Rafael e Getúlio - o vulcão e o vento


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Você explode às vezes? 
 
Pois é, acho que tudo explode às vezes, é natural.
 
Rafael era um vulcão que vivia entre vulcões. Todos adormecidos menos ele.
 
Vez por outra irritava-se e jorrava magma para fora da crosta terrestre sobre tudo ao seu redor. Destruía e tumultuava a paisagem. Coisa boba como a “tagarelice” das aves já o incomodava bastante. Ele ficava pressionado pela irrelevância disso. E então explodia sem nenhum motivo consistente. 
 
Acontece que ele não gostava de explodir. Depois que passava a raiva tola sentia-se muito triste e ficava encabulado com vergonha de todos. Getúlio era o vento que vinha do mar, chegava tranquilo, fresco e brincalhão. Eram super amigos; o vento e o vulcão.
 
Conversavam sobre tudo há milhares de anos, pois tanto os vulcões como os ventos são eternos.
 
Decidiram um dia de maneira firme que não iam mais ficar irritados por pequenezas. Não foi nada fácil para o Rafael essa decisão, mas ele sabia que podia. Getúlio também fazia grandes tempestades e então se deram apoio.
 
Certa vez foi Getúlio que se irritou e quebrou muita coisa sem pensar. As árvores ficaram nuas de folhas e as flores todas despetaladas. Foi uma judiação. Então nesse momento o vulcão que estava acostumado com vez ou outra ficar constrangido foi o amigo. Ele disse estar tudo bem, apenas orientando o vento a não se estressar outra vez por motivos tão sem importância.
 
Rafael consolou Getúlio e o ajudou quando de tristeza e arrependimento o amigo chorou em forma de brisa gelada e neblina. Em outros dias foi o contrário. É isso que amigos fazem, revezam-se em um ajudar o outro.
 
Passaram-se muitos e muitos anos e eles riam alto um do outro. E riam juntos de diversas coisas. Não houve mais explosões e nem tempestades. A terra ao redor do vulcão era sem dúvida alguma a mais fértil do mundo. E à sua volta nasceu em exuberância uma natureza colorida. O vento fazia cosquinhas nas nuvens para que elas chovessem felizes.
 
O som das trovoadas e larvas escorrendo montanha abaixo foi substituído pelo som da amizade que transbordava em forma de gargalhada.
 
Milla Souza

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