Estados Unidos e Estado Islâmico


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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao conclamar aliados e países alinhados com sua política externa no Oriente Médio a atacar “até dizimar” os extremistas do Estado Islâmico, pode transformar a ação numa aventura como a guerra do Vietnã. A intromissão no país asiático deixou profundas cicatrizes que até os dias de hoje não se curaram. As baixas foram tremendas e, no fim, os EUA deixaram o Vietnã de cabeça baixa, diante da resistência da população local, que conseguiu impor severas derrotas àquele que era considerado detentor de um dos mais bem preparados Exércitos do mundo. Saiu como derrotado e tudo pode se repetir agora.
 
Obama tenta conseguir apoio no Ocidente, mas Reino Unido e França, seus maiores aliados na Guerra do Golfo e nas campanhas no Iraque e no Afeganistão, mais recentemente, sinalizam que dificilmente enviarão tropas para o Iraque e a Síria, onde o Estado Islâmico está expandindo sua influência militar, sitiando pequenas vilas e atacando cidades maiores, fazendo reféns que são mortos frente a câmeras de TV, como os dois jornalistas norte-americanos degolados recentemente. O grupo terrorista, engrossado por militantes de várias partes do mundo convertidos à causa sanguinária, amplia sua influência e área de ação, tornando-se preocupante para os países ocidentais e nações do Oriente Médio.
 
Inicialmente, apenas países da região onde o grupo extremista está agindo demonstraram boa vontade em cooperação com uma campanha maciça dos Estados Unidos. Mesmo ali não há unanimidade: Síria e Irã advertem os EUA, enquanto, já na Europa Oriental, a Rússia também faz ressalvas ao plano anunciado pelo presidente norte-americano. Dificilmente haverá um apoio total a esta campanha que pode transformar o território do Iraque e da Síria num novo Vietnã. Nos anos em que esteve combatendo no Iraque, o exército dos EUA não foi capaz de neutralizar a ação de extremistas, muito menos conseguir a pacificação entre facções rivais.
 
No Afeganistão foi a mesma coisa. Mesmo com a morte do líder da Al-Qaeda no Paquistão, os talebans — que não foram neutralizados depois da invasão do Afeganistão — voltam a atuar em seu país de origem, com ataques suicidas quase diários que fazem dezenas de vítimas cada um. A política continua tumultuada, tanto no Afeganistão quanto no Paquistão, onde os talebans também estão atuando. E o problema do terrorismo fundamentalista alastra-se para a África: o Boko Haram transformou a Nigéria em um barril de pólvora, sequestrando e matando “para destruir a cultura ocidental”, contra a qual se bate.
 
A situação não vai ser resolvida à força. Tentando amenizar as críticas de que vem sendo bastante condescendente com o terrorismo, Barack Obama resolve usar a força para atacar o seu alvo principal. As eleições parlamentares nos Estados Unidos estão no cerne da questão. O presidente democrata não pretende encerrar o seu mandato com a pecha de fraco. Mas pode levar o país a uma campanha desastrosa e aumentar as reações contra o uso da violência em um país do Oriente Médio.
 
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