O drama acabou. Somente após um ano, Vera Lúcia Rocha Resende, 51, residente em Franca, conseguirá sepultar a filha Rufina Cátia Rocha Rezende, brutalmente assassinada em Ituiutaba-MG, aos 26 anos. A justiça mineira só agora liberou a exumação do corpo, enterrado como indigente por falta de informações, em 16 de setembro de 2013. O autor do crime, o namorado Renato Rodrigues, 23, confessou o homicídio e está preso. Clique aqui e relembre o caso.
Segundo Vera Lúcia, a sua caçula não merecia o final que teve. “Ela era tão boa, mas caiu no mundo das drogas com o primeiro marido que morreu de overdose. Depois disso, ela não parou mais com o crack. A morte dela me deixou muito mal, com pressão alta, acabou com minha vida”, disse.
A história envolvendo Vera Lúcia é uma sequência de sofrimento. Em 2012, Rufina Rezende voltava para Franca depois de passar uns dias na casa do pai, no interior de Goiás, quando conheceu Renato dentro do ônibus. Ele a convenceu a interromper a viagem de volta para viver ao seu lado em Ituiutaba-MG, na casa da mãe dele. Ambos eram usuários de crack e acabaram se envolvendo. Segundo a mãe, ela parecia feliz e ligava quase todos os dias para dizer que estava bem.
Após um ano de relacionamento, começaram as discussões até o final trágico por motivo fútil. Segundo um jornal local, Rufina teria pedido R$ 20 a Renato e, com a recusa, eles começaram a discutir e entraram em luta corporal. O rapaz, então, com uma faca a acertou várias vezes na altura do pescoço e a deixou agonizando no chão de terra batida. O próprio Renato se entregou na delegacia e levou os policiais à namorada. Ao chegar no local, os policiais constataram que fazia pouco tempo que ela havia falecido, pois o corpo ainda estava quente. Sem informações de familiares, Rufina foi enterrada em vala comum.
Sem saber do ocorrido, Vera Lúcia se viu diante da falta de notícias da filha por não receber mais ligações telefônicas. Ela ligou para a polícia e para o serviço social da cidade mineira, mas sem sucesso. Três meses depois da morte, ou seja, só em dezembro, a mulher conseguiu entrar em contato com uma amiga de Rufina que sabia o endereço de onde a garota estaria vivendo. Através dessa amiga, Vera soube da morte da filha. Diante da má notícia, outros problemas: a falta de dinheiro para o traslado e a morosidade da Justiça em liberar o corpo. O desespero da mãe em tentar trazer o corpo de Rufina para Franca foi revelado pelo Comércio no dia 16 de janeiro deste ano.
Em fevereiro de 2014, Vera Lúcia viajou até a cidade mineira de Ituiutaba para realizar exames de DNA e mudar o atestado de óbito. O documento recebeu o nome completo da filha. De volta a Franca, ela aguardou por longos meses a autorização judicial para poder remover o corpo. A Justiça, somente após seis meses, autorizou a liberação para a exumação, decisão tomada passado um ano da morte em acordo com o que prevê a Lei. “Minha filha sofreu muito. As mãos dela (quando morreu) estavam cheias de capim e terra por tentar se levantar do chão. Ela apanhou muito. Também me disseram que se tivesse alguém por perto, ela não tinha morrido, pois a causa da morte foi hemorragia externa já que nenhuma veia foi cortada”, contou ontem Vera Lúcia à reportagem.
A funerária Santa Bárbara realizará hoje o traslado do corpo e o sepultamento será no cemitério Santo Agostinho, às 16 horas. A família convida amigos e familiares a participarem. A Prefeitura pagará os serviços por meio do Artigo 9º da lei de auxílio funeral nº 7.927, de 20 de setembro de 2013.
“O município arca com as despesas do traslado quando a família é de baixa renda”, disse a secretária municipal de Ação Social, Gislaine Peres.
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