Conheci o professor Galdino Flávio de Sousa quando ele foi meu aluno na Faculdade de Direito de Franca. Posteriormente, voltamos a nos encontrar quando ele foi contratado pela FDF para lecionar Direito Civil.
Desde o início do convívio, percebi nele um enorme espírito fraterno. Bastava um professor ter um problema, ainda que de última hora, que ele era convocado para a substituição e sempre atendida com presteza e bom humor. Sem dúvida, era o que se costuma chamar ‘gente boa’, ‘pessoa do bem’, sempre atencioso, solidário e cordial no trato.
Era um exímio conhecedor da língua portuguesa, tinha uma extraordinária inteligência e memória prodigiosa, especialmente para datas e fatos históricos, tudo acumulado no período em que lecionou História Geral para alunos de cursos preparatórios de vestibular.
Lembro-me que antes do início de uma determinada aula, comentei com ele, ‘en passant’, que eu estava incumbido de uma palestra sobre a ‘História do Direito Romano’.
Iniciei minha aula e percebi que ele não parava de escrever. Ao final dela, me entregou duas folhas manuscritas, contendo os fatos mais marcantes do Direito Romano, inclusive com datas e nomes dos principais personagens. Minha palestra estava pronta.
Quando participava em bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso, ficava evidente sua vontade de contribuir para o aperfeiçoamento do trabalho do aluno, especialmente quanto à qualidade do texto.
O diabetes, problemas cardíacos, e a perda de um irmão, acabaram contribuindo para redução de sua capacidade laborativa. Já não percebíamos nele o mesmo entusiasmo para lecionar. Suas dificuldades físicas, infelizmente, acabaram não sendo aceitas e entendidas por alguns alunos. Assim, o amigo Galdino se foi para a ‘sombra indefinida’. Apagou simplesmente, como apagam as estrelas do firmamento em dias de noite chuvosa, mas deixou saudade em todos que privaram de seu convívio.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca
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