O candidato a deputado estadual pelo PSB, Luiz Carlos Vergara, esteve no auditório “Jornalista Corrêa Neves” na terça-feira. Ele defendeu maiores investimentos na área da saúde e atacou o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB). Foi enfático ao se defender das acusações de usar os problemas na contratação de educadores de creches como meio de ganhar votos. Disse que não foi irresponsável e que jamais será um político omisso.
Por que o senhor quer ser deputado?
Como deputado quero mostrar a diferença. Nós precisamos e 80% da população quer mudança. Não podemos mais aceitar candidatos que não tenham compromisso com a população, com a cidade. Não podemos mais aceitar candidatos que estão acima do povo, acima do eleitor. Como deputado, com certeza, estarei abaixo do povo e serei a voz do povo de Franca. Sempre fui humilde e a humildade está sempre em primeiro lugar. E é por isso que eu quero ser deputado: para representar Franca e o Estado de São Paulo.
O senhor foi eleito vereador em 2012 e agora, um ano e meio depois, o senhor se afasta para concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. O senhor acha justo abandonar um mandato pela metade? O que o senhor dirá aos seus eleitores?
Precisamos caminhar. O Brasil precisa das alternâncias e das oportunidades. Fui eleito não com os meus votos apenas, mas com um conjunto de votos do partido e a minha suplente com certeza colaborou muito para a minha eleição. Isso não é um abandono, é a continuidade. A Fátima (das Fraldas) está exercendo o seu papel, da sua forma e do seu jeito. E o meu afastamento da Câmara é porque eu não queria ser nem meio vereador nem meio candidato.
Quando o senhor se afastou, citou essa mesma frase: “não quero ser nem meio vereador nem meio candidato”. Como o senhor avalia a atitude de cinco outros colegas, também candidatos, que continuam como vereador?
Não podemos continuar usando a estrutura do Legislativo para ser candidato, que é uma vontade minha e uma vontade do meu partido. Se o meu partido me escolheu ele tem que assumir a responsabilidade dessa candidatura e eu não posso dividi-la de maneira alguma com a estrutura do Legislativo. Esse é o meu pensamento e eu não condeno os demais. É um pensamento meu e do meu partido.
Sua atuação como vereador tem sido de oposição. Na disputa eleitoral no Estado de São Paulo, seu partido coligou-se ao PSDB. Márcio Franca, que é o presidente estadual do seu partido, é candidato a vice, junto com o governador Geraldo Alckmin. Se eleito, o senhor será da base aliada ou da oposição?
Na realidade, não sou oposição nem situação. Não sou omisso. Há uma grande diferença e precisamos aprender isso. Votei todos os projetos do prefeito Alexandre Ferreira e votei contra alguns projetos, por entendermos que era um projeto ridículo para Franca e que não iria contribuir em nada para a cidade. Estar hoje no Governo Alckmin é pensar em melhorar. Sabemos que ele tem um governo equilibrado, haja vista as pesquisas que mostram isso. A nossa unificação, indicando o vice-governador ao Geraldo Alckmin, significa que vamos melhorar São Paulo.
Qual sua avaliação sobre o desempenho dos deputados em exercício por Franca?
Na realidade acho que é complicado fazer essa análise. Me pergunto a cada dia: “qual foi a participação ou manifestação dos nossos representantes, quando fecharam o estacionamento do Centro?” Que trouxe um prejuízo para o comércio, para o consumidor e elimina postos de emprego, ninguém falou nada? As pessoas precisam viver a vida da cidade, precisam se manifestar. É por isso que quero ser deputado, quero viver a vida da cidade, das pessoas e emitir minha opinião. Não sei o que essas pessoas pensam da pior saúde que nós temos na cidade de Franca, precisamos melhorar. Na atualidade não dá para avaliar pessoas que não emitem sua opinião de tudo o que está acontecendo na cidade. É muito ruim isso e pode ter certeza, a população, que serei um homem presente, ouvindo as pessoas, as entidades e querendo levar essa informação à Assembleia Legislativa, diuturnamente.
A Câmara fez esse papel, já que os deputados não fizeram? O senhor acredita que sua atitude na Câmara foi a correta para não permitir esses cortes de vagas nos estacionamentos do Centro, ou a câmara deveria ter agido mais?
A Câmara, acredito que errou. Precisamos chegar ao ponto da independência, mas a independência real, não é independência em momentos de interesse, precisa ser independente. A Câmara errou por que não foi independente, naquele momento em que a Câmara estava lotada, com seus 300 representantes do comércio, dos trabalhadores, enfim, o líder do governo foi lá dizer o seguinte: “Nós estamos preparando uma alternativa”, onde está essa alternativa? Comerciante olhou de lado para mim, e hoje reconhece que eu estava certo de que nada iria acontecer e está pagando aí, a receita da cidade. Nós temos perda de postos de trabalho e o nosso consumidor tem que ir estacionar a dois, três, quatro quarteirões do centro. Então, há um prejuízo geral e costumo dizer o seguinte: “quando o poder público não pode ajudar, é melhor ele não intervir porque ele vai atrapalhar”.
