‘As mudanças que propomos nunca virão pelo voto, virão pela revolução’


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Raimundo Sena, candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PCO durante a sabatina. Político respondeu às perguntas dos jornalistas do GCN e agradeceu pelo espaço democrático
Raimundo Sena, candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PCO durante a sabatina. Político respondeu às perguntas dos jornalistas do GCN e agradeceu pelo espaço democrático
O candidato a governador de São Paulo pelo PCO, Raimundo Sena, foi o entrevistado da sabatina do GCN da última quarta-feira. O partido prega mudanças que ocorreriam não por meio da eleição, mas sim, por meio da revolução. Defende a estatização de empresas e escolas e a extinção da Polícia Militar. 
 
Por que o senhor que ser governador de São Paulo?
O PCO participa das eleições com o objetivo de elevar algumas bandeiras e reivindicações em favor da classe trabalhadora, da classe operária. Esse é o principal objetivo da participação nas eleições. É mais uma tribuna usada para a continuação do trabalho cotidiano do partido, que vai além das eleições, que é organizar a classe operária, dar as diretrizes e fazer as mudanças que são realmente necessárias. 
 
O senhor sempre diz que não disputa as eleições; que o senhor participa das eleições. Como encontrar ânimo para participar de uma campanha sabendo que as chances de vitória são bastante remotas?
O Partido da Causa Operária não disputa votos. Ele disputa a consciência da classe trabalhadora. É um partido que se coloca nas eleições, usando as eleições como uma tribuna para divulgar o seu programa, levantar as bandeiras em defesa da população trabalhadora e chamar os operários a se organizar, porque só a classe operária organizada promoverá as mudanças que lhe interessam. As mudanças que propomos não interessam a uma minoria privilegiada.
 
Você chega a sonhar com a vitória nas eleições?
Não. A vitória não vai ser nesta eleição e nem mesmo se dará em eleições. Se dará pela organização da classe trabalhadora, no momento certo. A vitória não será do PCO, nem do Raimundo Sena, mas da classe operária.
 
O senhor fala que a mudança não ocorrerá pelo voto, pelas eleições. De que forma ela ocorrerá, então?
As mudanças que o PCO propõe são o aumento do salário mínimo para R$ 3.500, que é o que defende a Constituição Federal. Dissolução da Polícia Militar e a construção de um novo modelo de segurança, controlado pela população organizada. Essas mudanças nunca vão acontecer pelo voto, principalmente porque somos o único partido a propor essas mudanças e o espaço para levar essas propostas ao conhecimento da população é muito restrito.
 
Mas se ela não acontecerá por meio do voto, como ela acontecerá?
As eleições são um meio legítimo, mas estão sendo manipuladas. A gente fala abertamente que as eleições são uma farsa, as eleições são, na verdade, um jogo de cartas marcadas. Ganha as eleições quem tem dinheiro para investir em grandes campanhas e esse dinheiro a gente sabe de onde vem; dos grandes bancos, grandes empreiteiras, grandes capitalistas. E os interesses desses capitalistas não são os interesses da classe operária. As mudanças acontecerão através de uma revolução.
 
O senhor diz que a mudança não acontecerá pela eleições, mas o senhor está participando de uma eleição. O senhor está buscando votos. Isso não é uma contradição?
Não há contradição alguma. É espaço que o partido tem e usa, como já dissemos, para divulgar as políticas do partido.
 
Então as eleições são um trampolim? Vocês estão usando as eleições como um palco?
Palco para defender os interesses da classe operária.
 
O senhor disse que a sua campanha é uma oportunidade para chamar a classe operária para a luta. As pesquisas de intenção de voto apontam que o senhor tem 1% das intenções de voto. Por qual motivo os trabalhadores não estão encampando a sua luta?
Seriam por dois motivos principais. Primeiro, pelo espaço que temos para expor nossas ideias, que não abrange a todos. Um partido como o nosso cresce a partir de uma recessão, quando o trabalhador sente o aperto no bolso, que precisa se mobilizar. Nós podemos ver que na última década não tivemos greves significativas. Isso se dá porque os governos conseguem fazer paliativos, onde o trabalhador vem segurando e se mantendo razoavelmente. Isso dificulta um pouco o trabalhador se organizar. Nossa posição, enquanto partido revolucionário e operário é continuar esclarecendo a população de que há essa necessidade e que a solução real virá quando a classe trabalhadora se movimentar organizadamente e impulsionar as mudanças.
 
