De onde vão tirar?


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Quem tem acompanhado a propaganda eleitoral obrigatória no rádio e na televisão, tem sido bombardeado por uma série de aleivosias que já não deveriam enganar ninguém. Porém, pelo andar da carruagem, quando promessas infundadas e mentiras se repetem “ad nauseam” acabam permitindo a eleição de elementos descompromissados com a realidade do País e dos que confiaram a eles seus votos. Caras de pau, em sua maioria, candidatos fazem promessas impossíveis de se cumprirem, ainda mais depois do advento da Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita delírios megalomaníacos de detentores de cargos eletivos.
 
O que nenhum eleitor tem perguntado é de que forma estes candidatos, inclusive a presidente Dilma Rousseff (PT), que busca a reeleição, vão conseguir financiar os projetos apresentados. Já basta que uma estimativa ainda não transformada em realidade, como o dinheiro do pré-sal, seja usada. Mesmo assim, nem todo o montante a ser repassado ao governo será capaz de resolver, de forma plena, os grandes problemas verificados no serviço público, principalmente nas áreas de Saúde, Educação e Infraestrutura, que continuam à espera de investimentos mais robustos para atender plenamente às demandas populares.
 
Enquanto Dilma insiste em repetir que o Brasil não está em recessão, que a crise que vivemos é momentânea e que o País vai retomar o rumo com sua manutenção no poder, seus adversários também usam números e situações em proveito próprio. Marina Silva (PSB), que chegou agora à campanha e colocou os demais pleiteantes à cadeira do Planalto em polvorosa, é capaz de inflar números e não explicar de onde vai tirar o dinheiro para cumprir suas promessas. Além disso, a candidata ainda afirma que seu Plano de Governo é ‘mutável’ — o que significa que pode trocar o dito pelo não dito quando mais lhe aprouver — sem causar qualquer apreensão.
 
Dilma usa números a seu bel-prazer e apresenta uma situação do País que não corresponde, enquanto Marina garante claramente que pode mudar todo o programa que apresentou recentemente caso seja eleita. É uma situação bastante delicada que pode induzir o eleitor a erro, esperando uma coisa e recebendo outra completamente diferente. Já Aécio Neves (PSDB), que usa sua administração em Minas Gerais como prova de sua capacidade, também tem apresentado números irreais (incluindo a sua ‘menina dos olhos’, a administração do ensino fundamental), sendo desmentido quase que imediatamente pela imprensa em páginas na Internet.
 
O eleitor brasileiro precisa tomar cuidado com este tipo de leviandade. Não pode se arriscar a comprar gato por lebre. Precisa conhecer a fundo as intenções — e, principalmente, os antecedentes — de seus candidatos para não correr o risco de patrocinar uma nova aventura. O Brasil precisa crescer, se desenvolver mais e buscar o protagonismo num mundo onde hoje não passa de coadjuvante. Prometer todo mundo promete. Os vários exemplos da nossa história política devem servir de alerta para direcionar o olhar de forma mais realista no momento de fazer a escolha nas urnas
 
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