Colunas sonoras


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É boa a repercussão das ‘colunas sonoras’ que tenho oferecido junto a estes meus textos semanais, através do portal GCN.net. Como sinalizei em meados de agosto, havia pedidos de deficientes visuais, idosos e professores de ensino fundamental, médio e universitário que têm se utilizado de meus textos de cidadania em sala de aula — o que muito me honra — para que eu, de viva voz, os ‘falasse’. 

 
‘Só leitura do texto em sala de aula — disse-me professor do ensino fundamental municipal que pediu anonimato em função de problemas que poderia ter (faz depreender que há censura de leitura deste Comércio na rede municipal de ensino) — não permite a alunos ainda muito jovens, entender as emoções que movem um colunista quando escreve. Se o articulista lê, de viva voz seu próprio texto, comunica o que  a letra fria não mostra, e o aluno, aí, tem a chance de compreender a serenidade ou indignação, alegria ou tristeza, gosto ou desilusão. Então, se já era bom como estímulo ao debate, melhorou mais. E suas leituras emocionais também ensinam como devem ser feitas as leituras’. 
 
Fiquei envaidecido. Lembrei-me, na hora, das boas experiências vividas nas várias palestras que, a convite, levei a escolas municipais, estaduais e particulares nos últimos anos, debatendo os temas de minhas colunas de cidadania com estudantes, professores, diretores e coordenadores de escolas. A decisão do atual prefeito em sacar o Jornal Escola — e, também, o Proerd, de informação sobre drogas — das municipais, para substituí-los ‘por programas similares’, não ocorreu, deixando  educadores amedrontados quanto a prover informação a seus educandos. Afinal, podem se colocar na alça de mira de cobrança do tipo  ‘qual é a fonte?’
 
Não consigo deixar de pensar na queima de livros praticada pela Inquisição, nem no caso do jornalista que teve os dedos da mão inutilizados a mando de um contraventor que era figura recorrente dos textos do profissional de imprensa. Bem. De minha parte, vou em frente com textos cidadãos e com as novas ‘colunas sonoras’, que o professor teve a bondade de ‘considerar ferramenta nova para o ensino da leitura emocional e ampliação do indispensável debate da cidadania que a maioria, hoje, delega à lata de lixo’.
 
‘COBREM OS LEGISLADORES’: O colunista Toninho Menezes, deste Comércio; o advogado João Bittar Filho, o engenheiro Ricardo Barichelo e o internauta Carlos M., comentaram meu texto ‘Cobrem os legisladores’, de sábado passado (a ‘leitura emocional’ está disponível em http://gcn.net.br/noticia/263313/opiniao/2014/09/cobrem-os-legisladores), solidários às minhas observações. João foi fundo: ‘vamos votar para mudar, mas, paralelamente, temos que fazer pressão nas ruas para forçar uma mudança já, imediata, mesmo porque ninguém dúvida que mais da metade dos políticos atuais permanecerão no poder’. 
 
LEI DE GERSON: A Justiça Global, organização não governamental de defesa de direitos humanos, lançou a  campanha ‘Prisão Não! Liberdade para os presos provisórios!’ (http://global.org.br/programas/%E2%80%8Bjustica-global-lanca-a-campanha-prisao-nao-liberdade-para-os-presos- provisorios/). Afirma que, dos  560 mil detidos em todo o país, 230 mil aguardam julgamento, e, porisso, devem ser sumariamente liberados. Aqui em Franca, a exemplo, criminosos confessos de 11 assaltos a postos, presos há uma semana; e de, outros, responsáveis por 12 roubos concretizados com violência, ainda não julgados, voltariam às ruas se a pedida da ong fosse atendida, certamente convictos de que o crime compensa. Gerson, o ex-atleta de futebol, não poderia imaginar que as frases que personificou em 1976 para propaganda de cigarro se tornariam descrição perfeita do brasileiro médio de hoje:’gosto de levar vantagem em tudo. Leve vantagem você também...’ (veja em http://www.youtube.com)
/watch?v=CxGtbd1-ulU). 
 
Luiz Neto
jornalista, editor de Opinião - luizneto@comerciodafranca.com.br

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