o que quer para o País: mudança (mesmo) ou retrocesso?
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