O senhor falou em fiscalizar o prefeito e foi o presidente da comissão que investigou a tarifa de ônibus em Franca. Qual sua opinião sobre o preço da tarifa e quais são suas propostas sobre o tema?
Fizemos uma investigação, detalhamos, coisa que não era novidade. Pura e simplesmente, eu acredito que foi o grupo GCN que buscou essa informação que ficava ás escondidas, processo administrativos sendo abertos, informações de descumprimento do contrato, e pura e simplesmente demos continuidade disso, apuramos todas as irregularidades no contrato e pura e simplesmente, na calada da noite se faz um termo aditivo. Para nós isso é muito ruim, mas com toda a certeza, saiu (sic) três relatórios. Os três falam em irregularidades no contrato da concessionária do transporte coletivo, isso é ruim para as pessoas que têm um transporte de má qualidade e o preço da passagem o mais caro do Brasil. E eu tenho uma análise, a passagem de Franca deveria ser R$ 2,70. O que o prefeito fez, que é o executor de fazer a empresa cumprir a desoneração do PIS/Cofins? Nada, não fez nada. O que o judiciário fez? Absolutamente nada. Mas lá no meu relatório indica que deveria sim. Na realidade a concessionária teve reajuste, não obedeceu à desoneração e ficou com o mesmo valor e agora é premiada com outro reajuste, a maior tarifa do Brasil. Péssimo. E vou mais além, o prefeito não está preocupado com o transporte público, que é um direito social, deveria se preocupar. A gratuidade legal deve ser mantida, mas o subsídio do município, todos os municípios, está tirando isso das costas dos usuários do transporte coletivo. Indiquei R$ 12 milhões para suportar essa gratuidade anualmente, um milhão por mês e aí se compra (sic) prédios abandonados, prédios caindo, a qual custo? Alto. Vocês que fazem parte da imprensa e do dia-a-dia, que acompanham, sabem de quais prédios estou falando, caríssimos e não se investe na melhoria do transporte público.
O senhor tem experiência como secretário municipal da área e tem dito que o problema na prestação dos serviços de saúde em Franca não decorre da falta de dinheiro, mas da ausência de gestão. Por que o senhor faz essa afirmação? E quais são suas propostas para a saúde?
A falta de dinheiro é o prefeito que está dizendo, ele não precisa de dinheiro nem de emendinha. Acho que a saúde precisa cada vez mais de investimentos. Acho que o governador Geraldo Alckmin fez para a Santa Casa, investir na área hospitalar R$ 27 milhões, no ano, é super positivo, ele só não soube fazer isso através de um orçamento, determinar onde iria indicar a verba. Há má gestão porque esse prefeito é ditador, essa secretária que está lá hoje, é uma das pessoas que mais conhece de saúde técnica médica, mas não tem o direito de trabalhar, tem que pedir bênção para ele ou ele se implantar com o gabinete dentro do pronto-socorro e ficar vigiando a pessoa. Ele teve a oportunidade, sete anos, a saúde deveria ser o espelho desse prefeito. Não aprendeu nada, ele não sabe nada de saúde e então a gestão está pura e simplesmente tumultuando a saúde que poderia ser um pouco melhor e isso colocando seu gabinete dentro do pronto-socorro, dentro de secretarias e todo mundo sabe disso, porque ele quer mandar sozinho, ele teve essa oportunidade dentro de sete anos, de ser um melhor secretário, de lapidar a saúde e ter uma saúde de qualidade.
E na prática qual seria a solução? Quais são as propostas concretas do senhor?
Primeiro precisa valorizar, qualificar os profissionais desmotivados. Segundo, falar nos trabalhadores, você pegar todos os segmentos, desde a copa, a cozinha, o profissional técnico em enfermagem e médico, valorizar. Aí vamos ter uma saúde diferenciada. Terceiro, aceitar os programas de outros partidos, não é porque é do partido X, do governo federal, que eu não vou aceitar, tem que fazer parceria e tem que ter projeto. Eu trabalhei na capitação de recursos da Santa Casa e trouxe R$ 10,9 milhões e ninguém fez propaganda. Não fiz isso porque queria ser candidato, não, era obrigação minha. Fiz isso como funcionário, com apenas meu salário, não tinha percentual nenhum. Então falta mesmo gestão, planejamento, pensar o que quer da saúde. PSFs totalmente desestruturados, os funcionários fazem o possível. AME, uma boa novidade, mas precisa ser bem aproveitado.
Na área de segurança, o senhor tem criticado a falta de efetivo das polícias em Franca. Segundo dados do governo, nos últimos 20 anos, a região de Franca perdeu quase metade dos policiais civis; eram 500 e hoje são cerca de 250. Qual sua proposta para aumentar o número de policiais?
