O candidato ao governo do Estado pelo PSol, Gilberto Maringoni, participou na quarta-feira, dia 27 de agosto, da série de sabatinas promovida pelo GCN. Por cerca de uma hora e meia, discutiu suas propostas para o Estado de São Paulo. Entre elas, Maringoni defende a reestatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) como meio para melhorar os investimentos no abastecimento de água. Também quer suspender os contratos de concessão das estradas do Estado para conter o preço dos pedágios, que classificou como um verdadeiro assalto.
Sobre segurança, Maringoni disse que o caminho para baixar os índices de criminalidade é investir em desenvolvimento social e educação.
Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Quero ser governador porque existe um tema que está fora da agenda das eleições que é o seguinte: nós vivemos nos anos 1990 um processo selvagem de privatizações que resultou na venda da Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista), nas concessões das estradas, na venda do Banespa (Banco do Estado de São Paulo), que vinha desde os anos 1920, e de parte da Sabesp. Essas vendas foram feitas sob a alegação de que os serviços iriam melhorar porque abriria concorrência entre as empresas e de que os preços iam baixar e o governo poderia investir em educação, saúde, transporte e segurança, que são questões básicas. Passados 20 anos nada disso aconteceu. Os serviços estão mais caros e a qualidade piorou e não houve investimento nos serviços básicos como a gente pensa. Colocar esse ponto em pauta é a grande síntese da minha proposta de governo.
Na área de educação a maioria dos candidatos tem como proposta o fim da progressão continuada. Qual a sua opinião a respeito desse sistema e, se eleito, o senhor pretende alterar o que vigora atualmente?
Essa questão virou o grande mantra, o grande alvo dessa eleição, como se o fim ou o começo dela fossem resolver o problema educacional do Estado de São Paulo. Não vai, e isso é uma grande ilusão. A progressão continuada foi feita com um propósito generoso e justificável. Nas escolas públicas, especialmente entre as famílias de baixa renda, quando você tem reprovação ano a ano há uma grande evasão nas escolas. As crianças saem das escolas. No final do primeiro se ela reprova, ela volta a fazer o primeiro ano. Se reprova de novo, o pai tira da escola para trabalhar. É uma situação muito complicada. Isso foi ideia de uma educadora argentina para dar oportunidade às crianças, para que elas permanecessem na escola. Só que tem um problema. Isso também não soluciona o problema da educação porque não é esse o ponto nevrálgico. O ponto nevrálgico é o investimento em qualidade. Como é isso? É investir no capital humano, em professores e funcionários, com planos de carreira, fazendo com que o professor dê menos aulas para se sustentar, que ele possa se dedicar ao ensino, corrigir provas, preparar suas aulas. Atualmente os professores que começam ganhando o piso, de R$ 2.200, trabalham em duas ou três escolas, não têm tempo de preparar aula, de aplicar a prova. Como são as provas, então? São testes. Ninguém mais escreve e quando sai uma avaliação que mostra que os alunos não têm uma boa fluência em português é porque eles não estão escrevendo. É preciso remunerar melhor os professores. As escolas precisam ser equipadas. Escolas sem biblioteca e sem laboratório não funcionam. Por mais que digam que pode ser feito digitalmente ou por experiência virtual, não pode. Investir nos professores, equipar as escolas e estabelecer planos de carreira. Depois a gente pode discutir educação continuada ou não.
Em relação às universidades, que estão em greve há meses, o senhor comentou em seu site que o PSDB é o principal responsável pela crise enfrentada por USP, Unesp e Unicamp. Quais são suas propostas para o ensino superior em São Paulo.
