O candidato a deputado estadual pelo PDT, Capitão Severo, foi sabatinado, na última terça-feira, pelos jornalistas do GCN. Apesar de sua candidatura ainda não ter sido deferida pela Justiça Eleitoral, ele acredita que terá uma resposta positiva antes das eleições.
O militar tem na segurança sua principal bandeira; entre as ideias que defende está a redução da maioridade penal, a colocação de um maior efetivo policial nas ruas e a unificação das Polícias Militar e Civil. Na área da educação, sua proposta para melhorar a qualidade do ensino é investir em escolas em período integral e melhoria do salários dos professores. Com relação às questões que envolvem o debate sobre drogas, o candidato disse que é contra a internação compulsória do dependente. “Você está tirando das ruas, mas você não está resolvendo o problema dele, e o problema dele tem que começar por ele”, disse.
Por que o senhor quer ser o representante do eleitor de Franca?
Sou uma pessoa voltada ao trabalho voluntário. Tenho um conhecimento na área pública. Quero continuar defendendo a sociedade paulista como sempre defendi, com o sacrifício da própria vida, como o juramento que fazemos. Um amigo aqui de Franca me perguntou por que deveria votar em mim. Ele mora no Jardim Aeroporto e me disse que eu sempre fui muito simples, muito solidário. Essa solidariedade eu aprendi muito mais com o povo de Franca. Não é o candidato Capitão Severo que quer ser candidato, mas pela necessidade de aumentar a representatividade do município de Franca. É uma retribuição para com a cidade que me acolheu, acolheu a minha família. Aqui fiz amigos. Meus dois filhos casaram aqui em Franca; tenho um neto francano. Então é uma maneira de eu retribuir e continuar servindo a sociedade francana e a sociedade paulista.
Sua candidatura permanece indeferida pela Justiça Eleitoral. Que garantias o eleitor tem de que os votos confiados ao senhor não serão posteriormente anulados pela Justiça?
Quando nós fomos convidados pelo PDT a sermos candidato, faltava pouco tempo para encerrar o prazo para mudança de partido, de desfiliação. Nos desfiliamos, levei os documentos ao cartório eleitoral e dois dias depois foi publicada a nossa desfiliação. Isso foi no dia 30 de setembro do ano passado. No dia 4 de outubro eu estava me filiando ao PDT e fiz a inclusão no Filiaweb, que é um portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) comunicando a filiação. Esse procedimento foi feito, porém, no mesmo mês, até o dia 14, ele teria que encaminhar ao TSE a relação dos novos filiados ao partido. Aí eu não sei por qual motivo não foi feito.
Fato é que hoje o senhor não tem condições de se eleger; não teve a candidatura aceita pela Justiça Eleitoral. Qual é a certeza que o senhor dá aos eleitores de que o senhor vai poder disputar as eleições?
Não serão anulados até porque a resposta do TSE é anterior à data da eleição. Deve sair até o dia 23 ou 24 deste mês.
O senhor tem dito que a segurança é sua principal bandeira. O senhor dedicou sua vida à polícia. Com essa experiência, que análise faz da segurança em Franca? E no Estado em geral?
A situação não é das melhores na área da segurança. Nossa expectativa é que ela tenda a piorar. Porque o atual governo não tem mostrado um pulso firme para melhorar a situação. Ele sancionou, por exemplo, uma lei que proíbe a revista íntima em visitas a presídios. Agora a pessoa vai para um presídio como se tivesse indo para a igreja, vai chegar e não vai ter revista. Vamos imaginar que com a revista íntima já entra arma, drogas, celular. Agora vai ficar mais fácil ainda. A pessoa de bem não é privilegiada pelo governo, quem é privilegiado é o marginal. Percebemos isso quando é criado uma bolsa-auxílio reclusão maior do que para quem trabalha.
Quais são suas propostas para combater a criminalidade?
Uma das coisas que nós temos que fazer é acabar com as visitas. Em outros países não existe contato pessoal com o marginal que está preso. Aqui coloca-se todo mundo no mesmo meio e até em uma situação de rebelião você vai ter inúmeros reféns. Aumentar o efetivo da polícia, porque nós estamos com uma polícia cada vez mais defasada em relação às necessidades que se tem no Estado.
Apenas isso? Corrigindo visita e aumentando o efetivo da polícia?
Não, nós temos que mudar a postura em relação ao atendimento À segurança pública. Temos que ser mais rígidos. Outras posturas seriam mudar o código penal, mas aí é da alçado do governo federal, do deputado federal, não estadual. Mas aquilo que compete ao deputado estadual, vamos trabalhar.
O senhor tem criticado a legislação penal. Diz que é preciso mudanças. A quais mudanças o senhor se refere?
A primeira é diminuir a maioridade penal e também aumentar as penas para criminosos que praticam o crime junto com menores, quando há participação de menores e maiores, o maior tem que ser responsabilizado com muito mais rigor do que o menor.
