Reação tem que ser rápida


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Os números mais recentes da economia brasileira são preocupantes. Indicadores de renda, trabalho e produção só apresentam resultados negativos, o que começa a afetar toda a cadeia produtiva. Como tivemos oportunidade de mostrar aqui neste mesmo espaço, estamos a caminho do buraco e o perigo é que cheguemos a um ponto sem retorno caso não sejam tomadas medidas emergenciais, mesmo que impopulares, para estancar a sangria na economia brasileira. Ninguém mais acredita numa reversão do quadro atual, pelo menos em curto prazo. Nem economistas brasileiros ou estrangeiros.
 
A situação merece receber todos os cuidados do governo, principalmente no sentido de buscar fortalecer a indústria brasileira. Se a produção cai, o emprego é afetado e outros setores, como varejo e serviços, acabam sentindo o baque. O efeito dominó afeta todos os segmentos e, ao que parece, não há qualquer intenção do Planalto em determinar as medidas necessárias para alavancar os índices, pelo menos neste período pré-eleitoral. Analistas consideram que é necessário reduzir os gastos públicos e fortalecer o setor industrial. Como se diz por aí, o governo precisa cortar na própria carne.
 
Toda a produção do setor industrial sofre com a retração, o que leva a demissões em massa, como a ocorrida anteontem numa usina de açúcar da região de Itapetininga, no Interior de São Paulo. A empresa dispensou cerca de 400 trabalhadores: a safra vai terminar mais cedo por causa da seca que reduziu a produção de cana de açúcar. Ontem, mais um baque: o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que o emprego industrial em São Paulo, maior parque fabril do País, recuou 5,1% em julho na comparação com igual mês de 2013. A queda foi superior à observada em média no Brasil para o período (-3,6%).
 
Segundo o instituto, a redução no pessoal ocupado ocorreu em 16 das 18 atividades existentes na indústria paulista. As principais pressões vieram dos segmentos de produtos de metal (-12,2%), de meios de transporte (-7,2%), de máquinas e equipamentos (-6,7%), de alimentos e bebidas (-3,8%), de produtos têxteis (-13,5%), de outros produtos da indústria de transformação (-9,7%) e de calçados e couro (-12,3%). E este último indicador atinge diretamente o município de Franca, confirmando tudo aquilo que o Comércio vem publicando nos últimos meses.
 
Embora o governo, principalmente por causa da eleição, mostre indignação com os números negativos da economia brasileira, tentando aparentar um otimismo que já não atinge grande parte da população brasileira, o quadro que se apresenta para os próximos meses não difere muito do verificado no primeiro semestre deste ano. A economia brasileira continua descendo célere a ladeira, sem qualquer perspectiva de melhora. Faltam maiores incentivos ao setor produtivo, permitindo-lhe disputar mercados internacionais em igualdade de condições com os gigantes asiáticos, principalmente. Medidas capazes de mudar os rumos da política industrial não podem mais demorar. Do contrário, há o risco de que não consigamos mais reverter a situação.
 
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