Nós temos em Franca um campus da Unesp, então a cidade conhece essa realidade. A USP tem 80 anos, a Unicamp tem 45 anos e a Unesp se espalhou a partir do final dos anos 1980. O PSDB está há 20 anos no poder e nesse tempo já dá para dizer o que você quer das suas universidades públicas. Elas têm uma característica que poucas universidades particulares possuem, que é ensino, pesquisa, que é a possibilidade do professor e do aluno expandirem as fronteiras do conhecimento nas mais diversas áreas, e extensão, que são cursos e serviços para a comunidade. O que é mais caro em uma universidade pública é a pesquisa, porque você tem que manter o professor e o aluno trabalhando e isso custa caríssimo; é um investimento de longo prazo. O que está acontecendo? Nós estamos passando por uma crise que os especialistas chamam de subfinanciamento. Falta dinheiro, falta orçamento para as universidades, que são mantidas com 9,5% do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). As universidades cresceram muito e a dotação orçamentária não aumentou. É preciso aumentar a dotação porque daqui a pouco vamos chegar naquela lógica de botequim: o movimento cai e eu dispenso um garçom, depois um atendente. Fazer isso com a universidade pública é matar a inteligência do futuro de São Paulo e a instituições privadas não estão preparadas para suprir isso. A comunidade acadêmica está mobilizada para chamar a atenção da sociedade para isso.
E qual a opinião do senhor para o sistema de cotas na seleção de estudantes universitários?
Eu sou totalmente a favor, tanto das cotas raciais quanto das cotas sociais, para o aluno que vem da escola pública. Nós temos uma desigualdade de oportunidades. As cotas são uma solução temporária.
O senhor fala sobre a unificação das polícias civil e militar. Na prática, o que isso deve significar? Além disso, qual a diferença entre a unificação que o senhor propõe e a integração que é tratada pelos seus adversários?
Alguns candidatos falam em criar uma terceira força. Nós temos a Polícia Civil no âmbito do Estado, e a PM, com um total de 140 mil policiais. A PM é maior e a civil é menor. Nós temos uma sobreposição de trabalho, às vezes uma investigação feita por uma é um duplo trabalho, às vezes uma faz diligência, a outra faz investigação do mesmo caso, é um ‘sobretrabalho’, é um trabalho desperdiçado. A unificação acaba com a competição entre as polícias e dá uma coordenação em um comando único para isso. Não basta integrar, você deve caminhar para a unificação e aí sim integrar a polícia e as guardas civis municipais para que o trabalho seja eficaz e eficiente. Mas nós temos que fazer outra coisa, que é desmilitarizar a PM, desmilitarizar é seguinte: na época da ditadura foi criada uma polícia, que é a PM, subordinada ao alto comando das forças armadas. O exército, as forças armadas têm uma seguinte visão, que é justa: eles combatem os inimigos do país, invasores e quem está além-fronteiras, esses são os inimigos “se eles invadem o meu país, eu vou eliminar”. Agora a polícia trabalha com a cidadania aqui dentro, não pode ver a população como inimiga, a sociedade precisa da policia e a policia precisa da sociedade. O cidadão deve ver a policia como um auxiliar e não ter medo quando vê um guarda pela frente.
Em relação ao aumento de pena dos menores, o senhor é favorável?
Acho que quem cometeu um crime tem que passar por algum tipo de reeducação, tem que ter punição, agora, as cadeias hoje, isso todo mundo fala, é uma escola de crime. O PCC que surgiu há mais de uma década aqui em São Paulo surgiu onde? Surgiu pelas péssimas condições carcerárias no Estado de São Paulo. Como é que vai acabar o PCC? Vão prender todo mundo? As lideranças do PCC estão todas presas, a solução não está dando certo. Nunca se construíram tantas penitenciárias em São Paulo. Nunca a PM foi tão violenta e a criminalidade continua alta. Alguma coisa está errada nessa fórmula. Não é a minha campanha, não sou eu que estou falando, a sociedade precisa debater o porquê do aumento da repressão não estar funcionando, não estar se revertendo em redução significativa da criminalidade.
Candidato, o senhor diz que os programas sociais são as soluções para o controle da criminalidade. Mas essa medida só causa um efeito a médio e longo prazo. Hoje, os menores estão nas ruas, traficando, matando roubando e a população espera uma resposta. O que é possível fazer de imediato?