O senhor falou de novo em revolução. O que isso significa? Que tipo de revolução é essa que o PCO prega?
Quando falamos em classe operária, falamos da classe dominante, a classe exploradora, que é a minoria que detém os meios de produção e o capital e usa isso inclusive para pressionar os governos para tirar do trabalhador e manter seus privilégios e seus lucros. Estamos falando da classe dominante e da classe operária, que produz todas as riquezas. A essa classe, nós, trabalhadores, nos é permitido o mínimo para sobreviver e continuar produzindo lucros. A gente fala da população operária usufruir daquilo que ela produz, e isso implica em reduzir os lucros dos patrões e até mesmo acabar com os patrões. Que os trabalhadores assumam as fábricas, como já aconteceu até mesmo aqui no Brasil. E isso não vai se dar pedindo com licença, por favor. Isso será feito com a força, a menos que a classe dominante recue sem reação e permita essas mudanças sem maior dificuldade.
 
O senhor fala em acabar com as privatizações, estatizar as empresas. Como funcionaria isso?
Detalhes, no momento, eu não tenho para te passar. Mas simplesmente as empresas que forem privatizadas, que pertençam a Nação, podemos citar a Vale do Rio Doce, seriam repatriadas. Voltar de novo aos interesses da população e não do lucro dos capitalistas.
 
O que o senhor pensa sobre os regimes comunistas no mundo que não deram certo ou que estão em via de serem revistos, como é o exemplo da China, Rússia, entre outros?
Regime comunista de fato ainda não foi concretizado.
 
E por que o senhor acha que não?
Porque são países pobres, pequenos, com riqueza limitada, sofrem com a desigualdade social muito grande, com o boicote de países que são contra o regime socialista ou comunista. Se vêem isolados. O socialismo não acontecerá em um só país.
 
O senhor acha que isso é possível de acontecer no Brasil? O senhor não acha que é um retrocesso voltar a esse regime que já se mostrou ineficiente nos países onde tentou ser aplicado?
Não há retrocesso quando as riquezas serão colocas para o bem estar de uma população e não para uma minoria.
 
Mas mesmo nesses países que tiveram ou tentaram implantar o comunismo, que é o ideal de vocês, não havia uma distribuição de renda justa.
Por isso precisamos implantar realmente um socialismo de fato. Onde sejam efetivamente feitas essas mudanças que não ocorreram nesses países.
 
Como é que o trabalhador, o eleitor, pode ser chamado para lutar, se vocês não conseguem explicar como isso será feito?
Se fosse tudo pronto como uma receita de bolo seria tudo fácil. As mudanças têm resistências, momentos mais difíceis. Uma coisa a gente sabe: é necessário que essa mudança aconteça.
 
Mas alguém que sai pedir voto não deveria estar preparado? Não deveria ter essas respostas?
Só para concluir o meu raciocínio aqui, da redistribuição da riqueza produzida pela classe trabalhadora, que ela tenha direito de usufruir daquilo que ela produz. Disso não abrimos mão.
 
Em entrevistas que o senhor já concedeu, o senhor disse que a situação da saúde no Estado de São Paulo é catastrófica. Qual a sua proposta para resolver o problema?
A proposta é: o governo tem que parar de repassar recursos públicos para a iniciativa privada, tem que colocar o sistema de saúde completamente sob o controle do Estado e gerenciado por trabalhadores da saúde e de outras áreas, organizados, colocando os recursos onde realmente precisa, para o bem estar da população.
 
E o senhor acredita que os trabalhadores estariam preparados para isso? E de onde viriam os recursos para manter essa máquina que, todos nós sabemos, demanda um alto custo?
Se a gente for analisar o montante de recursos que são desviados pelo governo favorecendo as iniciativas privadas, só isso daria um salto de qualidade em investimento em todas as áreas, não apenas em saúde, mas em educação, transportes... essa mudança não ocorreria pela classe que não tem interesse.
  
