O horário político eleitoral transformou-se, nos últimos dias, em uma verdadeira batalha de foices. O tiroteio verbal, que apenas se esboçava, já é o principal mote das propagandas, na medida em que as pesquisas de intenção de voto são divulgadas. A questão envolve todos os níveis de disputa, principalmente a presidência da República e os governos do Estado, mas chega também à luta por uma das vagas no Senado. Só não envolve os que pleiteiam cadeiras na Câmara dos Deputados e nas Assembleias Legislativas estaduais porque aí os candidatos utilizam o espaço exíguo para vender seu peixe.
Enquanto Aécio Neves (PSDB) agora precisa se preocupar com duas oponentes poderosas, que lideram a corrida pelos votos, de acordo com os principais institutos de pesquisa, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) diariamente trocam farpas e acusações, utilizando-se não apenas da propaganda do rádio e da TV, mas também através da imprensa. A cada dia, acompanhamos um novo duelo verbal. A última: Marina começa a bater firme por causa das denúncias da Petrobras envolvendo políticos da base aliada da presidente-candidata, enquanto a atual ocupante do Planalto afirma que sua oponente é a candidata dos banqueiros.
No meio disso tudo, preocupado em recuperar o protagonismo perdido -- junto com as intenções de voto, que caíram mais de 10% depois da morte de Eduardo Campos -- Aécio atira para todos os lados, o que tem se mostrado inócuo até agora. Caso não surja um fato novo, dificilmente o senador mineiro terá chances de conseguir pelo menos ir ao segundo turno com uma das duas que ocupam as primeiras posições nas pesquisas.
Para se ter ideia do nível da situação, o primeiro ato de desespero da presidente candidata à reeleição, logo após a morte de Eduardo Campos, foi dizer que Marina Silva tinha perfil que poderia dar-lhe o mesmo destino de Jânio Quadros (que renunciou) e Fernando Collor (que enfrentou o impeachment e deixou o governo antes da hora). Porém, ao apontar a inexperiência da adversária, Dilma esqueceu-se do seu próprio currículo de inexperiente quando foi eleita em 2010. Pelo menos Marina Silva já disputou outras eleições, foi senadora e até ministra do governo Lula, ao lado da candidata petista. Mesmo assim, a equipe de campanha da presidente precisou abandonar a tática, por ter Fernando Collor (PTB) como candidato-aliado em Alagoas.
É uma situação que denota todo o desespero de quem há pouco mais de um ano tinha a reeleição como favas contadas. Com a aproximação do pleito, dentro de menos de um mês, acusações e críticas vão aumentar, tendo como epicentro o novo escândalo da Petrobras, envolvendo aliados do atual governo, os números da economia e promessas não cumpridas. Tudo isso tomando conta de um espaço que deveria ser utilizado para proposições e planos de governo. No final, quem sai perdendo é mesmo o eleitor, que irá às urnas sem ter ideia do que o seu candidato irá fazer para tirar nosso País do buraco em que está se metendo.
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