‘Minha prioridade serão os animais’


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Candidata disse que sua primeira medida se eleita deputada estadual, tirando os animais, será na área da educação
Candidata disse que sua primeira medida se eleita deputada estadual, tirando os animais, será na área da educação
A candidata a deputada estadual Maria Luisa do Cão que Mia (PEN) foi entrevistada pelos jornalistas do GCN na série Sabatinas, na última sexta-feira.   Defensora dos animais, tem nessa paixão o maior  mote de sua campanha. Sem fazer rodeios, diz que sua prioridade são os animais e que, em seguida, vem a Educação.  E, sobre esse tema, a candidata é contra a progressão  continuada, a cota para negros e a manutenção da política de bônus para professores: “O professor não tem que ter premiação, não, professor tem que ter salário e salário bom, disse ela ao tecer duras críticas  ao  sistema adotado pelo atual governo, que premia professores por  metas.  
 
Por que o eleitor de Franca deve escolher a senhora para representá-lo na Assembleia Legislativa?
Me candidatei simplesmente pelos animais. Não têm voz, não têm ninguém que cuide ou proteja. As leis não são cumpridas. Eles ficam ao ‘Deus dará’. Seja cachorro, gato, cavalo, eu penso da seguinte maneira: a pessoa que gosta de animal, ela gosta de gente, convive bem. A pessoa que não gosta de animal, eu já tenho reservas. Boa coisa não vai vir.
 
A senhora não tem nenhuma experiência política e nunca exerceu um cargo na administração pública. Essa falta de experiência não pode influenciar negativamente sua eleição?
 Acho que não. Quando me formei não tinha experiência como professora e dei aula muito bem. Não tinha experiência com animais. Corri atrás e aprendi. Tudo é uma questão de gosto e vontade de fazer. 
 
Em 2012 a senhora concorreu à Câmara Municipal e teve pouco mais de 2.600 votos. Por que acha que conseguirá ser eleita deputada estadual precisando de muito mais votos, tendo uma campanha discreta e adversários de peso?
No meu partido eu não preciso de uma quantidade grande de votos para poder conseguir entrar. Acho que com 30 mil votos consigo uma vaga. Minha campanha não é rica, não temos verba, mas temos uma estrutura de quem gosta de animais, que corre atrás, que ajuda. Não acho difícil, não. Até posso surpreender muita gente. De novo.
 
É óbvio que sua principal proposta é a defesa dos animais, mas caso a senhora seja eleita qual seria sua primeira medida?
A primeira medida minha, tirando os animais, seria através da educação.
  
Por qual motivo o eleitor deve votar na senhora já que são muitos os concorrentes que também defendem os animais?
Quem gosta de animal conhece muito bem meu trabalho e sabe diferenciar daquele que é oportunista. Está cheio de oportunistas. Agora virou moda. Gente que nunca passou a mão num cachorro, nunca deu uma ração para um animal, agora virou defensor. Descobriram que isso dá voto. Quem gosta, quem sabe, quem lida, quem está no meio sabe muito bem distinguir uma coisa da outra.
  
Qual é a avaliação que a senhora faz dos candidatos eleitos por Franca?
Cada um faz um tipo de serviço. Não estou aqui para julgar a ninguém. Se eu acho que o candidato em que votei não fez um bom trabalho eu troco. Só isso. Acho que quem julga o serviço dele é ele. Eu julgo o meu.
 
A senhora se tornou conhecida por sua luta a favor dos animais. Se for eleita, quais são suas propostas para esta área?
Em primeiro lugar, não é nem projeto porque já existe, é correr atrás de verbas para castrar esses animais. Não tem condições de uma cidade ter essa quantidade de animais abandonados nas ruas. E não é só Franca, não. É um absurdo, é uma coisa descomunal. A lei existe e eles têm que ser castrados. 
 
