Debates e nanicos


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Os debates entre candidatos a presidente da República e governador continuam. Pesquisas indicam claramente os favoritos mas a legislação eleitoral exige que todos os concorrentes sejam convidados. O resultado não poderia ser diferente: perda de precioso tempo televisivo com quem não tem a mínima chance de se eleger. Não despertam o interesse do eleitorado mesmo se imbuídos das melhores intenções. E ainda tem candidatos-laranjas, que costumam, criminosamente, ir ao debate a serviço de um dos viáveis, com a tarefa de prejudicar os demais. 
 
O debate dos presidenciáveis feito pela TV Bandeirantes não teria perdido nada se contasse apenas com Dilma Rousseff, Marina Silva e Aécio Neves. Os demais, por razões que todos conhecem, nada acrescentam ao propósito de confrontar propostas dos concorrentes. Suas participações, independente do conteúdo, serviram apenas para reduzir o tempo em que os três melhores posicionados nas diferentes pesquisas tiveram para colocar propostas, idéias e as próprias candidaturas.
 
As tentativas de evitar a influência do poder econômico e outros fatores desequilibrantes nas campanhas levaram ao seu engessamento. A propaganda no rádio e televisão até hoje não é eficiente — especialmente para candidatos ao Legislativo — e os debates só podem ser realizados incluindo os inviáveis. Isso, sem dizer que veículos de comunicação sofrem diferentes restrições. Juristas, marqueteiros e parlamentares prestariam grande serviço ao país se conseguissem gestar um novo código de propaganda eleitoral, com mais liberdade e menos restrições. Há de se colocar à disposição dos candidatos todos os meios para chegar ao eleitor, mas não se pode impor a participação dos inviáveis em eventos que discutem a viabilidade.
 
Por inúmeras razões, o processo eleitoral não é bem visto. Precisamos criar meios e facilidades para as campanhas chegarem ao eleitorado e esse, conhecendo os candidatos e o que pensam, vote com mais interesse e qualidade...
 
Dirceu Cardoso Gonçalves
Articulista
 

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