'Inteligência artificial' é tema no Cinema e Psicanálise de Franca


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O filme é baseado no livro Super brinquedos duram o verão todo, de Brian Aldiss. A sessão será neste sábado a partir das 15 horas
O filme é baseado no livro Super brinquedos duram o verão todo, de Brian Aldiss. A sessão será neste sábado a partir das 15 horas
Amanhã sábado, o Cinema e Psicanálise de Franca apresentará o filme Inteligência Artificial.
 
Baseado no livro Super brinquedos duram o verão todo, de Brian Aldiss, foi primeiro projetado por Stanley Kubrick. Com dificuldades na criação de efeitos especiais, este destacado diretor convidou Steven Spielberg para ajudá-lo, após o lançamento de Jurassic Park.
 
Com sua morte, Steven Spielberg encampou todo o projeto, desde seu roteiro, produção e direção, o que rendeu ao filme dois Oscar nas categorias de melhor trilha sonora e melhor efeito visual.
 
É o ano de 2050, e grande parte da raça humana morre por graves mudanças climáticas. Prof. Hooby, um grande cientista, perde seu filho, David.
 
Mônica e Henry têm um filho gravemente enfermo que se encontra em estado latente esperando que novos avanços da medicina lhe salvem a vida.
 
O que vemos? Pessoas morrendo.
 
O fato da morte é fonte de nossas mais terríveis angústias. Viver com o inesperado da vida - e Fernando Pessoa traduz essa sensação com seus versos imortais: ‘ Morrer é apenas não ser visto. Morrer é a curva da estrada’ - requer muita capacidade mental elaborativa. Diante de tanto desamparo e medo, nos é difícil abrir mão da ideia da imortalidade.
 
Em Inteligência Artificial, frente à dizimação humana, o homem cria robôs, os chamados mecas, para substituí-lo em suas tarefas. Criando David, um garoto-meca capaz de ter emoções, e sua multiplicação em inúmeros exemplares, o cientista Prof Hooby criou a ilusão da imortalidade de seu filho.
 
Jean Baudrillard, sociólogo francês, em seu livro A Ilusão Vital, nos fala que em nossa sociedade pós-moderna tentamos dissociar a vida da morte, promovendo somente a vida e transformando a morte em função obsoleta, visto o avanço das experiências de clonagem, reproduções artificiais, criações de inteligências artificiais, etc. Ele questiona também se a finalidade de toda experiência com clonagem, manipulação genética ou criação de seres artificiais é delimitar o que seja verdadeiro ‘humano’, ou seja, ‘uma qualidade humana inalienável e indestrutível poderia finalmente ser identificada’.
 
Mas para nós, psicanalistas, o que nos constitui como humanos?
 
Nascemos originalmente de matéria mental bruta, com funcionamento pulsional/instintivo e este fato também é comum aos animais. Mas qual o salto de qualidade que nos diferencia, que nos torna inalienavelmente humanos?
 
Pensando no momento de nosso nascimento, nossa experiência primeva, é na relação com outra mente que acontece o ascender inicial da mente humana. No caso a mãe, com capacidade de acolhimento das angústias de seu bebê, com capacidade de elaborá-las e devolvê-las de modo a lhe serem suportáveis. Tudo isto de forma inconsciente, evidentemente.
 
Esta necessidade se estende durante toda a nossa vida e é o que nos torna inalienavelmente humanos. Necessitamos sempre da mente acolhedora e transformadora do outro para nos ajudar a pensar e dar sentido às nossas experiências emocionais cotidianas.
 
David, nosso adorável garoto-meca, intuía que, apesar de ter sido fabricado com alta tecnologia, para ser um garoto humano lhe faltava a vivência íntima com outra mente e a procurou desesperadamente.
 
Inteligência Artificial é uma bela metáfora sobre nascimento psicológico, sobre nossa tarefa ininterrupta de nos humanizarmos a cada dia que vivemos.
 
Uma vez por mês o Cinema e Psicanálise cria um ambiente acolhedor para que um contato caloroso entre-mentes nos ajude a nos sentirmos mais vivos e humanos. Vamos?
 
 
ONDE ASSISTIR
 
Inteligência Artificial
Onde: Anfiteatro da Sede do Centro Médico na Rod Tancredo Neves, km 2  
Horas: 15 horas no sábado
Informações: (16) 3722-5215

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