Culpa dos feriados


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O IBGE divulgou os números relativos ao desempenho da economia brasileira no segundo trimestre do ano, e não foram favoráveis: o PIB teria diminuído 0,6% no período de abril a junho. No primeiro trimestre já havia encolhido 0,2%. Ao tentar explicar e justificar, o Ministro da Fazenda os atribuiu aos feriados da Copa (das Copas) e à crise internacional. O governo trouxe o evento para o Brasil alegando que geraria enormes benefícios para o país e seus negócios. A justificativa ministerial é então, e no mínimo, pueril, enganosa, tosca. 
 
Em primeiro lugar, os feriados não foram tantos assim, principalmente no mês de junho. Estamos falando do segundo trimestre que, como todos sabem, não abrange julho, por onde o torneio futebolístico avançou. Por outro lado, a crise da economia mundial, que começara em 2008 nos Estados Unidos, está nos estertores. As economias líderes do comércio mundial, a americana e a chinesa, já apresentam sinais de recuperação e nossos países vizinhos ‘não bolivarianos’ exibem resultados econômicos melhores que os nossos. Argentina, Bolívia e Venezuela são as exceções. A culpa pelos resultados na economia não é, então, de feriados ou crise mundial. É de quem conduz a economia nacional. O sofrível desempenho brasileiro refletido nos números do PIB precisa ser debitado na conta da política econômica equivocada, nos gastos exorbitantes com despesas correntes, no baixo investimento em infra-estrutura, na tentativa de apelar para o crédito fácil para o consumo (de famílias endividadas), nas desonerações seletivas que favorece poucos e prejudica muitos. Sem autocrítica séria e responsável, sem enfrentamento corajoso aos verdadeiros problemas — dentre os quais a inflação e a desindustrialização, o déficit na balança comercial e o baixo nível de emprego —, não iremos a parte alguma.
 
Vicente P. Oliveira
Economista — FEA-USP 

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