Batatas e carambolas, não tem mesmo jeito, um dos pés de sapatos de Rafaela sempre sumiam quando ela ia para o sitio na casa de seus avós.
Chinelinhos, pantufas, tênis ou sandálias, nada escapava do misterioso sumiço e até as meias não escapavam deste mistério e sumiam também.
No fundo do quintal havia um bambuzal. Você sabe quem é que nasce e vive entre as varas de bambu? Sim, isso mesmo. É o Saci!
E todos os dias de manhã a Rafaela abria as janelas de seu quarto para deixar o sol entrar e saía para brincar. Era nessa hora que o Saci entrava e escolhia o sapato mais bonito e levava embora para o bambuzal. Quando Rafael voltava para colocar seus sapatinhos, cadê? Sempre estavam sem os pares. O Saci só deixava tênis velhos e chinelos já bem usados com a sola gasta ou tiras arrebentadas.
Sapato velho e com chulé nem o Saci quer!
Teve um dia que de surpresa a Rafaela entrou no quarto e pegou o Saci provando suas sapatilhas de bolinhas. Ela deu um grito de susto, foi um grito muito alto. O Saci por sua vez deu outro grito e ele até que era legal. Mas não pensou duas vezes e deu o fora dali. Saiu pulando a janela e no pé restou-lhe uma formosa sapatilha vermelha de bolinhas e de lacinho branco. O Saci bem que estava charmoso.
Daquele dia para frente a menina só levava tênis velhos de andar no mato. E chinelos um tanto já usados e ao sair não titubeava e fechava as janelas. Todo mundo achou que ela estava virando mocinha e ficando mais organizada. Mas será mesmo que a culpa toda da bagunça era só do pobrezinho e brincalhão, Saci?!
Milla Souza
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