Essa questão está muito ligada à redução da maioridade penal, se a gente achar que a redução é a solução, nós vamos dizer o seguinte: “reduz de 18 para 16, aí a criminalidade diminui”, eu posso responder o seguinte: “ Então quer dizer que de 18 anos para cima, que a penalidade é pesada, há menos crimes cometidos por pessoas da cidade? E os crimes são todos cometidos por menores?”. Não! Existem também crimes entre menores, agora claro que são soluções de longo prazo, só que esses problemas foram gerados a longo prazo. É preciso ter policiamento, não estou negando que deva haver policiamento, é preciso ter internação, é preciso ter encarceramento, quando é o caso, mas só isso não resolve. O que eu estou dizendo é que é muito trabalho, muita responsabilidade para a polícia, jogar nas costas dela todo o problema da segurança. Nós precisamos ter outras soluções além da policia. Estou querendo fazer mais coisas do que os meus oponentes falam, e não menos. Tenho que lidar com isso, com condições de direitos humanos, não é por ser bonzinho com bandido, como muita gente fala, é porque não resolve. O PCC, eu insisto, surgiu nas cadeias de São Paulo por causa das péssimas condições carcerárias. Fiquei sabendo agora que a sigla PCC vem também daí, não é só “Primeiro Comando da Capital”, é também “Péssimas Condições Carcerárias”. Isso não resolveu, não adianta eu massacrar o preso, que ele vai se rebelar, se ele que não se rebela, o amigo ou o irmão que está fora se rebela. É preciso ter uma ação global contra a criminalidade. Por que a pessoas viajam para Paris, para Londres e falam: “Ah, que maravilha, não tem crime aqui!”? Lá a policia é mais violenta? Não, é porque a polícia é menos violenta é porque você tem condições de renda, de emprego, de oportunidade.
Desde as manifestações do ano passado, muito tem se falado sobre o transporte público. O senhor defende um maior subsídio por parte do Estado. O que isso significa para o usuário do transporte?
Franca tem uma das tarifas mais altas do Estado, R$3,10, é mais alta do que em São Paulo e em várias cidades de muito maior porte. O que nós temos que fazer é o problema da privatização dos transportes. São Paulo tem a Companhia Municipal de Transporte Coletivo, criada em 1953, não foi criada por ninguém de esquerda, foi pelo Jânio Quadros, que era um prefeito conservador. Ele queria que a área central da cidade fosse servida por uma companhia pública, que operaria o sistema e ligaria os principais pontos da cidade, e a iniciativa privada ligaria as rotas periféricas. Porque aí você controla o sistema, sabe qual é o preço, você pode competir com a iniciativa privada para que o preço seja menor. Quando você coloca uma empresa privada o principal objetivo é o lucro, você coloca o lucro em um serviço público. Não tem problema. A Sabesp é lucrativa e tem que ser, agora o lucro tem que ser revertido em melhorias do sistema. O lucro privado, e é um direito do dono privado, pegar o lucro pra ele, para fazer o que ele quer. Precisamos ter subsídios, mas com um transporte que parcialmente tenha controle do Estado e do poder público. Senão vamos ficar à mercê das empresas do monopólio, de cartéis, como acontece aqui em Franca. Até tem um movimento aqui, contra a São José, sobre essa questão que parece que ganha alguma peso, alguma força.
O senhor participou das manifestações de rua. Considera essas manifestações uma forma eficaz de promover mudanças? Como avalia o uso de violência em algumas manifestações?
