Entre os meses de agosto e setembro, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) de Franca aplicou quatro multas e duas advertências a usinas da região que realizaram indevidamente a queima da palha da cana de açúcar. De acordo com a gerente da companhia, Vera Barillari, houve queima de vegetação nativa nos arredores das indústrias, gerando punições de altos valores.
“Totalizando, as multas chegaram a cerca de R$ 500 mil. O que acontece é que a queimada só é permitida quando a umidade relativa do ar está acima dos 30%. Quando o fogo é ateado fora dessa norma, ele se torna irregular.” Vera não revelou que usinas foram multadas ou advertidas.
A queima da palha da cana deve continuar proibida pelos próximos dias. Segundo dados do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), Franca registrou ontem, por volta das 16 horas, apenas 12% de umidade e a previsão para hoje é que a região alcance os 20%. “O tempo só deve melhorar a partir do dia 15, quando há previsão de chuva”, alertou a meteorologista Neide Oliveira.
Um dos principais problemas causados pelas queimadas em períodos secos é a aglutinação de particulado (conjunto de poluentes causadores de doenças respiratórias e cardiovasculares) na atmosfera. Isso significa que a qualidade do ar cai, oferecendo risco à saúde da população. “Quando a umidade relativa está abaixo dos 30% a poluição fica estacionada na atmosfera, causando principalmente problemas respiratórios. A falta de água faz com que toda a poluição fique condensada, o que não aconteceria caso houvesse chuva. Esse aspecto de céu nublado é causado por esse acúmulo de poluentes”, disse Vera.
Apesar das multas aplicadas somente nestes últimos dois meses, a gerente da Cetesb afirma que as usinas têm cometido menos infrações atualmente do que no passado. De acordo com Vera, a diminuição de incidências do tipo está ligada a mudanças na legislação do Estado. “Temos a eliminação gradativa da queima da palha da cana, que terá que ser totalmente extinta até 2017. Por esse motivo, ano a ano as usinas vêm aumentando a mecanização das colheitas (para substituir as queimadas na hora da colheita). Tivemos agora um número maior de multas devido a esse clima seco que estamos enfrentando. Às vezes, um toco de cigarro jogado pela estrada causa todo esse dano”, disse Vera.
Outros focos
Além das queimadas provocadas em canaviais, o perímetro urbano também sofre com as queimadas neste tempo seco. De acordo com a Secretaria de Serviço e Meio Ambiente, o índice de terrenos com queimadas na área urbana, em período de estiagem, aumenta em torno de 20%.
Ainda segundo a secretaria, os focos de incêndio mais frequentes ocorrem por bitucas atiradas nas áreas com mato ou lixo e outros descuidos, como por exemplo, queimar papeis em locais abertos e sem proteção. Em algumas vezes, como ocorreu na última quarta-feira em área próxima ao bairro Nova Franca, a Secretaria atua em apoio ao Corpo de Bombeiros com seus caminhões pipas.
Um caso recente, registrado na última sexta-feira pelo Comércio, foi um incêndio ocorrido em um terreno próximo a Morada do Verde. A densa fumaça provocou transtornos no trânsito local, prejudicando a visibilidade pelos motoristas, e a Guarda Civil precisou interditar a via, enquanto os Bombeiros trabalhavam na contenção das chamas.
Denúncias sobre queimadas em matas e canaviais podem ser realizadas através do telefone da Cetesb 3724-5922.
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