O senhor tem alguma proposta para diminuir a violência no trânsito? Se o senhor fosse eleito, que medida tomaria?
Vou repetir que não temos ilusão alguma de que vamos nos eleger. A solução para a violência no trânsito se dá com o investimento em transporte público de massa, para que o cidadão não tenha necessidade de usar o carro individualmente, congestionando o trânsito como acontece atualmente nos grandes centros, causando um estresse terrível, até emocional nas pessoas. Essa seria a primeira medida. Sem ela não adianta contar lorota.
 
No setor da educação, o senhor e o seu partido defendem a estatização. Por que essa seria a melhor forma? E o que os senhor pensa sobre as escolas como o Sesi e as escolas do setor privado?
Hoje a educação pública está cada vez mais sucateada, deixando em larga vantagem o ensino privado. O ensino privado que não está ao alcance da maioria da população. A gente defende a estatização e a melhoria na qualidade da educação, do ensino, justamente para que todas as pessoas tenham a igualdade e a oportunidade de aprender, realmente. O ensino privado, o nosso partido eliminaria quando chegarmos ao governo, quando a população chegar ao governo ela deve eliminar o ensino privado, deixando o ensino completamente...
 
 O que quer dizer com eliminar as escolas privadas? Como vocês fariam com os empresários?
 Estatizar as escolas privadas.
 
O senhor tem ideia do valor, quanto custaria isso para o governo?
Não, não tenho ideia. Mas é uma necessidade, para o bem da humanidade.
 
Mas vocês fariam isso por meio de indenizações a esses empresários? Ou vocês simplesmente tomariam essas empresas que hoje são de educação? Como funcionaria isso?
No momento da mudança, com a população no comando, esses detalhes serão acertados.
 
Hoje o governo do Estado já não consegue oferecer uma qualidade de ensino razoável para as escolas que pertencem ao governo, a partir do momento que o estado se responsabilizar por todas as escolas, inclusive as privadas, como é que ele vai fazer para levar uma educação de qualidade para a população? Tem dinheiro para isso? O senhor realmente acredita que essa é uma proposta viável?
É uma proposta, não só viável, como uma necessidade no nosso ponto de vista. Se seres humanos que administram as escolas privadas são capazes de gerenciar bem uma escola privada, por que não uma escola pública? Gerenciaria bem também. Hoje é que o foco é o lucro, tudo hoje se direcional ao lucro. As iniciativas privadas visam o lucro acima de qualquer coisa. O bem-estar da humanidade como um todo fica sempre em segundo plano, aqueles que podem pagar têm o melhor, os que não podem pagar não tem e isso é o que precisa mudar.
 
Dados do governo mostram que hoje um terço dos professores que estão na rede são temporários. Como o senhor vê essa situação imediata?
É uma injustiça com os professores temporários, deveriam ser todos registrados, todos terem melhores salários e melhores condições de trabalho.
 
Como se resolve o problema na educação imediatamente, antes dessa revolução que o partido do senhor prega? Gostaria que o senhor falasse também sobre a progressão continuada, se o senhor concorda ou não.
Nosso partido tem um programa igual tanto no âmbito nacional, quanto no estadual, os nossos candidatos a governos dos estados apresentam o mesmo programa que nosso candidato a presidência da república apresenta. Quando falamos em melhorar a qualidade do atendimento do público geral em educação, saúde e transporte público, pelo menos isso, a gente leva em conta as riquezas brasileiras que são vendidas a preço de banana para o capital exterior, um exemplo, o leilão do campo de libra, do pérolas, no Rio de Janeiro, que foi vendido a um valor irrisório, mediante do que valeria. Todas as privatizações que foram feitas, foram feitas nesses moldes, a riqueza que poderia ter sido colocada a serviço da população brasileira, sendo entregue ao capital privado para manter o lucro de uma minoria.
 
O senhor é favorável à manutenção do sistema de cotas para a seleção de universitários e ingressos em concursos públicos?
Somos a favor por que isso é o mínimo do que se deve fazer. Somos favoráveis sim.
 
O estado de São Paulo vive hoje uma crise no abastecimento de água. Como o senhor vê a situação e quais são as propostas do senhor para resolver essa crise hídrica no estado de São Paulo?
Hoje quase metade da Sabesp está na mão da iniciativa privada e não adianta a gente se iludir, a iniciativa privada investe porque ela quer lucro depois. O lucro que vai para a iniciativa privada poderia estar sendo investido em novos formas de capitação de água, o que não é feito. A Sabesp perde, em média, isso tem dados em algumas fontes na internet, perdeu 150 bilhões de litros de água em uma ano por vazamentos. Nem isso a Sabesp consegue resolver. Se nem isso é capaz de fazer, é impossível no atual momento resolver o problemas. Tem que começar por aí e investir seriamente na capitação de água. Tem lugares, por exemplo, que podem ter facilmente poços artesianos perfurados. Um exemplo é onde eu moro, na Vargem Grande, na capital paulista.
 
O senhor defende, então, a reestatização da Sabesp?
Defendemos a reestatização da Sabesp
 
Outra coisa que se discute muito é a sobretaxa do consumo excessivo de água dos consumidores comuns. Como o senhor vê esse projeto?
Abuso, se agente for ver realmente, é quase inexistente. O que existe é um gasto a mais e o governo faz isso para querer cobrir um buraco que ele de maneira irresponsável deixou causar e para garantir o lucro dos investidores privados.
 
O senhor falou de novo em lucro. O senhor é contra o lucro, o senhor acha que o lucro é injusto? Uma pessoa que trabalha e obtém lucro, isso é injusto?
Se esse lucro não colocar em cheque a sobrevivência daqueles que trabalham para produzi-lo, mas não é isso que acontece. Geralmente, quando se tem fartura demais em uma mesa, está faltando em outras.
 
O senhor é um profissional da construção civil. Quando está trabalhando na obra o senhor não visa esse lucro? Não precisa do dinheiro pago pelo patrão para oferecer lazer, saúde ou educação para sua família?
Todo o trabalhador trabalha exatamente para dar o melhor condição de vida a si e à sua família. A gente visa sim a melhor condição de vida.
 
Quando o trabalhador visa melhor condição de vida é justo, quando o empresário visa melhorar a condição de vida dele e da família, não é justo?
Não é justo quando ele tem uma super melhora e o trabalhador que trabalha para ele ter esse lucro da super melhora de condição de vida, não tem. Como por exemplo comemorar o aniversário do filho em Miami enquanto o trabalhador dele nem consegue comemorar o aniversário do filho. Não podemos chamar isso de justiça.
 
 Mas isso é uma exceção. 94% dos empresários de Franca são microempresários que não têm nem dez funcionários.
Bom, essa realidade existe e ela pode ser melhorada. Se colocar um sistema em que todos trabalham e que todos usufruem de igual forma daquilo que produziu, inclusive o próprio empresário meta a mão na massa e trabalhe também já que muitos hoje estão de braços cruzados e lucrando em cima dos que trabalham para ele, pode melhorar ainda mais.
 
Quais as propostas do senhor para combater a violência, a questão da segurança pública que afeta hoje todos os moradores de todo o estado, inclusive aqui em Franca?
A questão da violência se agrava, ainda mais, quando as diferenças sociais são gigantes, como são. Combater a violência passa por primeiro combater essa desigualdade social. Tirar as pessoas da miséria, melhorar as condições de vida das pessoas que vivem nas periferias distantes, como eu moro, melhorar o transporte público, dar a oportunidade de trabalho para todos e melhor salário para todos viverem bem. Isso dispensaria o uso da força da polícia, como é feita hoje. Também propomos, como já falei anteriormente, a população organizada e ela mesma eleger as polícias em cada região, em cada bairro, controlada pela população, e tem que estar à serviço e não contra a população, como está hoje.
 
Essas propostas do senhor são para médio e longo prazo e para agora, que o problema está instalado nas ruas, qual é a sua proposta para combater o crime hoje?
Hoje é impossível combater o crime da forma que é feito. As prevenções de crimes, hoje, elas são totalmente ineficientes. Por isso a gente prega a dissolução da PM. Não vai existir nenhum super-herói para assumir o governo hoje e imediatamente resolver todos esses problemas. Isso passa por melhorar as condições de vida de toda a população.
 
O que vem a ser essa dissolução da PM? O que o senhor propõe exatamente? Poderia detalhar essa proposta?
Acabar com a instituição Polícia Militar, não existe outro termo, acabar mesmo. E os Pms que trabalham nesse sistema atual, trabalhariam em seus bairros, se a população os aprovarem.
 
Quem substituiria a PM nesse caso?
As milícias constituídas pela população trabalhadora devidamente organizada.
 
O senhor então propõe uma espécie de eleições desses policiais nas comunidades?
Sim. Nosso partido também defende eleições para juízes em todas as instâncias.
 