Defendo todas as manifestações legítimas maciças, pacíficas. Até hoje, nós estamos podendo debater aqui, com liberdade, com democracia, porque nós todos somos produtos das maiores manifestações sociais e populares da historia do século XX no Brasil, que foram as Diretas já. A maioria das pessoas aqui que tem menos de 30 anos não viveu, mas conhece. As Diretas já foram milhões de pessoas em São Paulo, no Rio de Janeiro, no interior do Estado, em vários Estados reivindicando o direito de votar para presidente e o fim da ditadura. Não houve repressão. As manifestações de protesto, pacíficas, fazem parte da democracia, são legítimas. O que a PM fez em São Paulo foi uma brutalidade contra uma movimentação justa contra o aumento na tarifa. Tanto era justa, que o governador do Estado, o prefeito e vários prefeitos pelo Brasil baixaram os preços das tarifas, a elevação estava muito alta. A polícia não pode lidar com as manifestações como se fosse um exército lidando com o inimigo do país. A Polícia tem que ser mais do diálogo, ela tem que conter excessos, claro, mas ela não pode agir com esse nível de violência contra movimentos sociais e contra a periferia que tem uma vulnerabilidade.
O senhor acredita realmente que o diálogo seria suficiente para evitar uma quebradeira? E o que o senhor pensa dos Black Blocs?
O meu partido é constantemente ligado de maneira errônea, de maneira falaciosa (aos Black Blocs), mas o Psol não tem nenhuma ligação com os Black Blocs, eu pessoalmente sou contra os Black Blocs. O que o Brasil ganha com a depredação de orelhões? O país não melhora, o país piora.Esse tipo de ação individual é condenável, não pode acontecer. Muitas vezes, quem está quebrado não é o jovem revoltado, muitas vezes é um policial provocador. Eu pude ver isso nas manifestações do ano passado, até o nosso Plínio de Arruda Sampaio, que era a figura pública mais conhecida do Psol, aos 83 anos, foi nas passeatas. As passeatas eram pacíficas, eu levei minha filha de 15 anos. Eu vi a ação de provocadores contra a polícia, que deviam ser parte da própria polícia, desatar essa repressão violentíssima. Colegas nosso, eu também sou jornalista, teve uma jornalista que perdeu um olho, um fotógrafo amigo meu está com um problema na perna por uma bomba que explodiu na perna dele. A quebradeira é condenável, mas é muito mais condenável a quebradeira que a polícia faz em cima de pessoas. Isso não tem nada a ver com conter excessos. O diálogo nesses movimentos pacíficos é a melhor maneira, se não a gente não teria tido as Diretas já. Se a gente tivesse a PM como tem hoje, na época da ditadura, a gente não estaria aqui conversando livre e abertamente em um veículo de comunicação.
Candidato, a Santa Casa de São Paulo se viu recentemente obrigada, por falta de recursos, a suspender atendimentos no pronto- socorro. Cortes ao atendimento na Santa Casa de Franca também ocorreram. Quais são suas propostaspara resolver a crise financeira enfrentada pelos hospitais filantrópicos?
Primeiro eu sempre quis entender essa história de hospital filantrópico. Nunca consegui entender como existem, no mundo real, organizações que empregam dezenas de pessoas, que não não têm fins lucrativos, como se o lucro fosse pecado na nossa sociedade. Porque o lucro é legítimo para você reinvestir no negócio, sem fins lucrativos você não consegue nem crescer. São entidades que maior parte das vezes tem muita gente honesta, mas tem uma parte que recebe repasses públicos e não presta contas. A Santa Casa de São Paulo, eu estava lendo matérias, mostrando como a gestão dela é pouquíssimo transparente, é como uma caixa preta, ela chega uma hora que explode, mas explode com o rombo de 320 milhões de reais, um rombo deste tamanho não foi criado na última semana. Como é que essa gestão de uma entidade sem fins lucrativos que chega a esse rombo, não é culpa do SUS, não pode ser, será que ela só depende do SUS? Então nós temos que ter uma política de só construir hospitais públicos, e tem dinheiro para isso.
Ainda em relação à saúde, o senhor defende a estatização da Santa Casa de Franca e de outras no Estado também ou não?