A senhora tem números, sabe por que essa castração não é feita ou se o município já realiza esse serviço e o que é necessário para resolver essa situação?
Em Franca são feitas 150 castrações por mês. Para o tamanho de Franca esse número é uma piada, só o nosso grupo castra isso por mês, fora os outros grupos. Então é uma porcentagem muito pequena. Agora, isso não é promessa, já está acontecendo, daqui cinco ou seis meses vai ter uma unidade hospitalar veterinária móvel em Franca, nós conseguimos isso, meu grupo conseguiu isso, então é realidade, vai funcionar, daqui cinco, seis meses, atendendo a população carente da periferia que não tem como levar seu animal no veterinário ou não tem nem como locomover esse animal. Da mesma maneira acho que seria ótimo um “castromóvel” também. Acho que Franca resolvesse castrar 1,3 mil animais por mês, durante dois anos, a população canina (abandonada) de Franca sumiria.
 
Em 2008, foi criada uma lei em São Paulo que proibiu o sacrifício de animais pelos canis. Como reflexo,  hoje se vê uma enorme quantidade de cachorros e gatos abandonados pelas ruas. A senhora defende essa proibição?
Quando você sacrificava animais, por lei deveria aplicar anestesia no animal, para evitar o sofrimento. Na realidade o que é caro é essa anestesia. Se o município tinha dinheiro para anestesiar o animal e sacrificar ele... naquela época apareceu até no Comércio da Franca: 250 eram sacrificados todo mês. Onde está essa verba para a anestesia? Ou eles não anestesiavam? Para onde foi isso? Agora, para sacrificar tem e para castrar, não? O serviço é o mesmo, praticamente, a despesa é a mesma, a diferença é muito pouca. Se tinha verba para fazer determinado serviço, porque não tem agora?
 
A senhora já buscou as respostas junto ao município?
Já busquei, mas nunca consegui, já faz muitos anos que busco. Agora também já desisti, não quero saber. Vou correr atrás de outro jeito.
 
Então a senhora é a favor dessa proibição?
É lógico. Você sabe por que eu concordo? Porque isso não resolve. Se matavam os animais há quarenta anos e não conseguiram acabar com eles (animais abandonados), então resolve matar?
 
Para os animais que já estão recolhidos nos centros de zoonoses, qual é a solução?
É tratar desses animais e colocar para a adoção.
 
Como a senhora vê as afirmações de algumas pessoas que defendem que haveria problemas mais importantes do que a questão desses animais abandonados nas ruas?
Cada um trabalha na sua área. Existem problemas com abandono de crianças, com idoso, que é um absurdo. Pra mim não tem nada mais dolorido do mundo, uma pessoa trabalhar a vida inteira, depois puxar carrinho de sorvete na rua para ganhar moeda para comprar remédio. Quem toma conta disso? Existe Bolsa Família para criança, cadê a Bolsa do Idoso? 
 
Justamente, não existem problemas mais graves?
Cada um na sua área. Eu não vou lá no fulano que gosta de cuidar de criança r falar para ele: “Você vai parar de cuidar de criança e vamos lá cuidar de cachorro”. Cada um tem seu espaço. Verba tem para tudo, é questão de boa vontade. Eu cuido de cachorro, você gosta de criança? Cuida de criança. Você gosta de idoso? Cuida de idoso. Cada um na sua área. Você é repórter, o outro é advogado. O que seria do advogado se só existisse repórter? 
 
Uma das propostas que a senhora defende é a criação de hospitais públicos veterinários. Mas Franca e região sofrem com a falta de vagas para pessoas nas UTIs e para internação. Não seria uma inversão de prioridades?
Aí é que está, não se destinam recursos. O recurso que vem para a Santa Casa é da Santa Casa, não se tira um centavo desse dinheiro para se acudir cachorro e vice-versa. Isso é uma balela que todo mundo fala e insiste em falar isso, só que não é verdade. O recurso que vem para o canil municipal, ele não é usado na Santa Casa.
  
