Frei Berardo será enterrado após missa na S. Judas


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Imagem dos missionários que chegaram em 1947 ao País
Imagem dos missionários que chegaram em 1947 ao País
Quando ainda antes do meio dia de hoje o corpo do frei Berardo Paolino for colocado no piso da Igreja de São Judas para ser submetido ao ofício dos mortos, passando pelo ritual das exéquias que, por fim, o encomendarão a Deus, estará se encerrando um história de dedicação pessoal inabalável na crença religiosa, na fé católica.
 
Morto ontem, aos 101 anos, Berardo Paolino deixou o pequeno convento de Santa Maria dos Anjos, em Ribeirão Corrente, mais vazio e silencioso. Nascido Biagio, em Avignano, na Itália, ele adotou o nome do mártir e amigo de São Francisco de Assis ao entrar na ordem fundada pelo santo.
 
Com energia e alegria que só sucumbiram diante da infecção urinária (e complicações devido a idade avançada) que o pegou anos atrás, frei Berardo era a personificação do religioso que abriu mão da riqueza para seguir os desígnios da igreja.
 
O pai, Giulio, bem que tentou demovê-lo da decisão de largar as posses da família para seguir sua vocação. Ofereceu propriedades, adiantou heranças e bens, mas Berardo, que ainda era só Biagio, recusou as ofertas. Entrou para a ordem franciscana em 1939. Sua profissão solene de fé veio seis anos mais tarde, em 1945. Na Europa assolada pela Segunda Guerra Mundial, foi o único dos irmãos a não abandonar o convento em Piedmonte D’Alife. Cercado por alemães, conta-se, ficou escondido até que as tropas fossem embora.
 
Último integrante do grupo de 10 freis napolitanos que aportou no Brasil, em 1947, morreu, como não podia ser diferente, deixando quase nada. 
 
Será enterrado, após missa de corpo presente, às 15 horas, na igreja São Judas. Era seu sonho, conta frei João Lourenço Boga permanecer no lugar onde passou quase 20 anos de uma vida regrada, com reza às três da manhã, sem falta, todos os dias. 
 
Rígido, torcia o nariz para as mulheres que fossem ao convento com roupas menos adequadas do que deveriam. Nunca se soube de um destempero seu. Conversava com todos igualmente e todos eram bambinos ou bambinas (menino e menina em italiano). Ria, alegrava e se divertia, dentro das limitações que a idade impunha há tempos, o que não o impedia de trabalhar na área comum do convento.
 
Ontem à tarde não havia tristeza. Freis João e Joaquim Alves cuidavam do jantar a ser oferecido a 40 irmãos da mesma ordem, que chegariam para a despedida. Macarronada, carne com batata e licor de chocolate para “comer” e “beber” o morto. “Não temos que chorar. Será um momento de alegria, de celebração”, disse João.
 

Foto: Cassiano Lazarini/Comércio da Franca

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