O Comércio publicou, no último final de semana, que as cidades de nossa região perdem mais de 20% da água distribuída, num volume que poderia abastecer Franca por mais de um ano. É um volume bastante grande (que não inclui o desperdício nas residências), que mostra quanto dinheiro desce pelo ralo. Instalações inadequadas ou antigas e vazamentos nos ramais que deixam de ser detectados são as principais causas, mas quem anda pelas ruas da cidade percebem que o desperdício pode ser maior, com o uso inadequado da água para lavar casas, calçadas e até carros, deixando-se a mangueira aberta durante todo o procedimento. Numa época em que o Estado sofre com uma crise hídrica sem precedentes, com tempo seca, estiagem prolongada e corte no fornecimento em horários específicos, fica bem claro que o brasileiro ainda não desenvolveu uma cultura que permita a economia, não só da água como também da energia elétrica e dos alimentos.
De acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), 1,3 bilhão de toneladas de alimentos são perdidos ou desperdiçados por ano em todo o mundo — o equivalente a 30% de tudo o que é produzido. O número considera perdas em todos os estágios — do campo ao prato. No Brasil, de acordo com a mesma organização, perde-se cerca de 30% do que é produzido no País, a maior parte disso (cerca de 50%) por causa de uma logística de transporte inexistente, armazenamento inadequado e infraestrutura deficiente. Ao contrário do resto do mundo (30% das perdas) o desperdício no consumo fica em apenas 10% do que vai para o lixo no País.
Enquanto não tivermos uma malha de transporte mais rápida e eficiente, utilizando-se ferrovias e hidrovias, dificilmente deixaremos de perder tantos alimentos, não só frutas, legumes e verduras, mas chegando também aos grãos, como soja, milho e trigo. Metade do que se perde no País fica pelas estradas ou então estraga-se durante o transporte. Antonio Gomes, pesquisador da Embrapa Agroindústria de Alimentos, afirma que o transporte, o manuseio, as embalagens e a forma de comercialização de alimentos “in natura” no Brasil, a granel, são inadequados.
Entre as mudanças sugeridas pelos especialistas para reduzir o desperdício nesse estágio da cadeia estão cargas refrigeradas para o transporte de frutas e verduras (ou pelo menos o transporte à noite, quando há menos luz e calor) e o fim das caixas de madeira para os perecíveis. No caso de cereais e grãos, são necessários investimentos maiores e mudanças estruturais. A principal causa das perdas está no transporte da safra por caminhões.
Frutas e legumes são transportados por mais de 2 mil quilômetros entre o produtor e o seu destino final. Parte da carga se estraga, já que são levados em caminhões sem refrigeração, na maioria das vezes em caixas de madeira e protegido apenas por lona. Desta forma, a perda é inevitável. Enquanto o Brasil mantiver esta logística inadequada e antieconômica. Por isso, os preços dos alimentos só fazem subir e o brasileiro é obrigado a pagar pelo desperdício.
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