A Câmara concluiu uma investigação que comprovou a existência de inúmeros problemas na Saúde da cidade. Faltam leitos de UTI, sobram problemas na liberação para internação, faltam profissionais, há fila para realização de consultas e exames. O que pretende fazer para melhorar essa situação?
O problema da saúde é nacional. Acho que é questão de recurso. O Estado de São Paulo é riquíssimo. Acho que os recursos são desviados, ou para não falar que são desviados, são ocupados por outros setores que não tem necessidade. O problema da saúde vai demorar anos para se resolver. Se não tem muita boa vontade, a pessoa pega aquilo e vai levando meio que no “embromation”. 
  
Recentemente, o governo do estado começou uma política de internação de viciados em drogas. A senhora é a favor da internação compulsória de dependentes?
Sou. Só que o problema não está só aí. Eles acham que interna aí acaba o problema, mas isso é muito mais amplo. Você interna, trata o indivíduo e depois coloca ele na rua de novo. Não dá 12 horas e ele vai estar drogado de novo. Aquilo virou um ciclo, teria que ter um programa de socialização, ele precisa sair dali e precisa de um emprego, de uma residência.
 
Qual sua opinião sobre a liberação da comercialização das drogas?
Sou a favor, não de todas as drogas. Por exemplo, a maconha. Se ela fosse liberada e a moçada conseguisse em uma farmácia perto de casa, deixaria de entrar em boca de fumo. Quem sabe não se envolveria com outras drogas. Gente, álcool é droga e é vendido em qualquer boteco. Você quer coisa mais horrorosa do que cigarro? E é liberado. No meu ponto de vista é assim, se ele se restringisse aquela droga ali, quem sabe ele não fosse procurar em boca de fumo e se restringiria só àquela ali. Porque ele começa ali, depois ele vai buscar e conhece outro tipo de droga.
 
O trânsito é um problema a ser enfrentado. Segundo dados do Departamento de Trânsito do Estado, em 2011, 15,8 mil pessoas morreram vítimas de acidente no Estado. Este número é quase o triplo de mortes por homicídios registradas no ano passado. Quais são suas propostas para diminuir a violência no trânsito?
A gente só diminui violência com educação. Qualquer motorista, se não tiver o mínimo de educação no trânsito, vai causar acidente. É o princípio de qualquer coisa. Você pode falar, pode fazer propaganda, mas se o indivíduo não tem a formação educativa, ele não vai respeitar nada, nem o sinal de pare, nem uma placa.
  
A senhora, que é professora, já afirmou que a educação nas escolas estaduais é um caos, que hoje elas são apenas um depósito de crianças e adolescentes. Na sua opinião, por que a qualidade do ensino no Estado caiu tanto e como é possível recuperar as escolas?
A primeira coisa é acabar com a progressão continuada. Com isso aí nós criamos uma geração, infelizmente, de analfabetos. Acho que cada um aqui deveria acompanhar uma escola por seis meses, vocês iam enlouquecer, vocês não têm noção do que é aquilo. Já peguei aluno de terceiro colegial que não sabia escrever o nome. Se você desse um parágrafo ele lia as palavras separadamente, mas não conseguia juntar aquilo. É o que a gente chama de analfabeto funcional. Porque saiu da quarta “chucha” na quinta. “Mas ele não consegue nem ler”. “Mas não importa”. Aquilo vai passando, o aluno tem que passar. Isso virou uma estatística para o governo mostrar que ele está melhorando o ensino. Não está melhorando, nada.  Como é que você pode lecionar em uma classe de 48 alunos?
 
A senhora não é a primeira professora que critica esse sistema de ensino. Por que vocês professores nunca se rebelaram?
Mas eu me rebelo, eu não concordo com isso. Não concordo porque, por exemplo, tive muitos alunos que eu “retive” o aluno na série. Mas o professor não manda em nada, é lei. Posso reter ele lá e o estado vai passar ele automaticamente. Está lá, pode pega uma ficha minha que vocês vão ver “retido”, eu não passei aluno. Só que depois chegava no outro ano ele estava lá.... Se ele estava na sexta passou para a sétima e assim vai. O professor não manda nada. Inclusive em bônus, o famoso bônus.
 
