Até quando o sofrimento?


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Acompanhar o noticiário relacionado a acidentes de trânsito com vítimas nas páginas do Comércio, nos programas da Difusora e nas postagens do Portal GCN transformou-se numa rotina bastante triste: o número de acidentes de trânsito cresce a cada dia, sem que se veja por parte da administração municipal uma ação efetiva para modificar totalmente este quadro. Por outro lado, os próprios condutores também não se conscientizam de que têm uma arma mortal nas mãos. São colisões, atropelamentos e capotamentos que deixam vítimas graves, quando não fatais, que tornam o noticiário mais fúnebre. Nos últimos tempos, porém, as intervenções da Prefeitura no trânsito acabam virando piada entre os francanos, em que pesem as tragédias registradas.
 
Com uma frota acima de 220 mil veículos automotores para uma população de quase 350 mil habitantes — ou seja, um veículo (entre carros, motos, caminhões e utilitários) para cada 1,6 francano —, o trânsito começa a chamar a atenção não apenas pelo alto número de ocorrências envolvendo motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres nas ruas e estradas do município, mas também pela falta de solução para os gargalos que surgiram em diversos pontos da cidade.
 
A maioria das intervenções da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Segurança e Cidadania, tem provocado mais reclamações. Algumas, como a colocação de semáforos na rotatória, no cruzamento das avenidas Adhemar de Barros e Brasil, provaram na prática a sua ineficácia: os aparelhos ficaram cerca de 15 dias inoperantes, o que fez o trânsito fluir melhor, sem o registro de acidentes ou de engarrafamentos. Percebe-se que não há alguém capaz de aplicar soluções que realmente funcionam, principalmente em horários de pico.
 
A reportagem do Comércio deixou claro, na edição de domingo, que a maioria das soluções implantadas não foram capazes de resolver os problemas de nosso trânsito caótico. Só semáforos, corte de vagas de estacionamento e lombofaixas, implantados sem qualquer estudo de impacto, indiscriminadamente, além de não resolver, ainda pioraram o fluxo do tráfego. Junte-se a isso a imprudência do motorista francano, que não se preocupa em seguir os mínimos fundamentos das leis de trânsito.
 
Embriaguez ao volante, trafegar acima do limite de velocidade, ignorar o uso de seta para a conversão e as sinalizações de solo e aéreas: estas são as principais situações que causam acidentes, com saldo de feridos e mortos, nas nossas ruas e estradas. A conscientização dos motoristas, que não contam com qualquer programa de instrução a respeito das normas e dos perigos ao se ignorar as normas que norteiam o ir e vir de veículos e pessoas, é um dos principais ingredientes para nosso trânsito ser tão ruim. A Prefeitura age como se não fosse com ela e os condutores fingem que nada aprenderam quando tiraram sua CNH (Carteira Nacional de Habilitação); tudo isso cria uma situação que continua machucando, mutilando e matando. A situação precisa ser encarada com maior seriedade, pois poderemos chegar a um ponto sem volta. E aí não haverá mais o que fazer.
 
 
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