Titica no ventilador


| Tempo de leitura: 2 min
O mundo político brasileiro entrou em polvorosa, na última sexta-feira, com as primeiras informações a respeito dos depoimentos que o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, vem prestando à Polícia Federal desde o dia 29 do mês passado. De acordo com reportagem da revista Veja, que circula neste final de semana, Costa, preso em março pela Polícia Federal, citou nomes como os dos presidentes da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA).
 
Ele acusa ainda três governadores, em Estados onde a Petrobras tem investimentos: Sérgio Cabral (PMDB), ex-governador do Rio, Roseana Sarney (PMDB), atual governadora do Maranhão, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco e ex-candidato à Presidência da República morto no mês passado em um acidente aéreo. E ainda surgem mais nomes: do Senado, Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do PP, e Romero Jucá (PMDB-RR). Entre deputados, o petista Cândido Vaccarezza (SP) e João Pizzolatti (SC), do PP. O ex-ministro das Cidades e ex-deputado Mario Negromonte, do PP, também é citado.
 
De acordo com a revista, Costa admitiu que as empreiteiras contratadas pela Petrobras tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo destinado à base aliada do governo. Quem fazia ponte com o esquema no PT, segundo Costa, era o tesoureiro nacional do partido, João Vaccari Neto. Como disse o tucano Aécio Neves, candidato à presidência, trata-se de um “Mensalão 2”, onde dinheiro de propina abastecia caixas dois e contas bancárias de políticos que deveriam usar seu cargo para evitar que isso voltasse a acontecer.
 
A fedentina, caso Paulo Roberto Costa consiga provar suas informações (ele garante que tem como, principalmente depois que documentos apreendidos pela PF em sua casa já apontavam para a utilização da Petrobras em negócios escusos), deverá tomar conta de Brasília. Parlamentares da base aliada do governo estão em polvorosa, pois os depoimentos do ex-diretor da estatal não estão poupando ninguém, ao contrário de Marcos Valério, mentor do mensalão que colocou ex-parlamentares e ex-ministro na cadeia. Quem teve acesso às declarações de Costa à PF diz que a bomba pode até mudar os rumos das próximas eleições.
 
Paulo Roberto Costa resolveu abrir o jogo em delação premiada para tentar conseguir se livrar da cadeia. Apenas ele e o doleiro Alberto Youssef ainda permanecem presos no âmbito da Operação Lava-Jato, sendo que sua família também estava ameaçada de ser responsabilizada. Sentindo-se abandonado pelos políticos que ele havia beneficiado no esquema de propinas formado na Petrobras, Costa resolveu jogar toda a titica no ventilador. E, pelo andar da carruagem, desta vez não ficará no ar cheiro de pizza. Do contrário; será um odor nauseante e bastante característico.
 
email opiniao@comerciodafranca.com.br
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários