Após 47 anos de buscas, aposentada de 70 anos reencontra irmãos


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Inês da Conceição dos Santos, ao lado de familiares, conversa com irmã em Birigui pela internet
Inês da Conceição dos Santos, ao lado de familiares, conversa com irmã em Birigui pela internet
Por 47 anos, a aposentada Inês da Conceição dos Santos, hoje com 70, rezou para que sua santa de devoção, Nossa Senhora Aparecida, a ajudasse a reencontrar a família, vista pela última vez na cidade de Florestópolis, no Paraná. Mais que rezar, ela buscou em programas como os de Sílvio Santos e Gugu um pedido de ajuda para o mesmo fim, sem sucesso. Em dezembro de 2008, veio até o Comércio e contou em suas páginas a história de sua vida. Ela queria ver novamente os irmãos mais velhos Benedito, Maria Lourdes, Luiza e Luiz. A publicação, feita há seis anos, parecia não ter surtido efeito, a não ser trotes inconvenientes na época. Isso, até a noite da última segunda-feira. 
 
“Já era mais de dez horas quando o telefone tocou. Era um rapaz chamado Joel, falando que era filho da Luiza, irmã da minha mãe. Demorei para acreditar, mas pelas informações que ele dava, e que não estavam na matéria, fui me emocionando e já nem sabia direito o que falar. Assim que ele desligou, liguei para a minha mãe, mesmo sabendo que depois da notícia ela nem dormiria”, disse Sueli dos Santos, filha de Inês. 
 
De acordo com Joel, ele procurou pelo nome da tia em um site de busca na internet - Google - que o levou até o link da matéria publicada pelo Comércio em 2008. Pelos dos telefones citados na reportagem, ele pôde reatar o laço interrompido há quase 50 anos. Na tarde da última terça-feira, dona Inês se arrumou para rever Luiza pela webcam do computador de sua neta Vanessa, aliada nas buscas pelos familiares. Com batom rosa e presilhas no cabelo, esperou com ansiedade pela conexão da câmera que traria boas novas de Birigui. Quando a imagem apareceu, um suspiro sem descrição foi retido com a palma da mão. As lágrimas não caíram, mas um sorriso de incredulidade e emoção deram contorno aos lábios rosados quando um rosto apontou na tela. “Ah!! Oi, minha irmã, como você está? Vou fazer um esforço para não chorar.” 
 
As mãos foram abanadas para a tela do computador em cumprimento e a troca de informações sobre os rumos de suas vidas compartilhadas. “Esses são meus filhos, meus netos e noras...”, disse Inês. “Sei que vocês vão vir para cá em outubro mas não aguento esperar!”, completou. “Calma, mãe. Vamos ver se a gente aluga uma van para irmos antes”, interveio um dos filhos. Quanto aos outros irmãos, todos vivos, Luiza, que nunca perdeu o contato com o restante da família, servirá de ponte. “Vou visitar todos”, disse Inês.
 
Relembre a história
Aos 5 anos, Inês partiu com pais e irmãos para o Paraná. Aos 16, decidiu se casar, mesmo a contragosto do pai. As divergências não se amenizaram com o tempo e, aos 23 anos, já com três de seus sete filhos, ela acompanhou o marido pelo mundo. “Meu pai era peão, então foi seguindo de fazenda em fazenda, se afastando com minha mãe. Como não tinha telefone e nem existia internet como hoje, ela perdeu o contato com a família”, disse Sueli, filha de Inês, que vive em Franca desde 1990.

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