Cuidar de um cão, mesmo quando o dono dispõe de tempo e espaço, não costuma ser tarefa simples. Quando o tempo é escasso e se vive em um apartamento, o desafio é ainda maior, já que o bichinho precisa se adaptar não só às regras da casa, mas também as do condomínio e da vizinhança. Saber como escolher o cão mais apropriado, evitar latidos e distraí-lo em um espaço pequeno é muito útil para evitar o estresse do cão, do dono e de quem mora ao lado. O adestrador Adoniran Thomaz, mais conhecido como Dino, avisa que o primeiro passo para se ter sucesso nesta parceria é encontrar um animal que seja mais tranquilo e passivo, independente do tamanho. “É claro que é preciso ter bom senso e não colocar um animal de grande porte em um apartamento muito pequeno, mas o principal é o temperamento do animal”, afirma o adestrador.
Dino relata que já conheceu experiências de um dog alemão, que é um cão enorme, sendo criado em apartamento. “É que ele é um cão mais tranquilo e que late pouco. O beagle, por outro lado, que é uma raça de pequeno para médio porte, tem um instinto caçador. Claro que há particularidades, mas, de um modo geral, é um cão que dá trabalho ao ficar muito tempo em um ambiente pequeno.” (veja dicas no abaixo de como escolher o seu cão).
Por menor que seja, o apartamento precisa de pelo menos dois itens para receber o amigo de quatro patas: “refeitório” e “banheiro” separados. “Nenhum animal se alimenta no mesmo local onde defeca e urina. Não adianta colocar num só ambiente a tigela de água, de comida, a ‘cama’ e esperar que o cão faça suas necessidades no mesmo cantinho.”
Após escolher o cão com a predisposição comportamental adequada e seus “cantinhos” de liberdade no apartamento, ainda restam alguns cuidados para que os vizinhos não sejam incomodados. Respeitar as determinações do condomínio é essencial - como circular somente por áreas liberadas, utilizar, quando for o caso, o elevador indicado para animais, entre outras. Fora isso, tornar o cão sociável para que ele não invista de modo afoito aos condôminos também é importante. “Nas áreas comuns do prédio circulam idosos, crianças e pessoas que não gostam muito de animal. A dica é levar sempre alguns biscoitos no bolso. Quando alguém se aproximar querendo brincar, dê à pessoa um biscoito para que ela entregue ao cão. Assim ele vai associar estranhos a uma coisa boa e não se incomodará com eles.”
Mas há um alerta: “se o cão for agressivo com alguém, não o coloque no colo ou fique afagando para tentar acalmá-lo. Ele vai entender esse carinho como recompensa e isso vai reforçar o comportamento agressivo. O ideal é repreendê-lo.”
Como escolher um cão
Como já foi dito, o tamanho do animal não é o mais importante, desde que haja bom senso. A dica para escolher o cão mais apropriado, é realizar alguns testes comportamentais antes de levar o filhote para casa. “O melhor é que um profissional realize os testes mas, se não for possível, decida primeiro se prefere macho ou fêmea. Depois disso, fique um tempo sozinho com o animal, longe dos irmãos dele e da mãe. Observe seu comportamento: se tende a ser mais tranquilo, ativo, agressivo ou anti-social”, sugere o adestrador Dino. O melhor é que possua um temperamento passivo. Outra dica é não separar o filhote da mães antes de dois meses. “Os pet shops costumam vender animais a partir dos 45 dias, quando há o desmame, mas isso não é bom. O filhote é separado da mãe antes de aprender noções de limite e hierarquia.”
Como lidar com sujeira e latido
O primeiro passo para lidar com a sujeira é separar o ambiente de alimentação do de defecação. Depois, recomenda-se o uso de produtos, comuns em pet shops, para indicar os locais onde o animal deve fazer suas necessidades fisiológicas. “Enquanto o ‘pipi-pode’ (produto) solta um odor atrativo para o cão, o ‘pipi-não-pode’ apaga o rastro de onde ele urinou. Isso ajuda o cão a entender onde ele deve ou não se ‘aliviar’”, disse Dino. Quanto ao latido, além de escolher um cão de temperamento calmo, o comportamento do dono é essencial para coibir os latidos. “Não é recomendável se despedir com carinho e tom de voz fofo do cão quando sair de casa. Isso deixa o animal ansioso e estimula o latido. O ideal é deixar um agrado, como comida, virar as costas e sair. Isso faz ele entender que não está acontecendo nada demais, que o seu dono vai voltar”.
Como adaptar um cão a um ambiente pequeno
Quando o cão não é, desde filhote, acostumado a viver em apartamento, e se vê obrigado a ‘morar’ em um, a transição pode ser traumática. Para evitar maior estresse ao bichinho, a rotina do animal deve ser alterada com antecedência. Uma das recomendações é, cerca de um mês antes da mudança de casa, começar a restringir seu território, acostumando-o em um canil - ou em um ambiente menor da casa - e passeando com guia curta. Se o temperamento do cão for mais caseiro, o dono não deverá ter problemas depois que estinver no outro endereço. “Antes de me mudar para o apartamento, vivi em uma casa com a Mel, minha shih tzu. Ela se adaptou super bem ao apartamento porque já era quietinha antes. Acredito que a raça e o temperamento dela contribuíram mesmo para a adaptação”, contou a técnico em saúde bucal, Gislaine Silva.
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