Se eleita vai apoiar a manutenção dos bônus? E que propostas a senhora pretende apresentar para valorizar o professor?
O professor não tem que ter premiação, não, professor tem que ter salário e salário bom. Bônus, não, porque você fica sujeito ao diretor, à funcionalidade da escola e eu acho, não digo todas, que isso também é mascarado, porque se a escola vai melhor, se tem uma nota melhor, a diretora ganha melhor, o seu bônus é melhor. E então no fundo, aquilo ali vai mascarando, vai pisando, você está entendendo? O ensino, ali, virou um bolo que não tem conserto. Aqui ali tem que parar tudo e voltar 40 anos para trás. Escola é escola, estamos ali para ensinar. Se o governo acha que o aluno tem que ficar na escola, então ele promove curso de computação, escola de futebol, faça o que tiver que fazer, mas o professor tem que estar ali para dar aula. 
 
A senhora acha que a situação da educação se deve ao sistema de progressão continuada, ou como a senhora falou, que existe muita gente que mascara os dados?
É tudo.  Fizeram um bolo, juntaram e seja o que Deus quiser. “Ah! Olha que beleza! No meu governo o aluno fica na escola das 7h às 19h”, não fica nada. Aquilo ali vira uma coisa que não tem jeito. Ninguém assimila mais do que três horas e meia, depois disso o cérebro não funciona, mas você fica lá. Como falei, tive classe com quase 70 alunos. Eu andava em um corredorzinho que me deixaram, na frente e se eu tivesse que atender algum aluno lá no fundo, parece piada, mas eu tinha que subir em cima das carteiras, os alunos tiravam os objetos e eu andava em cima das carteiras para chegar no aluno. Você acha que isso é estudo? Você acha que isso é educação? Algum professor acha que isso é? E direção? E estado? Isso não é nada, isso daí é montado, pra mim só por causa das estatísticas: “Que beleza, nós aumentamos não sei quantos...”, não aumentou nada. Acho também que toda essa revolta, essa agressividade, isso que nós estamos vendo, é falta de educação do indivíduo, é falta de cultura, aquela pessoa que não tem cultura, que não tem educação, que não consegue enxergar nada, aí se transforma nesses monstros que estão aí.
 
Muito tem se discutido sobre as cotas para negros nas instituições de ensino superior do Estado. Como a senhora vê essa iniciativa?
Se você tivesse um bom estudo, isso não precisava. Se a educação fosse boa o suficiente não precisava de cota. Não concordo. Eu concordo com uma boa educação, com uma boa escola, com chances para todo mundo.
 
A criminalidade juvenil está crescendo a cada ano e o governador Geraldo Alckmin tem discutido mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente e tem uma proposta de aumentar a pena dada aos jovens infratores de três para oito anos em caso de crimes hediondos. O que a senhora pensa a respeito disso?
Sou a favor. “Ah, mas ele tem 13 anos e não sabe o que faz”. Mentira. Quem tem criança em casa, quem tem filho sabe que a criança sabe o que está fazendo, sim. Então ficou fácil para ele, ele faz e não tem consequência nenhuma, então tem que ter consequência sim.
 
(pergunta do internauta Fábio Batista Pedroso) A senhora acha que só castrando os animais é possível resolver o problema dos cães e gatos nas ruas?
Acho que é, mas nós não vamos castrar e vamos resolver o problema hoje, você tem que castrar o número de animais suficientes para que em dois anos, três anos de prazo, você não tenha animal parindo nas ruas. Não precisa muito, a pessoa não deixa de fumar, não deixa de beber, mas ela não guarda cinco reais para ir castrar a cachorrinha dela que está lá.
 
(pergunta do internauta Cláudio Donizete) Qual é sua proposta para nós seres humanos?’
A melhor proposta que eu poderia dar para um ser humano é a educação e isso estou propondo. Vou correr atrás para mudar, não existe outra coisa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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