Ao comentar a decisão do governo do Estado de transferir o atendimento do 190 para Ribeirão, o senhor afirmou que o serviço agora virou um ‘callcenter’ e para situações emergenciais não pode ser dessa forma. Quais são suas propostas para resolver o problema?
A proposta é sensibilizar o governador para mudar essa situação e voltar o 190 para a cidade. Tem cidades aqui na nossa região que o 190 cai diretamente na viatura, o policial que vai atender a ocorrência vai receber o chamado. Agora, em Franca, nós ligamos e cai lá em Ribeirão (Preto) e às vezes é um policial que nunca passou de Batatais pra cá, ele não tem ideia. Quando ele pede um ponto de referencia você diz “eu estou aqui no Galo Branco”, ele não tem ideia do que é Galo Branco. E os policiais, quando eles são da cidade, eles conhecem cada detalhe.
A justificativa que tem sido dada para a decisão é aumentar o número de policiais nas ruas. Como resolver a falta de efetivo?
Primeiro tem que se mudar a forma de como é feita a seleção, aumentar a capacidade de formação do Estado, formar policiais, demora um ano um concurso da PM. Da época do edital até a formatura do policial demora até dois anos. Quando entra, por exemplo esse ano, dez mil policiais, daqui trinta anos dez mil policiais vão estar saindo e você tem que repor aquele quadro. As necessidades da população vão aumentando. A última lei de fixação da polícia civil data do início da década de 90 e o número fixado naquela época era cerca de 40 mil policiais civis. A população cresceu daquela época pra cá quase 11 milhões, a população do Estado, porém o efetivo está pouco mais de 30 mil policiais civis, como é que vai prender, investigar, levar o marginal?
Como o senhor vai resolver isso? O senhor citou o tempo de formação que é muito grande.
Não é o tempo de formação, o tempo de formação é importante, você precisa formar com qualidade os policiais, afinal ele vai estar com um revólver na cintura e quando ele der sinal para parar, você pára. Então não é a questão da formação, mas o processo seletivo que é muito extenso e muito demorado.
O processo seletivo não tem essa mesma função, de selecionar melhor os policiais?
Ele deve ser mais rigoroso, mas a questão não é da qualidade do processo, mas o tempo que ele tem demorado. Trabalhei no serviço de seleção durante seis anos e conseguimos fazer a seleção sem mudar os métodos, mas somente pela forma que era feita. Nós tínhamos concursos a cada dois meses e com um número de vagas menor e consequentemente um número de candidatados menor. Hoje você faz um concurso anual que você tem mais de 60 mil candidato. Para você ter uma logística para colocar todo esse pessoal para fazer prova, para você ter uma empresa que faz a correção das provas, esse procedimento é o que está sendo demorado.
Uma das propostas defendidas por quase todos os candidatos é a unificação das polícias Civil e Militar no Estado. O senhor concorda com isso?
Concordo, por eu ter trabalhado nas ruas, ter sido soldado, cabo, sargento, ter sentido a população, para a população não importa quem está auxiliando ou quem está socorrendo, não importa a camisa, importa é que tenha alguém lá, para transmitir segurança e socorrê-lo. Eu concordo porque, vou falar uma coisa para vocês, bandido tem bastante, você colocando PM, polícia civil, guarda municipal, ainda tem muito bandido. Não importa qual camisa, farda ou uniforme que a corporação está vestindo, o que importa é se o serviço está sendo prestado e o cidadão se sente seguro.
O trânsito é hoje um problema a ser enfrentado. Segundo dados do Departamento de Trânsito do Estado, em 2011, 15,8 mil pessoas morreram vítimas de acidente no Estado. Quais são suas propostas para diminuir a violência no trânsito?
Primeiro é conscientizar os motoristas. Temos que fazer um trabalho desde a formação dos condutores jovens. As autuações devem ser em parte revertidas para a formação do condutor, então deveríamos ter aulas de trânsito nas escolas e com isso colocar responsabilidade naquele jovem, futuro motorista e ele saber da responsabilidade de ter um veículo nas mãos.
Mudando de assunto de segurança para educação. Qual é sua proposta para essa área?
Escola em período integral. Não é só você aumentar a escola, é você colocar cultura, esporte e tem que ter uma maior humanização dos prédios onde funcionam os estabelecimentos educacionais. Hoje você vai em uma escola e o padrão modelo parece um presídio, lembra o Carandiru, que foi demolido.
Muitos candidatos têm criticado o salário pago aos professores. Quais são suas propostas para melhorar o salário dos docentes?
O vencimento sempre está aquém, mas na educação está muito aquém. Conversamos com alguns professores e eu tenho na minha família... é até interessante porque quem não é militar é professor. Mas a valorização não é só a questão salarial, percebemos que o professor quando recebe uma sala com 30 alunos é muito aluno por professor. Ele não é valorizado quando ele faz um curso a mais, quando faz uma reciclagem, quando tem uma formação maior, quando vai buscar maiores conhecimentos para repassar para os seus alunos. Esse é importante, esse reconhecimento e pagar bem o professor.
