O volume de água que chega aos imóveis é bem diferente daquele que é produzido. O motivo é o alto índice de perda que somado entre todos os municípios da região de Franca daria para abastecer a cidade por cerca de 14 meses ininterruptos. De 21 cidades, 11 apresentam perdas superiores a 20% (veja quadro), segundo dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento), do Ministério das Cidades. Especialistas consideram normais números abaixo deste percentual. Somados, são desperdiçados 24,49 bilhões de litros de água. As principais causas são vazamentos em tubulações na rede, rompimento de ramais antigos e durante limpeza de reservatórios.
A estiagem deste ano transforma o problema em algo ainda pior. Os números do relatório nacional de 2012 do SNIS para Franca dizem que a perda de água faturada anual foi de 4,33 bilhões de litros para uma produção de 26,9 bilhões. Segundo o diretor da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), de Franca, Rui Engracia, a perda de água deve ser combatida sempre. “Não podemos ter perda no sistema, tanto é que temos uma equipe qualificada que busca problemas de vazamentos na rede. Além disso, estamos com troca de rede de 24 quilômetros em andamento. É necessário, contudo, investimentos contínuos”, afirmou.
Em cidades como São Joaquim da Barra, Orlândia, Morro Agudo, Patrocínio Paulista e Cristais Paulista mais de 45% do que é distribuído para as residências se perde antes mesmo de chegar as torneiras. Todas têm em comum um serviço de água administrado pela prefeitura local. Já municípios como Franca e Igarapava, que possuem o serviço de água e esgoto operados pelo Estado, no caso a Sabesp, obedecem determinações da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo). O órgão fiscaliza e impõe determinações. Nos casos das cidades citadas anteriormente é a própria prefeitura que faz a fiscalização. “Como praticam uma tarifa baixa subsidiada que não cobre a prestação do serviço, ficam sem dinheiro e não fazem investimentos em melhorias” afirmou Engracia.
De acordo com o responsável pela distribuição de água de Patrocínio Paulista, Dimas de Figueiredo, a rede mais antiga - feita de ferro - é a causa das perdas de água. “A Prefeitura não tem recursos para fazer a troca da rede velha, mas já tem projeto para buscar recursos estaduais ou federais para fazer a melhoria”, afirmou.
Segundo o responsável pelo Serviço de Água e Esgoto de São Joaquim da Barra, Roberto Badoco, o valor de 60,78% de perda do SNIS não é real. “Temos muita perda sim, mas não chega a isso, deve ser em torno de 40%. Atribuímos a falha aos hidrômetros antigos que não marcam direito, à rede antiga e à tarifa deficitária, que incentiva as pessoas a desperdiçarem mais (água)”, disse.
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