Não há relação entre a atual falta de água e o período seco que atravessamos. A crise de água deriva da baixa quantidade de chuvas na última estação chuvosa (out. 2013 a mar. 2014): foi, na nossa região, cerca de metade da precipitação histórica. Chovesse no corrente mês 250 ou 300 mm — a quantidade de chuvas dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, em nada afetaria a disponibilidade de água superficial ou subterrânea. A oferta de água superficial no período seco depende de quanto o lençol freático foi abastecido no período chuvoso. Encostas ou vertentes são caixas d’água naturais: parte das águas do período chuvoso se infiltra e fica armazenada nos poros dos solos. Depois de alguns meses, escoa em direção a cursos d’água, mantendo-os perenes nos períodos de estio.
Pouca chuva no período chuvoso implica pouca água em córregos e rios no período seco. É possível quantificar a queda na vazão de água nos cursos d’água no período seco através de medições de profundidade do topo do aqüífero freático no período chuvoso. Então, em dezembro ou janeiro é possível saber qual será a disponibilidade de água nos córregos e rios de agosto a novembro.
A escassez de água superficial atual decorre de pouca chuva no último período chuvoso, mas, escassez de água nas torneiras deriva de má administração e falta de planejamento na gestão dos recursos hídricos. Chover metade do usual é incomum, mas sabia-se, podia ocorrer. Em fevereiro, prevista a diminuição na oferta de água superficial, havia prazo para implantar ou ampliar barramentos em cursos d’água para reservação, instalar barreiras subsuperficiais para elevar o lençol freático, perfurar poços profundos etc.
O escoamento das águas das encostas para os cursos d’água segue diminuindo, e atingirá o nível mais baixo no final de novembro e início de dezembro. Então, vai piorar.
Paulo Puccinelli
Engenheiro de minas, consultor em água e solo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.