Não há recessão?


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Segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega, a economia brasileira não está parada e nem em recessão. A afirmação se deu após anúncio de que a produção industrial avançou 0,7% em julho depois de cinco meses seguidos de retração. Nossa economia andou a passos de formiga no primeiro semestre. Comprovou-se nos dados do IBGE, divulgados semana passa: o PIB teve retração de 0,6% no segundo trimestre de 2014. Nos três primeiros meses houve contração de 0,2%. São dois trimestres consecutivos de resultados negativos, no que os economistas chamam de ‘recessão técnica’. Segundo Mantega, ‘o resultado da produção industrial de julho veio bem, e que isso faz antever segundo semestre melhor’. 
 
A desaceleração atingiu o  crédito para carros. Segundo o Banco Central, empréstimos para compras de veículos por pessoas físicas registraram queda de 3,2%. O saldo de operações em mercado que estava em R$ 192,7 bilhões em dezembro de 2013, até junho desse ano recuou para R$ 186,5 bilhões.
 
Esses dados negativos mostram que a economia passa por recessão sim, e que a curto prazo, não haverá melhora significativa. O mercado sente as quedas, e o brasileiro sentirá cada vez mais no bolso os ajustes de possível estabilidade, mas a realidade é incompreensível na medida em que o volume de capital estrangeiro ávido por mercados emergenciais, tal como o Brasil, é imenso.
 
O Poder Público ainda não foca sua atuação de maneira mais enfática em relação aos investimentos em infra-estrutura interna e o estabelecimento de regras para esses investidores atuarem no Brasil. A insegurança jurídica e a falta de estradas, portos, aeroportos, entre outros instrumentos, são fatores negativos que afastam ainda mais os investimentos, trazendo reflexos a diversos segmentos da sociedade e levam o país à recessão.
 
Luciano Duarte Peres
Especialista em direito financeiro, presidente do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor Bancário

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