A questão de segurança precisa ter começo, meio e fim. Primeiro, estamos pecando. Fui ao Ministério da Justiça e discuti a questão do monitoramento. Digo que precisamos auxiliar as polícias. Começa no município que tem de fazer sua parte, monitorar a maioria das ruas das cidades. Os pontos de fuga da cidade, isso é um ponto fundamental. Isso não tem, o prefeito tem feito muito pouco em relação aos projetos. Segundo, a unificação das ações da polícia é necessária, não tenho dúvida nenhuma. No caso da perda de efetivo, precisa investir, o governo estadual fala que gasta R$ 17 bilhões, como deputado vou pegar esse orçamento, saúde e segurança e mostrar ponto por ponto. Por que nós estamos perdendo? Paga mal, e quando disse para você que estou junto do governo do Estado, não é para piorar, é para melhorar, precisamos melhorar o salário da polícia. Ninguém vai enfrentar bandido com essa grande diferença, armado e metralhadora e revolver na cintura, essas diferenças precisam ser equilibradas. E investir nas polícias, investir na questão salarial.
Caso o senhor seja eleito, qual será seu primeiro projeto na Assembleia Legislativa?
As Santas Casas precisam ter um tratamento independente do seu tamanho e número de leitos, elas precisa, e têm função. Por exemplo, Patrocínio Paulista, no passado, tinha um hospital referência para cirurgias eletivas. Pedregulho é referencia de leitos, Igarapava poderá ser internação para dependentes químicos. Não há dúvida de que nós vamos trabalhar junto com o governador, porque não cabe apenas a vontade do deputado para melhorar a questão da contratualização e as Santas Casas sejam vistas com um outro olhar. Ela são importantes na questão hospitalar para todo o Estado, a contratualização será minha primeira ação.
Qual a opinião do senhor em relação à internação compulsória de pessoas viciadas em drogas? O senhor defende a liberação da comercialização das drogas?
Vamos começar pelo inverso, totalmente contrário a liberação. Estamos perdendo nossos filhos e nossos adolescentes para as ruas e para as drogas. Dizer que eu sou contrário à liberação das drogas é prático, rápido e fácil, e que nós precisamos investir no tratamento, eu não tenho dúvida nenhuma. Aquele adolescente que está fora do controle tem que ser internado, mas nós temos a questão da família, que precisa ser ouvida, se ela quer, se ela não quer, como vai ser tratado, e o judiciário fazer a sua imposição. O que eu lamento é que temos programas para prevenção e tratamento e os municípios não têm movimentado absolutamente nada para criar equipamentos que acolham o dependente químico, sua família, quero dizer que isso desestrutura a família, é preciso ter esses instrumentos que acolham os adolescentes e a família.
O atual modelo de ensino do Estado de São Paulo é baseado na progressão continuada que tem sido duramente criticada. Qual sua opinião a respeito?
Sou contrário. O aluno precisa sair da escola aprendendo, a progressão continuada é pura e simplesmente para passar de ano, não quero isso para o meu filho, não quero isso para minhas netas, quero que saiam da escola aprendendo de fato.
A Secretaria Estadual de Educação tem uma política hoje de premiação para os professores através de bônus quando atingem determinada meta em uma avaliação. Qual sua opinião sobre esse método de premiação e se for eleito, pretende manter ou mudar em alguma coisa?
Professor não precisa de premiação, ele precisa de salário, aí estão inventando educação. Nós precisamos pagar bem o professor e esquecer abono, nós precisamos ter salário digno, para que eles possam ir para a escola e dizer “na minha casa está tudo bem e eu estou aqui na escola, ganho, recebo, tenho um plano de carreira e não tenho mais com o que me preocupar, a não ser o meu foco: educar”.
(Pergunta da internauta Etiene Silva) Qual é a verdade sobre o salário que o senhor recebia da Santa Casa e o prefeito teria cortado?
Na realidade eu sou funcionário da Santa Casa, não trabalhei lá um dia, foram 26 anos e 7 meses, e trabalhei na Santa Casa e na captação de recursos. Quando fui reeleito presidente do sindicato, informei à direção da Santa Casa que ia me dedicar exclusivamente ao sindicato, ao direito dos trabalhadores da saúde. O prefeito não cortou, não, ele fez média, vai lá e pega meu ofício, que eu fiz é o provedor, hoje ele fez intervenção branca na Santa Casa e os trabalhadores estão pedindo “se o senhor for deputado vai tirar o prefeito de dentro da Santa Casa, pois ele está mais atrapalhando do que ajudando”, então, na realidade, eu não tinha que tratar com o prefeito, que não manda na Santa Casa, pois lá tem diretoria, e a minha conversa não era com o prefeito, era com a diretoria, e está tudo escrito e à disposição de todo mundo.
E quando as pessoas perguntam se o senhor vai tirar o prefeito da Santa Casa, se eleito, qual a resposta o senhor dá?
Na realidade isso é uma questão da diretoria da Santa Casa, eu vou opinar, vou sair na rua e dizer “se o poder público não está ajudando, não deve atrapalhar”. Lá tem uma diretoria, tem coerência no que faz, responsabilidade no que faz, e não precisa do prefeito ficar lá colocando o dedo toda semana dizendo o que a diretoria deve fazer. Se ele entender que a diretoria não tem competência, pede nova eleição, mas ele não faz bem para os trabalhadores neste momento.
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