A fala serena e o jeito tranquilo do engenheiro civil Fabiano Corrêa Neves não deixaram que o drama vivido por ele e sua família desde 2012, ano em que foi diagnosticado com leucemia mielóide aguda, transparecesse com facilidade durante conversa com o Comércio. O abatimento também pareceu não combinar com sua história, já que, com o apoio da mulher e das duas filhas, desafiou a estimativa de sobrevida dada pelos médicos quando a doença veio à tona. “Me deram 15 dias de vida. Em um mês eu havia me recuperado da doença, que entrou em remissão, e já estava de volta ao trabalho. Segui assim até março deste ano, quando a doença voltou.”
Com o novo diagnóstico, a rotina agitada do engenheiro, que costumava trabalhar das 7 às 19 horas, deu espaço a idas e vindas a hospitais e tratamentos com fortes efeitos colaterais, como náuseas, vômitos e hemorragias. As consequências provocadas pela baixa imunidade do organismo e quantidade excessiva de medicamentos resultaram em uma desagradável surpresa constatada pelos médicos. “Com as hemorragias, perdi muito sangue, acabei entrando em coma e perdi parte da visão de um olho. Pensei que mais nada de ruim poderia acontecer, mas pela minha baixa imunidade associada aos medicamentos, desenvolvi uma meningite medicamentosa. Por um milagre consegui me curar.”
Enquanto relatava pacientemente sua saga, uma parte da trajetória tornou a cadência das palavras embargadas. Foi quando Fabiano falou sobre a família. “Quem passa por isso tem que ter muita fé em Deus. É muito difícil ver minhas filhas acompanhando a isso tudo, tendo que dormir fora de casa porque a mãe teve que me acompanhar ao hospital tarde da noite.” Em dado momento, enquanto segurava a mão do homem com quem há 17 anos é casada, Alessandra Corrêa Neves aproveitou para fazer um apelo - com a esperança de que as chances de seu companheiro encontrar um doador de medula óssea compatível aumentem. Ele precisa do transplante para sobreviver. A chance de encontrar um doador compatível é de uma em cem mil. “Peço para que as pessoas compareçam ao Hemocentro e se cadastrem como doadoras no Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). É rápido e uma quantidade muito pequena de sangue é retirada. Isso pode salvar muitas vidas, não apenas a do meu marido”, disse.
Quem quiser ajudar essa e outras famílias se cadastrando como doador de medula óssea deve comparecer ao Hemocentro de Franca de segunda a sábado. Às segundas-feiras, o atendimento é das 9 às 19 horas. De terça a sexta-feira, das 7 às 17 e aos sábados das 7 às 12 horas. Serão colhidos apenas 5 ml de sangue e o nome incluído no Redome, sistema que permite localizar pessoas à procura do material em todo o país. Qualquer pessoa saudável - que não tenha câncer ou doenças infecciosas - com idade entre 18 e 55 anos pode fazer o cadastro.
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