Qual é a avaliação que o senhor faz dos deputados eleitos por Franca, atualmente?
O Dr. Ubiali, deputado federal por dois mandatos, tenho um carinho, um apreço, um respeito muito grande pela figura que ele é, como político e também como pessoa humana e como médico profissional. Os deputados estaduais Roberto Engler e o Gilson de Souza eu também me espelho no trabalho dos dois, porque se um está indo para o sétimo mandato e o outro para o quarto é porque obtiveram a aprovação da sociedade e da população de Franca. Então, nós temos um grande carinho e respeito pelo trabalho dos três.
Candidato, qual a opinião do senhor para a campanha promovida pela Acif, ‘Voto Nosso’, que prega a eleição de candidatos com base eleitoral em Franca?
Acho a iniciativa, não só da Acif, mas o trabalho do GCN bastante importante, temos que valorizar os candidatos da cidade. Nós temos excelentes candidatos, excelentes pessoas que estão aí disputando, querendo representar a cidade de Franca, e nós verificamos que, na eleição passada, perdemos cerca de 30.000 votos para candidatos de fora da cidade. Então é importante que o eleitor se preocupe, que ele avalie os candidatos da cidade e procure votar nos candidatos da cidade.
Agora, candidato, não foi incoerente da sua parte o senhor defende a campanha, que orienta os eleitores a votar em candidatos de Franca, mas o senhor faz drobadinhas e pede votos para o seu companheiro de policia militar, Major Olímpio, que é candidato a deputado federal, mas que tem base em São Paulo?
Isso não é incoerência, não, até porque o deputado Olímpio, há dois meses, foi homenageado na Câmara Municipal com o título de cidadão francano. Isso daí eu acho que a cidade não oferece para qualquer um. Não é qualquer pessoa que é merecedora de um título de cidadania e no caso, o deputado Major Olímpio, em 2006, teve 600 e poucos votos e em 2010 pouco mais de 800, ou seja, ele aumentou 41% o número de votos aqui no município de Franca, então isso é porque reconheceram o trabalho que ele tem feito pela cidade, além do que, é um voto de segmento, ele é da minha corporação, é um voto de segmento.
(pergunta do internauta Ricardo Pereira) Sou servidor da Fundação Casa e nós servidores passamos por vários problemas dentro e até fora das nossas unidades. Quero saber o que o senhor pensa a respeito disso e quais são as suas propostas para melhorar as condições de trabalho?
A Fundação Casa, é até interessante que, aqui em Franca, na época quando estava para vir, a sociedade se dividiu e ocorreram vários debates, várias discussões, se aceitava ou não a vinda da Fundação Casa para cá, e nós trabalhamos no sentido de sensibilizar a população para apoiar a vinda da Fundação Casa para Franca, porque os nossos menores infratores, embora infratores, não são tão perversos quanto os de Ribeirão e os de São Paulo, e quando eles iam para lá voltavam muito piores, então é importante nós resolvermos nossos problemas aqui. Em relação ao funcionário que trabalha na Fundação Casa, ele tem que ter uma proteção do Estado, tem que ter um psicólogo, tem que ter uma assistente social, tem que ser valorizado também, porque trabalhar em uma Instituição sócio-educativa é uma situação bastante penosa e bastante desgastante.
(pergunta do internauta Cléber) Qual sua opinião sobre a legalização das drogas? Devemos legalizar ou não? E se o senhor acha justo tirar a liberdade de uma pessoa por ela estar vendendo maconha?
Primeiro que eu sou contra o uso de drogas, sou contra o uso e o usuário no nosso país já não é penalizado em nada, o que é penalizado é o tráfico, e o tráfico de drogas, essa pergunta ele faz para mim, mas seria interessante se ele perguntasse para a família de uma pessoa que tem um usuário de drogas, que tem um dependente químico dentro da família, porque ela não destrói só a vida daquela pessoa, destrói a vida da família que tem aquele dependente químico, destrói uma sociedade inteira, é só ele ir lá na Cracolândia e ver a situação daquelas pessoas, e são pessoas abandonadas? Não, tem pessoas de toda faixa, de toda classe social e estão lá, viraram zumbis.
O senhor é contra ou a favor da internação compulsória dos dependentes?
Pela experiência que eu já tive, eu tive que tomar conta, uma vez, fazer a segurança, quando tinha a lei de proteção às testemunhas, fui designado pela Justiça Federal a cuidar da segurança de um usuário de drogas. Então quando um usuário não tem a vontade de largar, de sair daquele vício, qualquer trabalho que é feito com ele não tem resultado positivo. Então, compulsória eu não sou, porque você está tirando das ruas, mas você está trancando na verdade, mas você não está resolvendo o problema dele, e o problema dele tem que começar por ele.
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