E os policiais atuais, para onde eles iriam?
Isso o povo organizado definiria, talvez continuariam, se aprovados pela população, a exercer a função de segurança com a atual estrutura, com a atual atuação.
 
A segurança é uma área delicada, são anos de formação, de treinamento. Como seria a polícia sem esse treinamento, sem essa experiência? O senhor falou em eleição para se eleger policiais e como seria feito? Seriam pessoas comuns e não treinadas para esse tipo de ação?
Pessoas comuns, não totalmente comuns, mais eleitas e treinadas, sim. Defendemos inclusive que toda a população, todo cidadão, assim como acontece em outros países, tenham acesso ao armamento e que sejam treinados para utilizá-lo.
 
Elas seriam treinadas onde e por quem?
Isso são detalhes que a gente pode resolver depois. O próprio estado, hoje, cria condições físicas para treinar, para dar estrutura para o treinamento dessas pessoas.
 
O senhor defendeu que a população possa se armar nas ruas, é isso?
A população, como acontece em outros países, como nos EUA, por exemplo, deve ter o direito de ter, se desejar, uma arma e ter treinamento para usá-la.
 
Hoje mesmo, com as forças de segurança, o crime organizado já controla presídios, controla muitas regiões do estado. A extinção da PM não seria entregar de vez o controle do estado ao crime organizado?
Não. Como eu falei, uma série de medidas deverão ser tomadas para combater o crime: melhorar as condições de vida de toda a população, dar melhor salário para todos, cada bairro constituir a própria polícia e colocá-la a serviço da população. Hoje polícia está sendo usada não para combater crime, ela trabalha para reprimir a população pobre das periferias. A gente viu nas manifestações de julho a força que a polícia usa para reprimir manifestantes. A gente tem dados, que agora não me lembro numericamente, do número de assassinatos cometidos pela polícia. A gente vê no Rio de Janeiro, com desculpa de combater o tráfico, a gente não tem dúvida nenhuma de que as ações são para tirar a população pobre e deixar a área livre para a especulação imobiliária. A polícia, hoje, faz um papel inverso do que deveria fazer.
 
São Paulo é hoje o estado que possui a maior população carcerária do Brasil, quase 200 mil presos. Quais são as propostas para lidar com esses presos e o senhor defende a construção de novos presídios?
A gente defende a construção de novas escolas, melhor qualidade nas escolas, mais espaço para as pessoas trabalharem...Tem muitos presos lá que não deveriam estar presos, muitos presos que com muitos delitos deveriam estar cumprindo uma pena alternativa, prestando um serviço para a própria sociedade.

E tem os que precisam estar presos. O que fazer com eles?
A gente defende que a pena imposta por crimes, só seja aplicada depois da apuração, só com isso a gente iria esvaziar as cadeias de São Paulo e do Brasil.
 
O senhor acha que não é adequado sistema que apura os crimes?
Tem muita gente que já cumpriu a pena que deveria pelo crime e nem foi julgado ainda.
 
O PT já foi de esquerda radical e hoje não tem mais esse caráter. Chegou ao poder e se vê envolvido em vários escândalos de corrupção. Qual a opinião do senhor a respeito? E a classe operária do PT é a mesma que deve fazer essa revolução?
A classe operária que construiu o PT é a mesma que deveria estar governando o PT e não é. O PT mudou totalmente sua trajetória e por isso ele chegou ao poder, fazendo concessões de modo que chegou ao poder não mais dirigido pelos trabalhadores. Ele é dirigido por uma cúpula que nem mais trabalhadores são, se prestando aos serviços que outros partidos prestam, favorecendo mais os capitalistas do que os trabalhadores. A corrupção não é defeito apenas do PT, mas do próprio sistema. Se a gente observar os outros governos, as corrupções que estavam escondidas com certeza serão imensamente maiores que as corrupções que aparecem do Partido dos Trabalhadores.
 
Que garantias o eleitor tem que uma vez no poder, o PCO não repetirá esses casos de corrupção?
A garantia quem dá não é o nome PCO, nem o partido PCO, mas sim a própria população trabalhadora organizada que estará no poder. O PCO chegando ao poder, não é um partido, mas sim a classe trabalhadora. A classe operária não vai destruir-se a si mesma.

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