Mulheres agredidas buscam refúgio na delegacia de polícia


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Agredida, mulher venceu medo, denunciou e viu companheiro na cadeia
Agredida, mulher venceu medo, denunciou e viu companheiro na cadeia
Passa de 400 o número de agressões caracterizadas como lesão corporal registradas pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca entre janeiro e agosto deste ano. Por mês, são mais de 50 casos de violência, a maioria doméstica e protagonizada por pessoas da própria família. A quantidade aumentou 13 % em relação ao mesmo período do ano passado. Casos de ameaças (9%), vias de fato (24,7%), injúria, calúnia e difamação (27,6 %) também cresceram. “No caso da lesão corporal, houve novo entendimento na Lei Maria da Penha. Antigamente a pessoa tinha que manifestar a vontade de ver o agressor processado. Agora independente dessa manifestação, a Polícia toma providências”, explicou o delegado responsável DDM, Alan Bazalha Lopes. 
 
A agressão física, muitas vezes, é o resultado de ameaças frequentes. Mais de 600 queixas sobre ameaças foram registradas esse ano contra quase 570 no ano passado. São mais de dois casos por dia. 
 
A Lei “Maria da Penha”, criada em 2006 para proteger mulheres contra violência doméstica e familiar, prevê punições contra violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. O número de prisões na delegacia da cidade reflete a maior quantidade de denúncias e a coragem das mulheres agredidas. O acréscimo é de 31,9% nos períodos analisados. “O aumento nas queixas registradas é devido à conscientização da mulher acerca de seus direitos”, comentou o delegado Lopes.
 
Histórias 
A reportagem do Comércio conversou com algumas vítimas para conhecer melhor as histórias existentes em meio a estas estatísticas. Em agosto deste ano, uma mulher de 35 anos foi atacada enquanto dormia pelo pai de seus filhos, com quem conviveu durante 12 anos. Portando uma foice, o agressor ameaçou matar ela, os filhos e até o cachorro. Segundo a vítima, o uso de drogas perturba os sentidos do ex-marido que passa a agir de modo violento. “Quando disse que ia denunciá-lo, ele disse que poderia ir para a cadeia, mas que voltaria depois para matá-la”. Ao todo, a mulher já registrou 17 boletins de ocorrência. “Isso para ele não é nada. Agora ele está preso no Centro de Detenção Provisória. Foram os vizinhos que chamaram a polícia, pois eu estava encurralada com meus filhos, tentando acalmá-lo”. 
 
Outro caso relatado à reportagem envolve uma menor agredida pelo tio-avô. “Ele queria me matar por causa de R$ 180 reais que ganho de pensão da minha mãe que já morreu. Ele me atacou com cabos de vassoura e tentou me enforcar”, conta mostrando as marcas nos braços e pescoço ainda vermelhas. Agredida dentro de casa, só lhe restou pedir ajuda à polícia.
 
A unidade, contudo, não testemunhas somente vítimas femininas. Em outro caso, um casal procurou ajuda por causa da própria filha. Pai e mãe foram ameaçados de morte pela garota que os forçou a vender a casa e dar metade de R$ 20 mil reais obtidos no negócio. O registro foi o que pode ser feito.

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