Eleição tira obras do papel


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É só prestar atenção: em períodos eleitorais, principalmente alguns meses antes, quando a legislação o permite, autoridades se esmeram em anunciar benefícios que estavam parados ou então inaugurar obras, algumas delas ainda inacabadas. Franca também passa por isso: com a proximidade do pleito de outubro, o governador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição, virá ao município e, em sua agenda de campanha, deverá anunciar o início das obras de duplicação da rodovia Cândido Portinari até Jeriquara. Prometidas para abril, somente agora, a partir de 20 de setembro, os trabalhos deverão ser começados. Nada como uma eleição para que, num passe de mágica, comece a andar tudo aquilo que estava encalacrado.
 
Em âmbito nacional, a presidente Dilma Rousseff (PT) participou de uma maratona de eventos e inaugurações, além de estar anunciando nos últimos dias uma série de medidas que poderiam ter sido tomadas no decorrer de seu governo. Procura contentar todos os setores que vinham reclamando benefícios e fortalecimento. Mercado financeiro, agricultura familiar, indústria automotiva e vários outros foram beneficiados por pacotes que podem se estender a outras áreas nas próximas semanas.
 
Este tipo de atitude, que atinge praticamente todos os entes públicos candidatos à reeleição ou que pleiteiam cargos maiores, tornou-se uma atitude comum aos políticos brasileiros. Percebe-se a necessidade de angariar votos com obras e anúncios bombásticos. Exemplificando: Dilma Rousseff criou algumas iniciativas que se transformaram em eventos públicos de campanha, como a distribuição de retroescavadeiras e máquinas agrícolas, além de inaugurar pela terceira vez um trecho da ferrovia Norte-Sul que ainda não está funcionando. O falecido governador Eduardo Campos (PSB), sucedido por Marina Silva na corrida eleitoral, ganhou destaque na mídia por inaugurar uma sequência de obras antes de deixar o governo de Pernambuco -- até hospital foi inaugurado duas vezes.
 
Já Aécio Neves (PSDB), como senador, participou de todas as inaugurações promovidas pelo então senador mineiro Antonio Anastasia, candidato tucano ao Senado. Muitas vezes se protela a entrega de obras para realizar o evento às vésperas das eleições, transformando tudo em um comício exaltando as qualidades do administrador (quando candidato) e de seus aliados que buscam uma vaga em qualquer nível de governo. É uma situação patética, mas que consegue angariar votos junto aos eleitores desavisados, que não buscam conhecer a fundo os fatos que envolvem o evento. Afinal, José Serra, como governador, não inaugurou uma maquete quando estava deixando o governo do Estado para se candidatar a presidente? Nada do que um presidente ou governador (para ficar só nestes dois níveis) faz em benefício da população é um favor ou presente: no fim das contas, nós é que pagamos tudo. Eles têm, sim, a obrigação de utilizar bem o dinheiro dos cofres públicos. E nós temos que cobrar.
 
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