Frei Berardo é enterrado em Ribeirão Corrente


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Freis cantam em italiano na missa de despedida a frei Berardo Paolino na Igreja São Judas
Freis cantam em italiano na missa de despedida a frei Berardo Paolino na Igreja São Judas
Centenas de pessoas lotaram a Igreja São Judas, em Franca, ontem, para a despedida ao frei franciscano Berardo Paolino, morto na quarta-feira, aos 101 anos. 
 
A cerimônia contou com aproximadamente 60 religiosos vindos de várias cidades e de Estados como Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, a maioria pertencente à mesma ordem de frei Berardo, sendo muitos deles formados e iniciados na religião pelas mãos do italiano, que há 20 anos estava em Franca.
 
Berardo Paolino era o único missionário vivo do grupo de 10 franciscanos que chegou ao interior de São Paulo logo após o final da Segunda Guerra Mundial. 
 
Em Ribeirão Corrente, nos anos 1980, após passar por várias regiões, ajudou na construção do convento Santa Maria dos Anjos, onde viveu as últimas duas décadas.
 
A missa de corpo presente, antecedida pelo “ofício dos mortos”, ritual em que o corpo é consagrado e purificado, segundo a tradição católica, foi repleta de simbolismos. Conduzida pelo bispo dom Paulo Roberto Beloto, com a presença de seu predecessor, o bispo emérito de Franca, dom Diógenes Silva Matthes, teve o caixão de frei Berardo posto no chão, como exemplo de despojamento.
 
Para dom Diógenes, o franciscano passou pela vida como uma criança, sempre alegre. “Como religioso cumpriu com sua missão”, disse.
 
Da paróquia de São Judas, o corpo foi levado para o convento, onde uma nova e breve celebração foi feita na capela do local.
 
Frei Berardo, que tinha apenas um familiar no Brasil, foi enterrado no jardim do convento. Dezenas de pessoas, em oração, acompanharam o sepultamento.
 
Frei Mauro Luiz de Oliveira, que o conhecia havia 40 anos, e que tinha vindo na segunda-feira de Ribeirão Preto, onde mora, para ouvir a confissão de Berardo, disse que o colega foi um símbolo de devoção e um exemplo para os mais novos. “Mesmo pressentindo que estava partindo, quis confessar. Fará muita falta porque, mesmo com suas posições fortes, era de ouvir, de aconselhar, de oferecer-se aos outros.”

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