Não, precisamos ver caso a caso. Defendo que o Estado tem que construir uma rede pública maior, porque na Constituição, quando foi criado o SUS, lá em 88, artigo 293 da Constituição, eles estabeleceram uma política ótima que é a seguinte, todo brasileiro tem direito a um atendimento de saúde. Antigamente, só quem estava no INPS, quem estava empregado e de carteira assinada é que tinha esse direito, o SUS não, todo brasileiro tem, só que o Estado não tinha equipamentos, hospitais, equipes, para atender, então a Constituição colocou o seguinte, o atendimento será feito pelo sistema público e por terceiros, o sistema privado. Então a gente tem que ver caso a caso, ver o caso da estatização, ver como está funcionando, agora o principal é o seguinte, quem recebe o dinheiro público não pode ter uma gestão pouco transparente, têm que ser abertas essas contas a todo momento, não é só para o governo, é para a imprensa, para a sociedade, para quem quiser ir lá verificar.
Qual será sua política para o tratamento de dependentes químicos?
Temos que ver isso como uma questão de saúde pública, você tem que ter atendimento para aquelas pessoas usuárias das várias drogas, principalmente o crack que é uma chaga na nossa sociedade. Tem que ter uma política paulatina de descriminalizar algumas drogas e a gente vê o seguinte, o usuário não é o criminoso, muitas vezes a pessoa que depende de uma droga não está cometendo um crime, o traficante sim, e o crime tem que ser combatido, e seguir muito de perto essa experiência que está sendo feita no Uruguai que é de descriminalizar a maconha e de, possivelmente, ver a descriminalização de outras drogas. Muita gente pensa que descriminalização é você liberar geral, você vai para o Uruguai e está todo mundo fumando maconha no meio da rua e é exatamente o contrário, pois para você comprar maconha você tem que cadastrar seu nome nos locais públicos, ou seja, o controle é maior e afasta a criminalidade do tráfico de drogas leves.
No ano passado alguns ataques foram registrados em São Paulo e em outras partes do país contra homossexuais. Qual a opinião do senhor sobre tornar crime esse tipo de perseguição?
No Brasil demos alguns avanços, criamos em 1950 a Lei Afonso Arinhos que criminalizou o racismo, não pode haver discriminação de etnia porque a pessoa é negra, amarela, branca, de jeito nenhum, isso é crime. Seja por não dar vaga em um emprego, seja por não dar vaga em uma escola, seja por atendimento na área de saúde, nós temos que dar um passo na saúde. As pessoas, os homossexuais, os LGBTs, elas têm a opção sexual que querem, as pessoas querem ser felizes, amar da maneira que se sintam mais realizadas, qual é crime disto? Então essas pessoas têm que ter o direito à união civil, a união estável, ou seja, o direito de herança, agora, a discriminação, seja não dar emprego, seja não atender, seja por assédio moral, tem que ser crime, pois estamos falando de uma questão de direitos humanos, porque se não vamos achar que as pessoas são diferentes porque pensam ou agem diferentes de nós, e elas querem apenas amar cada um a sua maneira, e isso é bonito, isso faz parte de uma sociedade que se entende como democrática.
Franca é um polo calçadista e o Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca avalia que devemos fechar o ano com 5.000 vagas de emprego a menos. Quais são as propostas para melhorar as condições de trabalho no setor?
Franca, desde que eu sou criança, é um polo calçadista, Franca é um polo da indústria calçadista e essa indústria desde 1990 vem sofrendo uma queda de vendas e de produção, e vem sofrendo muito com isso, porque em 1990 abriram-se as fronteiras brasileiras para a importação do calçado chinês, que chega aqui muitas vezes com preço menor que o preço de custo do calçado produzido aqui dentro. O problema hoje da crise calçadista não é um problema do governo do Estado, apesar de o governo do Estado poder ajudar a resolver, o problema é o seguinte, o problema é da política econômica do governo federal. Para acabar com a inflação atrelamos o real ao dólar, os produtos brasileiros estão muito caros para serem exportados e estão muito baratos para nós importarmos, quem compra vinhos no supermercado sabe, de uns anos para cá os vinhos argentinos, chilenos que são ótimos estão muito baratos, e os sapatos também, e isso está fazendo uma concorrência predatória com a indústria calçadista de Franca. É um problema do governo federal que o governo estadual tem que incentivar para que não haja, não só a queda da produção, a desindustrialização, mas esse drama humano, essa chaga do desemprego.
