Ela diz que tem sede; ele oferece salmoura. Ela reclama de fome; ele lhe entrega cicuta. Ela se queixa de frio; ele atiça achas do braseiro aos seus pés atados.
E enquanto se asfixia, envenena e desidrata, a condenada agradece. Reconhece que o Torquemada de plantão pavimenta o caminho que levará a sua alma ao paraíso.
Sonia Machiavelli, professora, jornalista, escritora
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