Educação financeira


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O IBeGI (Instituto Brasileiro de Estudos e Gestão da Inadimplência) acaba de lançar o quarto volume da série Otimização da Recuperação de Ativos Financeiros. Da nova edição fazem parte 16 estudos, todos relevantes para setor de crédito, mas dois chamam atenção: um sobre educação financeira, e outro, sobre o endividamento das famílias brasileiras. 
 
A Educação Financeira, conjunto de conceitos e práticas que devemos conhecer (e dominar) para gerir as finanças domésticas com senso de responsabilidade e competência, tem sido pouco difundida no país, apesar dos esforços de instituições públicas e privadas em levar adiante, sob coordenação do Banco Central, a ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira. A matéria só começou a ser veiculada no país depois da estabilização promovida pelo Plano Real e com a expansão da ‘bancarização’, isto é, utilização dE serviços bancários por maior número de agentes econômicos que, anteriormente, estavam à margem do alcance dos Bancos. Tramita, há tempos, na Assembleia Legislativa do Estado, projeto de lei instituindo o tema como disciplina obrigatória no ensino médio.
 
Chefes de famílias e demais membros, inclusive crianças, têm obrigação de conhecer os fundamentos da EF para planejar receitas e gastos; e, valendo do orçamento doméstico, estabelecer objetivos, adotar, consumo consciente, conhecer os vilões das finanças familiares — o cartão de crédito e o cheque especial —, ambos de custo (juros) elevadíssimo. Pesquisa feita pelo SPC-Brasil e Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas revela que 80% dos brasileiros não controlam suas finanças! Carência deste conhecimento leva a consumo por impulso, endividamento e comprometimento da renda familiar. Em 2013, na região sul, 76% das famílias estavam endividadas, e no sudeste, 56,3%. 
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP

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