Qual avaliação o senhor faz da gestão do atual governador Geraldo Alckmin?
Acho que o governador Geraldo Alckmin, embora seja uma pessoa muito simpática, muito agradável, pois ele sempre me trata muito bem, tem um passivo muito grande na gestão do Estado de São Paulo, ele está há vinte anos no governo, ele entrou como vice do governador Mário Covas em 94, depois assumiu com a morte do governador, se elegeu a primeira vez, foi secretário da gestão de José Serra entre 2006 e 2010, continua no governo e quer se aposentar. Eu acho que já deu, a crise da água, a crise dos transportes no município de São Paulo não é tão sentida no interior, essas crises que estamos tendo nas universidades públicas, o problema sério na educação, quer dizer o seguinte ‘está tudo bom, o governador está bom, mas chega, nós precisamos mudar uma série de políticas suas’, então não é uma boa avaliação e é uma gestão muito pouco transparente. A Assembléia Legislativa tentou montar uma série de CPIs nesses vinte anos para investigar casos de corrupção e não consegue efetivar.
(pergunta do internauta Cléber Oliveira) Candidato, nos Estados Unidos as viaturas policiais têm câmeras que gravam a ação da polícia. O senhor se compromete a adotar essa política no Estado de São Paulo caso eleito?
Posso até adotar, mas essa não é a questão central, nós precisamos reequipar, entre o equipamento da polícia pode ser que haja a questão das câmeras, mas especialmente requalificar os policiais, treinar os policiais para que tenham uma conduta cidadã. A polícia americana tem uma série de tecnologias, mas nós estamos tendo nos Estados Unidos nos últimos dias, uma série de protestos maciços. A polícia deve ser mais cidadã.
No ano passado, o governador Geraldo Alckmin tirou o telefone de emergência da polícia militar, de Franca e centralizou o atendimento em Ribeirão Preto, a 100 km de distância. Como o senhor avalia essa medida? E qual será sua atitude sobre a questão, caso seja eleito, mantém a medida ou volta atrás?
Quanto mais os serviços públicos estiverem perto dos cidadãos melhor, então precisamos aumentar o número de centrais de atendimento, senão ficamos naquela coisa, uma central de atendimento congestiona e o 190 da polícia não pode ter demora, pois são casos extremamente urgentes, e isso acontece em vários serviços públicos. Não estou dizendo que é a mesma coisa, mas qualquer serviço que utilize uma central de atendimento, seja de telefonia, de internet, sabe o que é uma descentralização, muitas vezes você vai ligar para uma central e tem alguém falando do Rio Grande do Sul, do Nordeste, pois eles instalam as centrais onde os salário são menores, isso não pode acontecer, essa questão tem que ter investimento, isto é enxugamento do Estado, muita gente pensa em apenas cortar gastos e, nesse caso, se cortar gastos piora o serviço.
(pergunta do internauta Lucas) Qual sua proposta para conter a violência dentro do ambiente escolar?
A violência no ambiente escolar existe em várias gradações, a violência no ambiente escolar é a violência da sociedade, ela não acontece só na escola, acontece na escola, pois a sociedade é violenta. Temos depredações nas escolas, agressões muitas vezes feitas a professores, muita gente acha quer acabar com a progressão continuada. Isso acaba? Não acaba. Antigamente, quando não existia progressão continuada, isso também existia. Precisamos, entre os equipamentos que as escolas têm que ter, tem que haver o policiamento para proteger e as escolas têm que incentivar a participação dos pais no mundo escolar. A escola não pode ser um corpo estranho em um bairro, ela tem que ser uma parte integrante da população, para que todos vejam a escola como um lugar onde seus filhos e netos vão para se educar e crescer.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.